terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Randomicidades aleatórias: novembro/2016 (parte 2)

Resolvi separar o post de randomicidades em duas partes porque em novembro comprei livro demais, culpa da Feira do Livro da USP (que na verdade se chama Festa do Livro da USP, mas que não é festa coisíssima nenhuma, é só um monte de estandes de editoras vendendo livro com desconto, o que é ótimo, por sinal).

Eu não pretendia comprar muita coisa, porque este ano passou rápido demais e minha impressão é a de que a feira de 2015 foi ainda ontem (e eu ainda nem li a maioria dos livros), mas às vezes não ter uma lista de compras definida só piora as coisas e libera o meu lado consumista.


Na feira do ano passado eu comprei um livro dos Moomins e adorei. Então eu e minha irmã compramos um volume cada uma, completando os livros da coleção lançados até o momento no Brasil. Aproveitei a presença da Rádio Londres na feira para comprar Tirza, que eu quero ler faz tempo (mas vou ler logo? Não sei).


Já faz uns bons anos de feira que mantenho fidelidade à Estação Liberdade, sempre garantindo um exemplar de algum livro do Soseki. Como ainda não li O portal, que comprei no ano passado, pensei em quebrar a tradição, mas aí vi o Botchan tão simpático e acabei comprando. Aproveitei e levei O museu do silêncio e Tsugumi (pretendia pegar na biblioteca Kitchen, da mesma autora, para ver se gostava antes de comprar esse, mas meus impulsos consumistas venceram).


Em 2016 algumas das minhas leituras preferidas foram quadrinhos, então aproveitei a feira para garantir algumas leituras para o ano que vem. Esse A gigantesca barba do mal me chamou atenção no estande, dei uma folheada descompromissada e achei fofo, mas virei as costas para ele. Mais tarde, em casa, pesquisei sobre ele e o que li me agradou, então voltei em outro dia para comprar. Os dois outros, que por coincidência têm "mãe" no título, estão na minha lista de desejos faz tempo e dessa vez decidi enfrentar a fila da Companhia das Letras por eles. Momento reclamação não relacionada à feira do livro: eu não precisaria comprar o Você é minha mãe? se certas gibitecas não perdessem os livros tão facilmente. O pior é que nem dá para saber quem culpar. E sim, sou uma pessoa ressentida.


Essas foram as compras da minha irmã. O que me lembra que preciso ler A amiga genial.


O Enclausurado minha irmã ganhou de uma parceria. Já os outros dois foram compras dela na Black Friday. Também comprei coisas na Black Friday, mas os livros só chegaram em dezembro, então depois eu mostro.

Foi "só" isso. ;)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Randomicidades aleatórias: novembro/2016 (parte 1)

Novembro foi um mês arrastado, principalmente nesse final. Estamos no fim do ano e já estou pensando nos projetos literários do ano que vem, o que é bom, porque consigo me animar com pelo menos alguma coisa. Ainda não sei o que vou fazer, se vou participar de algum desafio e tal. Alguém tem alguma sugestão?

Neste mês não li/vi nada muito espetacular, mas em compensação entrei na onda da nostalgia e comecei a reler uma série de livros muito querida e a rever uma série da adolescência. Além disso, comprei mais livros do que deveria, perdendo todo o controle que tive no mês passado, mas isso é assunto para o segundo post de randomicidades.


Livros lidos


Desventuras em série - livros 1 a 4 - Lemony Snicket (Mau começo, A sala dos répteis, O lago das sanguessugas, Serraria baixo-astral)
O lançamento da série da Netflix previsto para janeiro foi a deixa para eu mergulhar novamente nas vidas desventuradas de Violet, Klaus e Sunny. Adoro demais essa série de livros e estou me divertindo muito relembrando todos os momentos ruins e bons da história. Curioso como, mesmo já tendo relido em outras ocasiões, os livros ainda parecem uma novidade. Estou ansiosa para começar a mergulhar nos mistérios que aparecerão nos próximos volumes, dos quais já não me lembro tão bem.
Nota: 4 para todos, mas acho que meu preferido por enquanto é o Mau começo (achei que meu preferido seria A sala dos répteis, mas não foi)


A nona vida de Louis Drax - Liz Jensen
O livro conta a história de Louis, um menino de nove anos propenso a acidentes que ficou em coma após cair de um penhasco. Narrado em duas vozes, a do menino e a do médico responsável por ele, o livro desvenda o mistério por trás do acidente que o deixou naquele estado. Gostei bastante das partes narradas pelo menino, mas não gostei muito do médico. A leitura demorou um pouco para engrenar, mas assim que você começa a descobrir mais coisas, a história se torna mais interessante.
Nota: 3,25


Um homem morto a pontapés - Pablo Palácio
Nota: 3


Enclausurado - Ian McEwan
Inspirado em Hamlet, esse livro chama a atenção pelo narrador inesperado: um feto. De dentro da mãe, ele ouve e sente tudo o que acontece ao seu redor e, mesmo sem nem ter nascido, já tem que se deparar com o terrível fato de que sua mãe e o amante dela estão tramando o assassinato de seu pai. Sou fã do Ian McEwan e fazia tempo que não lia um livro dele, foi bom matar a saudade.
Nota: 4


O que aconteceu com o adeus - Sarah Dessen
Há muito tempo comecei a ler esse livro e parei. Agora finalmente voltei a ele. Gosto muito do pouco que li da Sarah Dessen; gosto de como ela constrói os dramas familiares, as amizades e os amores, e acho os personagens fáceis de se identificar. Infelizmente nesse livro não senti empatia nenhuma com a protagonista, o romance não me conquistou e as brigas dela com a mãe me irritaram. Gostei da amiga excluída e da gerente do restaurante, no entanto, e preferia que o livro fosse mais focado no grupo de amigos da Mclean.
Nota: 3,25


Raul Taburin - Sempé
Raul Taburin é o melhor mecânico de bicicletas da cidade, mas ele esconde um segredo: apesar da grande experiência em consertar as magrelas, ele não sabe andar de bicicleta. A história é uma graça, e as ilustrações de Sempé, com seu traço simples, são incríveis.
Nota: 4,5

Quadrinhos


Helter Skelter - Kyoko Okazaki
Esse mangá, bastante comentado e premiado, é sobre Lilico, uma modelo incrivelmente bela e popular. Sua boa aparência, no entanto, é fruto de inúmeras cirurgias plásticas que a transformaram em uma mulher completamente diferente do que ela antes. As cirurgias lhe deram a beleza e o sucesso que ela almejava, mas não duram para sempre. Logo o corpo de Lilico começa a se deteriorar e, ao ver tudo o que conquistara em risco, sua mente vai seguindo o mesmo caminho. É um mangá bastante intenso, meio grotesco, com uma protagonista desagradável e humana.
Nota: 4


O muro - Céline Fraipont, Pierre Bailly
Livro sobre uma menina de treze anos cuja mãe abandonou a família para ficar com o amante e o pai fica ausente durante a maior parte do tempo. Sem nenhum responsável por perto, ela se sente abandonada, entediada e confusa. A arte é fantástica, com um estilo cheio de sombras. O final me pareceu um tanto abrupto, mas tirando isso, gostei muito.
Nota: 4

Animes e séries


Bananya
Anime sobre um gato-banana. Com apenas três minutos por episódio, o desenho mostra Bananya e seus amigos fazendo gato-bananices pela casa. É bem bobinho e incrivelmente fofo.

Comecei a rever The O.C., minha série queridinha da adolescência; também comecei uma porção de animes: Aoi Bungaku, série que adapta clássicos da literatura japonesa e que pretendo ir assistindo aos poucos, a medida em que ler os livros; Onara Gorou, anime curtinho sobre um pum (sim, é isso mesmo); e Those Who Hunt Elves II, anime que assisti na época da Locomotion e agora decidi rever.

Filmes


Cinco centímetros por segundo
O Makoro Shinkai é um dos diretores japoneses de animação mais consagrados da atualidade, e esse é um dos seus filmes mais famosos. Com cenários deslumbrantes e a sensibilidade que são suas marcas registradas, ele mostra o relacionamento de dois jovens que eram muito próximos na infância e foram perdendo contato com o tempo. A história é bonita, mas é um pouco maçante/brega se você não gostar do estilo. Além disso, a presença constante de um narrador me incomodou bastante e dificultou a criação de vínculos com os personagens.
Nota: 3,5


Um filme sobre o amor
Filme visto na aula de húngaro. Só agora percebi que ele tem um tema muito semelhante ao de Cinco centímetros por segundo, haha. Basicamente, o relacionamento de dois jovens muito próximos na infância e na adolescência, mas que acabam separados por forças externas. Gostei do filme, apesar de ainda ficar bem confusa com os acontecimentos históricos da Hungria (é, tô precisando estudar mais).
Nota: 3,5


Mesmo se nada der certo
Filme fofo sobre um produtor falido que se encanta pelo talento de uma cantora e propõe ajudá-la na gravação de seu álbum. É quase a versão hollywoodiana de Once, só que com músicas menos interessantes (mas ainda amo Lost Stars e gosto de toda a ideia por trás do álbum). É gostosinho de assistir, despretensioso, fofo.
Nota: 3,5


O silêncio dos inocentes
Finalmente vi esse filme inteiro! Eu já tinha visto trechos em uma viagem, mas até então não tinha me animado a assistir tudo. Gostei, o suspense é bem envolvente e os personagens são interessantes, mas talvez eu esperasse um pouquinho mais.
Nota: 4


Louca obsessão
Acho que se eu não tivesse lido o livro teria gostado bem mais do filme. O livro é bem mais pesado e angustiante e não pude deixar de ficar comparando alguns acontecimentos. Em compensação, o filme não tem aqueles capítulos insuportáveis com a história da Misery, o que sempre é um ponto positivo, hahaha.
Nota: 3,25

Por enquanto é isso. O post de compras vem em breve.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Livro: Um homem morto a pontapés

Título: Um homem morto a pontapés, seguido de Débora
Título original: Un hombre muerto a puntapiés / Débora
Autor: Pablo Palacio
Tradutor: Jorge Wolff
Editora: Rocco

Mais um livro da coleção Otra Língua aqui no blog, desta vez do autor equatoriano Pablo Palacio. O livro reúne contos e uma novela publicados originalmente em 1927. São textos bastante modernos, fragmentados, com inovações tipográficas e temas incomuns para a época, como a homossexualidade, o canibalismo e a bruxaria

Nunca sei como escrever sobre livros de contos, então vou comentar brevemente sobre os que mais me agradaram:

Um homem morto a pontapés: No conto que dá título ao livro, o personagem lê uma matéria no jornal sobre um homem morto a pontapés e fica fascinado pelo caso, a ponto de partir em busca de informações por conta própria e tentar reconstituir com detalhes o momento do crime. É meio divertido acompanhar o protagonista em seu método indutivo que leva ao desfecho trágico e violento do homem morto a pontapés.

A dupla e única mulher: Conto sobre uma mulher que nasceu dupla, com dois corpos conectados. Bastante insólita e melancólica, a história mostra a adaptação da personagem ao mundo e o isolamento em que ela vive.

Já a novela "Débora", sinceramente, achei meio chata e bastante esquecível, tanto que estou tendo dificuldade em lembrar dela para escrever aqui. Acho que preciso resenhar os livros logo que acabo de ler em vez de ficar procrastinando.

Concluindo, o livro reúne contos bastante variados, alguns interessantes, outros nem tanto. Terminei de ler alguns deles sem saber muito bem o que achei. Vale a pena para quem tem interesse em conhecer mais sobre a literatura equatoriana e/ou gosta de literatura modernista.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Livro: Hamlet

Título: Hamlet
Autor: William Shakespeare
Editora: Simon & Schuster

Acho que todos conhecem o básico da história de Hamlet: o príncipe da Dinamarca vê o fantasma do pai, que conta que foi morto pelo irmão e pede ao filho que o vingue. Hamlet se sente pressionado a agir, mas hesita. Mesmo ao comprovar a culpa do tio, ele não age e prefere mergulhar em reflexões e se fingir de louco, o que leva a um monte de confusões muito loucas e a um final trágico.

Finalmente ler um clássico tão conhecido foi uma experiência interessante, mas um pouco insatisfatória. Vamos começar pelo maior problema: eu li em inglês. Não sou a mais fluente das leitoras quando se trata de linguagem antiga e não tenho muita paciência para ir atrás de palavras que não conheço ou expressões que não entendi. Ou seja, fiquei sem entender uns trechos e estou nem aí para as belezas da linguagem, para as brincadeiras com as palavras etc. Por outro lado, é razoavelmente tranquilo seguir a história; são as nuances que se perdem.

O outro problema é que, por mais interessante que seja ler as frases famosas (como "ser ou não ser, eis a questão" ou "há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia") no contexto original, achei os solilóquios chatinhos e meio difíceis de entender (o que é consequência dos meus problemas com a linguagem, mas imagino que eu também acharia os solilóquios chatos em português).

O lado bom da leitura é que a história é bastante interessante, às vezes até empolgante, mesmo já se conhecendo o enredo básico e as principais questões abordadas. Inclusive, talvez por já sabermos de algumas das coisas que estão por vir, conseguimos prestar atenção em outros aspectos e analisar melhor o que nos é apresentado. Como disse o Ítalo Calvino, um clássico é um livro que, por mais que pensemos conhecer, se revelam novos quando o lemos. Acho que Hamlet se encaixa bem nesse caso.

Livro lido para o Desafio Literário Skoob (um clássico).

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Randomicidades do mês: outubro/2016

Outubro foi um mês que passou voando. Devido ao início dos Grand Prix de patinação no gelo, ao Terrace House e a eu ter empacado em algumas leituras, não li muita coisa e nem vi muitos filmes como eu pretendia, mas tudo bem. O bom de outubro é que não comprei nenhum livro. Meu dinheiro e minha estante lotada agradecem!

Livros lidos


Love - Stephen King
Nota: 3,25


Por lugares incríveis - Jennifer Niven
Esse YA fez bastante sucesso quando foi lançado e despertou minha curiosidade por abordar assuntos como o suicídio. Não gostei muito dos personagens (principalmente do Finch, que é bem irritante) e isso fez com que eu não gostasse tanto do livro em si. Também preferia que o livro focasse mais na amizade, que era o que eu imaginava no começo, mas o foco é no romance mesmo, e um romance que não me convenceu. Apesar disso, é uma leitura bem fluida e, meio contra a vontade, me emocionei em alguns momentos.
Nota: 3,25


Contos maravilhosos infantis e domésticos - 1812 - 1815 - Jacob e Wilhelm Grimm
Comecei a ler esse livro faz um tempão, mas como eu o pegava para ler muito ocasionalmente, demorei mais de um ano para terminar. A coletânea reúne alguns dos contos de fadas que todos nós conhecemos, como Cinderela e Rapunzel, mas também alguns contos desconhecidos. Destes, alguns apresentam aqueles elementos típicos dos contos tradicionais, como objetos mágicos, três irmãos, princesas etc, e outros têm histórias um tanto bizarras, principalmente os protagonizados por animais ou objetos. Alguns têm uma moral bem óbvia, outros me deixaram bem confusa. Essa edição da finada Cosac Naify é muito bonita, com ilustrações em estilo cordel e páginas coloridas.
Nota: 4


O rosto de um outro - Kobo Abe
Nota: 3


Hamlet - William Shakespeare
Vou resenhar em breve
Nota: 3,25


The Delicate Prey - Paul Bowles
Livrinho que reúne três contos desse autor que eu não conhecia. Dois dos contos se passam no Marrocos, eu imagino, e um em algum lugar da América Latina talvez. São contos bem mais intensos do que eu esperava, alguns bastante violentos, e me deixaram um tanto desconfortável. Apesar de nenhum dos contos ter me conquistado muito (talvez o último, quem sabe), fiquei curiosa para conhecer mais da obra do autor.
Nota: 3,25

Quadrinhos


Sayonara ga Chikai no de
Mangá one-shot sobre o fim da vida de Souji Okita, capitão da primeira divisão do Shinsengumi, que morreu de tuberculose. Okita é retratado como um homem genial com a espada, mas a quem falta motivação para lutar e para viver. Gostei da abordagem pé no chão, que não romantiza a figura histórica.
Nota: 3,75

Comecei a ler: Mushishi, mangá que originou meu anime preferido. Ainda só li o primeiro capítulo. Como são histórias independentes, pretendo ler aos poucos.

Animes e séries


Terrace House: Boys and Girls in the City - 2ª temporada
Temporada final desse reality show japonês que reúne seis pessoas que não se conhecem em uma casa. Apesar da premissa clichê, o programa é incrivelmente viciante. Nessa temporada rolaram altas tretas, o que tornou tudo ainda mais interessante.
Nota: 4,25


Zankyou no Terror
Assisti a esse anime porque ele é dirigido pelo Shinichiro Watanabe, que dirigiu dois dos meus animes preferidos: Cowboy Bebop e Samurai Champloo. A premissa, sobre uma dupla de adolescentes terroristas, não me interessou muito, mas como o anime é bastante elogiado, resolvi dar uma chance. A primeira metade não me conquistou, achei alguns personagens bem descartáveis e os protagonistas sem muito desenvolvimento, mas o final foi tão bem construído visual e musicalmente que isso compensou alguns dos defeitos. Narrativamente, o anime recorre a algumas soluções fáceis para fazer a história andar e gasta tempo demais em coisas que não são muito importantes (cof, cof, Five). No geral, achei ele um tanto confuso, mas como sou conquistada facilmente com cenas bonitas, a impressão final não é ruim.
Nota: 3,25

Comecei a assistir: Yuri!!! on Ice (anime sobre patinação no gelo, é claro que eu ia assistir!)

Filmes


Digimon Adventure tri. 3: Kokuhaku
Terceira parte de Digimon tri., dessa vez focada no Izzy e Tentomon e no TK e Patamon. Apesar dos pesares, esse foi o meu filme preferido por enquanto. Ainda está longe de ser algo ótimo, mas tem drama com o Patamon, então é óbvio que eu ia gostar. O Patamon é o meu ponto fraco.
Nota: 3,5


O silêncio do céu
Dirigido pelo Marco Dutra (Trabalhar cansa, Quando eu era vivo), esse filme se passa no Uruguai e conta a história de um casal. O marido vê a mulher ser estuprada, mas é tomado pelo medo e não consegue agir. A mulher, que não sabe que o marido sabe, finge que nada aconteceu. O silêncio entre eles vai os distanciando enquanto os dois tentam superar o trauma. Gosto de como o diretor consegue construir um clima tenso e sufocante em umas cenas bem banais.
Nota: 3,5


Dente canino
Filme grego estranho e fascinante sobre uma família em que os pais não deixam os filhos saírem de casa até chegarem à maioridade, que é quando os dentes caninos caem (ou seja, nunca). Criados sem contato com o mundo externo, os filhos ficam à mercê dos pais e vivem em um estranho mundo protegido e alienado. Boa parte do filme me deixou perplexa, confusa e desconfortável. Se você gosta de filmes que te deixam assim, recomendo!
Nota: 4

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Livro: O rosto de um outro

Título: O rosto de um outro
Título original: Tanin no Kao
Autor: Kobo Abe
Tradutora: Leiko Gotoda
Editora: Cosac Naify

Após um acidente no laboratório onde trabalha, o protagonista do livro tem o rosto completamente desfigurado e passa a questionar a própria identidade. Sentindo-se à margem da sociedade, ele cria uma máscara para esconder o rosto e viver normalmente, mas a máscara muda sua percepção dos outros e de si mesmo e revela uma nova face.

O livro é escrito na forma de três cadernos com as anotações do personagem sobre sua experiência e algumas cartas no final. Direcionados para a esposa do protagonista, os cadernos contém longos monólogos com questionamentos e reflexões um tanto cansativos e repetitivos, que às vezes se estendem por páginas e páginas. Isso foi algo que me decepcionou, pois julgando pela premissa eu esperava algo um pouco mais empolgante, estranho e assustador. A questão central, sobre a importância do rosto para determinar a identidade, é interessante, e a história tem os momentos tensos e intrigantes que eu esperava, mas o livro se perde um pouco andando em círculos.

Por outro lado, boa parte das coisas que me incomodaram durante a leitura foram comentadas pela esposa do protagonista na carta que ela escreve para o marido no final, o que achei bem curioso e me fez terminar o livro meio aliviada, meio vingada (?).

O livro foi adaptado para o cinema e, vendo as imagens no google, parece bem interessante e sinistro. Fiquei com vontade de ver.

Livro lido para o desafio Volta ao Mundo (Japão).

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Livro: Love

Título: Love - A história de Lisey
Título original: Lisey's Story
Autor: Stephen King
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Objetiva

Demorei para resenhar esse livro aqui porque fiquei (e ainda estou) na dúvida se ele se encaixa no tema do desafio literário: thriller psicológico. Mas refletindo percebi que acho que ele se encaixa, sim, e se não se encaixar... vamos fingir que se encaixa.

Love conta a história de Lisey, que era casada com Scott Landon, famoso escritor americano, um raro exemplar da espécie cultuado tanto pela crítica quanto pelo público. Dois anos depois da morte dele, Lisey ainda tem problemas ao lidar com o luto. Ao se ver obrigada a remexer nas coisas do marido para satisfazer as exigências dos incunks (abutres-acadêmicos que desejam por as mãos nos papéis que Landon deixou para trás), ela é forçada a mergulhar nas lembranças e mistérios do marido.

Esse é o terceiro Stephen King que leio e talvez tenha sido o que menos gostei. Ele não é ruim nem nada do tipo, mas achei um tanto quanto lento e prolixo. Por mais que isso tenha os seus motivos de ser e ajude a construir o clima, desenvolver os personagens e tal, ainda assim eu esperava algo um pouco mais animado vindo de um livro do King. Ele tem seus momentos tensos, tem seus momentos surpreendentes e tem seus momentos envolventes, mas no geral é um livro morno, com pouca ação, o que faz sentido, já que ele se concentra no psicológico dos personagens e faz uma escavação arqueológica na memória da Lisey (preparem-se para flashbacks e flashbacks dentro de flashbacks).

Algumas considerações sobre a linguagem e o estilo: a Lisey e o Scott tinham suas próprias expressões e palavras, que aparecem bastante no livro, como o jeito de chamar a escrivaninha ou o tal do "bool". Sinceramente, essas palavras me irritaram um pouco, assim como a técnica do King de cortar o fluxo da narrativa inserindo parenteses com algum pensamento, que é algo que já vi em outros livros dele. Não é nada que estrague a leitura, mas incomoda um pouco.

Eu realmente gostei da maioria dos personagens centrais e adorei o relacionamento entre Lisey e suas irmãs, principalmente a Amanda. Isso me fez desejar ler um livro inteiro centrado nelas, sem Landon e seu passado mórbido para atrapalhar.

Por outro lado, não achei a história em si tão interessante. O livro trata de assuntos fascinantes, como a criação literária, e tem uma abordagem que achei muito interessante de doenças mentais, então eu esperava um pouco mais. Talvez as expectativas estivessem altas demais. Talvez eu tenha me tornado uma leitora chata demais. Não sei. Ainda assim, acho que vale a pena dar uma chance ao livro, seja você fã do Stephen King ou não.

Livro lido para o Desafio Literário Skoob (thriller psicológico).