domingo, 13 de março de 2016

Livro: A exposição das rosas

Título: A exposição das rosas
Título original: Tóték / Rózsakiállítás
Autor: István Örkény
Tradutor: Aleksandar Jovanovic
Editora: 34

Nos últimos anos a literatura húngara tem me conquistado. Do infantojuvenil Os meninos da rua Paulo aos contos cômicos do Kosztolányi, sem esquecer as duas antologias organizadas pelo Paulo Rónai, descobri um novo mundo de livros fascinantes. Algo que me atraiu bastante nessa literatura foi o humor, principalmente nas narrativas curtas, carregadas de ironia. Assim, escolhi A exposição das rosas, primeiro livro publicado da Coleção Leste da Editora 34, em busca de um pouco mais desse humor peculiar. O livro reúne duas novelas: "A exposição das rosas" e "A família Toth".

Na primeira, um homem decide gravar um documentário sobre a morte. Para isso, ele escolhe três pessoas com a saúde debilitada, mas logo descobre que documentar os últimos dias de alguém é mais complicado do que esperava. Como saber se a pessoa realmente vai morrer em breve? E como tornar essa experiência atrativa para os telespectadores? Através de orientações e intervenções, o diretor produz um documentário que se aproxima dos reality shows atuais, que se vendem como realidade, mas são manipulados e editados para atrair o público.

A novela é uma crítica bastante ácida e divertida ao vouyerismo da televisão e ao papel e limite da arte, demonstrado principalmente na figura de um dos documentados, amigo do diretor, um bon vivant que assume seu papel de homem à beira da morte com entusiasmo e vê o projeto como uma grande obra de arte digna de seu sacrifício.

Em "A família Toth", uma família hospeda o major de seu filho em suas férias no campo. Como a Hungria está em guerra, os Toth esperam que sua hospitalidade traga futuros benefícios ao filho, garantindo-lhe maior proximidade ao major e, consequentemente, mais segurança. O major é um sujeito sensível e ligeiramente louco, e a família faz o que for preciso para agradá-lo. Isso os leva a situações absurdas, como passarem a noite em claro para acompanhar o major insone, com o pai, Lajos, obrigado a manter uma lanterna na boca para não bocejar (!). A grande tragédia dos Toth é que nem eles nem o major sabem que o filho por quem estão se sacrificando e que vive em seus pensamentos morreu durante a guerra, pois o carteiro do vilarejo, que estima muito a família, decide poupá-los dessa notícia triste e joga a carta em um barril.

Essa novela apresenta um humor mais escrachado, com muitas situações e personagens absurdos. Comparando as duas novelas, "A exposição das rosas" parece mais próxima à nossa realidade e é fácil imaginar uma situação semelhante nos tempos atuais, já "A família Toth", apesar da crítica fundamentada ao militarismo, me parece menos realista, com personagens agindo de forma cômica e idiota demais e, consequentemente, me deixando um pouquinho irritada. Mesmo assim, é uma leitura bastante divertida. Recomendo!

Livro lido para o Desafio Livrada! (uma novela).

6 comentários:

  1. Nunca li nada da literatura húngara, e admito que boa parte do motivo é que os nomes realmente me assustam hahahaha
    De qualquer forma, eu já tenho alguns livros na lista, assim que der eu tomo coragem para ler. :)

    Mago e Vidro
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    1. É, os nomes são estranhos mesmo, mas vale a pena se aventurar nos livros. :)

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  2. Adorei a resenha Ligia.
    Tem tanto que anotei esse título para pegar na biblioteca, mas tinha dúvidas acerca do livro sua resenha esclareceu e está decidido vou ler.

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    1. Que bom que a resenha te ajudou a tomar uma decisão ;)

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  3. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas parece muito bom. Dica anotada :)

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    1. É bom, sim (e engraçado). Vale a pena conhecer.

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