sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Anime: Flying Witch


Título: Flying Witch
Estúdio:  J.C.Staff
Diretor: Katsushi Sakurabi
Ano: 2016
Nº de episódios: 12

"Iyashikei", que significa "curativo" em japonês, é um termo usado para classificar mangás e animes tranquilos, criados com o propósito de acalmar. São obras em que não há muita ação nem drama, geralmente focando na vida cotidiana, com bastante interação com a natureza. Flying Witch se encaixa bem nesse termo. O anime conta a história de uma aprendiz de bruxa que se muda para a casa dos tios em uma cidadezinha no interior como parte de seu treinamento.

O anime acompanha o cotidiano da bruxa, Makoto, ao lado de seus primos Kei e Chinatsu, com eventuais aparições de criaturas mágicas. É tudo muito pacato e gostosinho de acompanhar. Em um episódio, por exemplo, eles vão colher ervas na floresta. Em outro, aprendem um feitiço mágico simples. Ao assistir aos primeiros episódios, achei que enjoaria logo de um anime quase sem enredo nenhum, mas aos poucos fui me acostumando com o clima tranquilão e aproveitando cada segundo.


Os personagens tem jeito de gente como a gente, sem personalidades exageradas ou os clichês típicos dos animes. Gosto principalmente da Chinatsu, que é uma fofa, e do Kei, tranquilo e responsável. Também vale mencionar a irmã de Makoto, Akane, responsável pela maioria das cenas engraçadas do anime.

Apesar de a protagonista ser uma bruxa, a magia no anime não é aquela coisa cheia de luzes e sons. Assim como quase tudo em Flying Witch, ela é sutil e simples, quase sempre integrada à natureza, como a mandrágora que Makoto fica tão feliz em encontrar no caminho da escola para casa.

Mesmo sem um enredo bem definido, Flying Witch é um anime que consegue deixar as pequenas coisas da vida cheias de encanto. É despretensioso, é charmoso e é muito relaxante.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Randomicidades do mês: julho/2016 (parte 2 - animes/séries/filmes)

Por motivos de Olimpíada e trabalho demorei séculos para postar essa segunda parte das randomicidades do mês. Vou tentar não atrasar tanto assim as resenhas que estou devendo, mas estou achando que vou demorar para escrever...

Animes/séries


Mahou Shoujo Madoka Magica
Nota: 4


Flying Witch
Vou resenhar em breve (ou não tão breve assim).
Nota: 3,75


A vida dos mamíferos
Série de documentários apresentada por David Attenborough que eu assisti há muito anos, quando passava no Animal Planet, e decidi rever por causa da nostalgia. O que mais gosto desse documentário é que ele mostra muitas espécies diferentes, não tão conhecidas, sem deixar de mostrar as mais manjadas. Temos vários tipos de lêmures, musaranhos e toupeiras, mas também temos as girafas, zebras e leões habituais. Cada episódio foca em um grupo de animais diferente.
Nota: 3,5 

Comecei a assistir: Tonari no Seki-kun, Saraiya Goyou, Bananya

Filmes


Em busca do Vale Encantado
Vi que o filme estava saindo do catálogo da Netflix e resolvi ver para matar as saudades. Um dos meus queridinhos da infância, o filme não é tão bom quanto eu lembrava, mas é divertidinho.
Nota: 3


A garota de fogo (também conhecido como Magical Girl)
Esse filme!!! Ouvi falar dele no blog Resumo da Ópera e me interessei porque uma personagem é fã de animes. Essa personagem e o hobby dela têm mais importância no início, dando propulsão a uma série de acontecimentos. Um filme bastante surpreendente e angustiante.
Nota: 4,25


Miss Hokusai
Anime sobre a filha do famoso pintor Hokusai, também artista e definitivamente uma mulher à frente de seu tempo. Adorei a interação entre a protagonista e sua irmã mais nova, que é cega, e gostei de ver a situação de uma mulher artista na época, mas esperava um pouco mais do filme. 
Nota: 3,5


Um homem sério
Não entendi qual é o ponto do filme. Ele começa estranhinho, depois passa a mostrar a vida de um homem comum em meio a problemas em casa e no trabalho, com algumas reflexões sobre a fé judaica, e eu esperava que o final tornasse as coisas mais claras para mim. Mas não. Talvez os irmãos Coen não sejam mesmo muito a minha praia. Ou talvez eu seja burra mesmo.
Nota: 2,5


Millenium Actress
Esse é um dos filmes mais elogiados do Satoshi Kon, que é um dos diretores mais elogiados de anime. O filme narra a vida de uma famosa atriz misturando a realidade com os papéis que ela representou durante sua carreira. É um pouquinho confuso e visualmente muito interessante, mas a história não me conquistou tanto quanto eu esperava.
Nota: 3,75


Sita Sings The Blues
O filme se baseia no épico hindu Ramayana, relacionando-o a momentos da vida da diretora. Com estilos bem variados de desenho, o filme adota uma perspectiva favorável à Sita, esposa de Rama, que teve sua fidelidade questionada e foi abandonada pelo marido após ter sido raptada. Essa história é entremeada com comentários de personagens de um teatro de sombras (minha parte preferida!), canções de Annette Hanshaw que se encaixam perfeitamente às situações narradas (mas achei meio cansativas depois de um tempo) e a história do fim do relacionamento da diretora. É uma animação bem diferente e criativa.
Nota: 4


Cheatin'
Faz tempo que queria ver algo do Bill Plympton, que tem um estilo bem rabiscado de desenhar que eu acho muito interessante. Cheatin' é uma história de um relacionamento amoroso, de suspeitas e mal-entendidos. É interessante, mas eu esperava algo um pouco mais pé no chão e não transposição de corpos e carrinhos de bate-bate super eletrificados.
Nota: 3,5

Curtas


Nakedyouth
Curta sobre um relacionamento de dois jovens. Sem diálogos, o filme investe bastante em repetições e tomadas do céu e das árvores, uma coisa meio artística, meio chata.


Dimension Bomb
O curta faz parte do projeto Genius Party Beyond e é uma viagem visual interessante, porém incompreensível.


Circo
Um palhaço bondoso tenta arranjar emprego em um circo decadente com funcionários violentos e mal-humorados. Gostei da estética. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Randomicidades do mês: julho/2016 (parte 1 - leituras)

Tenho a impressão de que julho foi um mês longo e demorado, mas talvez eu só tenha essa impressão porque fiquei quase o mês inteiro sem trabalho e isso foi me deixando agoniada. O lado bom é que deu para ler bastante e ver muitos filmes, tanto que dividirei o post em duas partes.

Livros


Fortunately, The Milk - Neil Gaiman
Livro infantil sobre um pai que sai para comprar leite para o café da manhã, é abduzido, passa por todo tipo de aventura louca e consegue voltar para casa são e salvo (e com o leite intacto). Divertidinho, mas por ser Neil Gaiman eu esperava mais.
Nota: 3


Psicose - Robert Bloch
Como a maioria das pessoas, eu já tinha visto o filme antes de ler, então a história não apresentou muitas novidades. Por outro lado, é interessante ler já sabendo o final e ir vendo os indícios durante a leitura. Adorei o livro!
Nota: 4


As preces são imutáveis - Tuna Kiremitçi
Nota: 3,25


Os crimes ABC - Agatha Christie
Nota: 3,25


O mundo se despedaça - Chinua Achebe
Nota: 3,75


Nove plantas do desejo e a flor de estufa - Margot Berwin
Esse livro tem uma vibe meio Comer, rezar, amar de uma mulher frustrada com a vida que viaja para lugares "exóticos" para se autodescobrir, mas parte de uma ideia bem mais estranha e interessante: essa mulher começa a se interessar por plantas, descobre a existência de nove plantas mágicas e parte para o México para encontrá-las. Até aí tudo bem. O problema é que esse livro tenta criar um tom meio realismo fantástico que não funciona e tem uma protagonista muito insossa. O outro problema é que ele aposta em um misticismo que não tem nada a ver comigo. E o último problema é que ele tem umas incongruências/erros que me irritaram muito (exemplos: a protagonista encontra uma cascavel enorme, mas cascavéis não são cobras tão grandes, do tamanho de cinco pneus empilhados; duas vezes personagens se referem ao México como um país da América do Sul (???); as nove plantas do desejo deveriam ser super raras e difíceis de conseguir, mas várias delas são plantas comuns). Sei lá, o livro parte de uma ideia criativa e eu estava gostando no começo, mas ele foi piorando aos poucos e eu terminei a leitura muito frustrada.
Nota: 2


Eeeee Eee Eeee - Tao Lin
Livro muito estranho. Vou resenhar em breve.
Nota: 3,25


A bússola de ouro - Philip Pullman
Releitura de um dos meus livros preferidos da adolescência. Talvez porque esse primeiro volume esteja razoavelmente bem gravado na minha memória, não me empolguei muito com o livro. Gosto muito de toda a ideia por trás da trilogia e achei fascinante relembrar alguns aspectos dela, mas esse volume tem muitas aventuras, viagens, ação, e esse não é o tipo de coisa que eu gosto de ler geralmente. Por outro lado, estou ansiosa para reler os dois volumes seguintes, dos quais não lembro quase nada, e poder compreender melhor o que há por trás da história.
Nota: 3,75

Quadrinhos


Rurouni Kenshin: Tokuhitsu-ban - Nobuhiro Watsuki
Essa é uma versão alternativa da história do Kenshin, publicada na época do lançamento dos filmes live-action. Sim, foi um mangá escrito apenas para surfar na onda dos filmes e gerar mais uns trocados para os envolvidos. Mesmo assim, fã de RK que sou, fiquei curiosa para ler. É uma versão condensada e modificada das batalhas de Kenshin contra o Kanryuu Takeda e o Jin-e, com ligeiras modificações para poder incluir o máximo de rostos conhecidos em tão pouco tempo. É divertinho, não muito mais que isso. Não sei se funcionaria muito bem como primeiro contato com o universo de RK, mas para os fãs é uma leitura interessante.
Nota: 3,25


Gen, pés descalços - vols. 6 e 7 - Keiji Nakazawa
Continuo lendo a série e não tenho muito a dizer sobre esses volumes.
Nota: algo entre 3 e 3,5


Lucille - Ludovic Debeurme
HQ sobre o relacionamento entre dois jovens solitários: uma garota anoréxica e um garoto vindo de uma família disfuncional. A história não apresenta nada de muito inovador, mas algo na crueza desses personagens me deixou bem abalada durante a leitura. Gostei demais, mas teria gostado ainda mais se não descobrisse ao final que o livro faz parte de uma série que ainda não terminou. ;-; 
Nota: 4,25


Empire State: A Love Story - Jason Shiga 
Peguei esse livro na biblioteca só porque a capa é bonitinha. Com toques autobiográficos, é uma história de amor (ou não) entre um jovem introvertido que tem dificuldades em viver a vida adulta (quem nunca?) e sua amiga, que se mudou para Nova York para trabalhar em uma editora. O livro é gostoso de ler e tem momentos engraçadinhos, mas é meio genérico e esquecível. Vi alguém no Goodreads o comparando a um filme indie "mumblecore" e, mesmo sem nunca ter visto um desses filmes, acho que a comparação é exata: tem personagens meio desajustados com tiradas engraçadinhas e uma história de amor que não dá em nada.
Nota: 3

Aquisições


Não teve muita coisa. Minha irmã ganhou o Thomas e sua inesperada vida após a morte e eu comprei The Wedding Eve, mangá com várias histórias.

Por enquanto é só, pessoal. Mais tarde eu venho com a segunda parte.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Livro: O mundo se despedaça

Título: O mundo se despedaça
Título original: Things Fall Apart
Autor: Chinua Achebe
Tradutora: Vera Queiroz da Costa e Silva
Editora: Companhia das Letras

Faz bastante tempo que tenho vontade de ler esse livro, um clássico da literatura nigeriana. Ele é protagonizado por Okonkwo, um homem muito respeitado em seu clã, que construiu com as próprias mãos sua riqueza e sua reputação de guerreiro, garantindo uma posição de prestígio em Umuófia. No entanto, ele cai em desgraça perante a tribo e é obrigado a se exilar por alguns anos, durante os quais ele só pensa em seu regresso ao lar e em reconstruir o que perdeu. Porém, com a chegada dos colonizadores brancos na região, as coisas começam a mudar rapidamente e Okonkwo, apegado às tradições, é um dos que mais sofre para se adaptar.

O livro mergulha fundo na cultura ibo, exibindo seus costumes e crenças: rituais, festas, casamentos, provérbios, a hierarquia, o trabalho, o relacionamento dentro das famílias e do clã. E apesar de a tribo viver em aparente harmonia, o autor não deixa de nos mostrar as fissuras que há naquela sociedade, sem adotar uma visão maniqueísta de nativos bonzinhos e colonizadores malvados ou vice-versa.

É uma leitura muito interessante, embora em alguns momentos eu tenha me cansado um pouco das descrições do cotidiano da tribo e tenha desejado um pouco mais de ação, que só começa depois da metade do romance. Apesar de a tensão entre os ibos e os europeus ser o grande tema da obra, ela ocupa relativamente pouco do livro.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo (Nigéria).

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Anime: Mahou Shoujo Madoka★Magica


Título original: Mahou Shoujo Madoka★Magica
Título alternativo: Puella Magi Madoka Magica
Estúdio: Shaft
Diretor: Akiyuki Shinbou 
Ano: 2011
Nº de episódios: 12

Depois de muito ler comentários e resenhas sobre esse anime, adorado por muitos e odiado por outros tantos, finalmente decidi assistir. Considerado por alguns uma desconstrução do gênero mahou shoujo (garotas mágicas), o anime é sobre Madoka Kaname, uma menina normal, meio tímida, que não se destaca muito. A história começa de forma tradicional: há um sonho estranho, uma nova aluna misteriosa e o encontro com uma pequena criatura mágica. Essa criatura, Kyuubey, propõe a Madoka que ela se transforme em uma garota mágica para lutar contra bruxas. Em troca, ele concederia a ela um desejo. Sem saber o que pedir, Madoka e sua amiga Sayaka hesitam em tomar a decisão e passam a acompanhar o trabalho de Mami, uma garota mágica, descobrindo todo um novo mundo repleto de mistérios e perigos.

À primeira vista, o anime parece fofo e alegre, com menininhas cabeçudas de traços arredondados e cores delicadas, mas logo o lado sombrio de ser uma garota mágica vai se revelando. Apesar de eu já saber vários spoilers da história, acabei me surpreendendo em alguns momentos e ficando incrivelmente angustiada com os rumos do enredo. Sabe quando você termina um episódio com o coração apertado e certo vazio existencial? Me senti assim em alguns momentos enquanto assistia ao anime. Por mais que algumas cenas estejam ali só para provocar choque nos espectadores, eu me deixei chocar. E foi bom.

A história é bastante envolvente e me deixou colada na tela, ansiosíssima para descobrir o que vinha a seguir, tanto que acabei assistindo metade do anime em um dia, o que é muito para os meu padrões. Porém, como quase sempre acontece em obras desse tipo, a maioria das revelações me decepcionou um pouco, e quando paro para pensar melhor, acho as coisas meio forçadas.

Também considero as personagens um dos pontos fracos do anime. Elas não são muito bem desenvolvidas, pois, apesar de passarem por mudanças durante a série, essas mudanças são bruscas demais e não dá muito tempo para se apegar, afinal, o anime tem apenas 12 episódios. No entanto, não se apegar não é um problema. O impacto emocional ainda foi imenso, gostando ou não das personagens.

A parte visual do anime é muito interessante, com prédios modernosos de vidro muito estranhos nas cenas cotidianas e paisagens surreais e assustadoras muito interessantes quando as bruxas entram em ação. A trilha sonora é bastante eficiente, com músicas que conseguem transmitir uma sensação de encantamento, tristeza e estranhamento ao mesmo tempo. A abertura pop e o encerramento meio gothic metal(?) definitivamente não são o tipo de música que eu ouviria normalmente, mas funcionam tão bem na série que acabei gostando.

Apesar dos defeitos que apontei, gostei muito de Madoka. Agora só falta assistir aos três filmes e sofrer um pouquinho mais. ;)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Livro: Os crimes ABC

Título: Os crimes ABC
Título original: The ABC Murders
Autora: Agatha Christie
Tradutor: Rocha Filho
Editora: Record

Estava cogitando nem ler nada para o tema do Desafio Skoob de julho, serial killer, porque não me veio nenhuma ideia na cabeça além dos livros sobre o Hannibal Lecter, que infelizmente não estão disponíveis nas bibliotecas daqui e não estou a fim de comprar. Então decidi ler um livro que estava na lista de quero ler faz muito, muito tempo e que não sairia dela tão cedo se não fosse por desafios literários.

Não sou a maior fã da Agatha Christie. Dos quatro livros que li dela em tempos recentes, um foi tão descartável que nem lembro direito do título, um foi ok, mas abaixo das expectativas, um foi legal durante a leitura, mas esquecível, e apenas um foi realmente envolvente e divertido (resenhei aqui). Mesmo assim, continuo decidida a dar mais chances à escritora e, assim, li Os crimes ABC.

No livro, um assassino escolhe suas vítimas de acordo com a ordem alfabética: primeiro ele mata alguém com um nome que começa com A em uma cidade cujo nome também começa com A. Depois é a vez da letra B, depois da C etc. Antes de cometer os crimes, ele manda uma carta a Poirot, avisando o dia e a cidade escolhidos. A polícia e os jornais logo se convencem de que o assassino é um psicopata frio e calculista, mas Poirot suspeita de que há algo estranho por trás de tudo.

O livro segue a fórmula do romance policial típico (crime acontece, Poirot e o amigo Hastings vão ao local investigar e interrogar o pessoal), com algumas diferenças, como os capítulos narrando as ações do Sr. ABC entremeados aos da narrativa de Hastings e a iniciativa de Poirot de juntar um grupo com os familiares da vítima para auxiliar na investigação. Como são vários crimes, em certo ponto os personagens começam a se acumular a as coisas ficaram meio confusas para mim, a mestre em esquecer que personagem é quem, mas ainda assim, achei as reuniões dos familiares as partes mais interessantes do livro.

Como sempre, a resolução do crime me surpreendeu bastante, mas ao mesmo tempo achei meio decepcionante. Ou seja, o livro tem seus diferenciais e é interessante acompanhar a investigação, mas o final não é dos mais empolgantes.

Lido para o Desafio Skoob, tema: livro com serial killer.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Livro: As preces são imutáveis

Título: As preces são imutáveis
Título original: Dualar Kalicidir
Autor: Tuna Kiremitçi
Tradutor: Marco Syrayama de Pinto
Editora: Sá Editora

Atendendo a um anúncio no jornal, a jovem Pelin conhece Rosella, uma senhora que se refugiou em Istambul durante a Segunda Guerra Mundial e lá viveu alguns dos momentos mais significativos de sua vida. Com receio de esquecer a língua turca e, consequentemente, as lembranças associadas a ela, Rosella busca alguém com quem conversar para manter o idioma fresco em sua memória. Contando sua história ao estilo de Sherazade, parando em pontos cruciais para manter o interesse e incentivar Pelin a também contar sua história, ela narra seu passado para a garota.

Sempre me interesso por livros que tratam de amizades pouco convencionais, principalmente entre pessoas de idades bastante diferentes, e achei muito interessante o desenvolvimento da relação entre as duas protagonistas. Pelin no início reluta em aceitar o pedido de Rosella e se mostra pouco disposta a revelar mais de sua vida para a senhora, mas, seduzida pela história de vida da amiga, aos poucos vai ficando à vontade para conversar livremente sobre assuntos variados, de sua vida cotidiana e as bandas de que gosta a lembranças de Istambul.

O romance é todo composto por diálogos entre as duas personagens, o que é uma escolha interessante para um livro sobre a importância da língua e da conversa e combina perfeitamente com a proposta de Rosella para Pelin, mas senti um pouco de falta de um narrador que descrevesse ambientes e ações, nem que fosse um pouquinho. Por mais que as conversas sejam interessantes, achei que as coisas ficaram um pouco vagas só com os diálogos.

Para quem se interessou, a Michelle do blog Resumo da Ópera escreveu uma ótima resenha do livro. Leiam!

Livro lido para o desafio Volta ao Mundo em 80 Livros, representando a Turquia.