quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Desafios e projetos para 2017

Demorei um pouco para decidir os desafios literários de que participarei em 2017, porque ao mesmo tempo que estou meio cansada do formato, não resisto a um bom desafio. No final, escolhi participar do Desafio Livrada! pela segunda vez e fazer uma espécie de TBR Jar e sortear alguns livros da estante para ler durante o ano. Na onda dos sorteios, aproveitei para sortear alguns animes e mangás também. 

Além desses desafios, vou continuar com o Volta ao mundo em 80 livros, que se encaminha para seu quinto ano, e pretendo retomar o Projeto Ghibli, que está parado faz um tempo.

Desafio Livrada!

O Desafio Livrada! consiste em quinze categorias para se ler durante o ano, sem nenhuma ordem específica. A última categoria é um livro escolhido pelo Yuri, criador do desafio.

1. Vencedor do prêmio Jabuti
Acho que o único livro que se encaixa nessa categoria que tenho em casa é o Cinzas do norte do Milton Hatoum, então é ele que escolho.

2. Um livro japonês
Provavelmente lerei O portal do Natsume Soseki, mas se eu mudar de ideia ou ele se encaixar em outra categoria, tenho Botchan, também do Soseki, e Tsugumi (Banana Yoshimoto) me esperando na estante.

3. Um livro que explore o erotismo
Alguém sabe se Confissões de uma máscara do Yukio Mishima se encaixa no tema? No Goodreads quatro pessoas o classificaram como "erotica", mas quatro pessoas não é muita coisa, né.

4. Um roman a clef
Essa categoria me deixou confusa. Vi em uma lista no Goodreads o livro É assim que você a perde do Junot Díaz e, por enquanto, essa é minha escolha, mas não estou pondo muita fé. De segunda opção tenho o Retrato do artista quando jovem do James Joyce.

5. Livro com um protagonista detestável
Pensei em duas opções: Tirza (Arnon Grunberg) ou Oblómov (Ivan Goncharov).

6. Um livro triste
Passando os olhos pelos meus livros, nenhum tem muita cara de "sou triste", então vou deixar essa categoria em aberto, porque com certeza vou encontrar uma leitura triste pela frente em algum momento do ano.

7. Um autor que você conheceu pessoalmente
Aqui considerei autores que eu vi em palestras e não autores que conheço de verdade, porque senão a coisa ficaria limitada demais. Escolhi o Bom dia, camaradas do Ondjaki.

8. Um livro com engajamento político
Ainda estou aqui do Marcelo Rubens Paiva.

9. Um livro que você ganhou de um amigo
Achei que não tinha nenhum, até me dar conta de que A amiga genial (Elena Ferrante) foi um presente da minha irmã. Como ela leu antes de mim, achei que ela tinha comprado para ela (coisas de quem compartilha os livros). Inclusive, essa é a minha leitura do momento. Estou quase acabando (e amando).

10. Um romance psicológico
Mesma coisa da categoria 6.

11. Um livro de antes do Renascimento
Estou a fim de ler algo do teatro grego, mas preciso ver o que tem na biblioteca, então só vou escolher quando chegar lá. Se nada me atrair, vou de O livro do travesseiro da Sei Shonagon.

12. Um livro resenhado pelo Livrada!
Antigamente meu gosto literário combinava muito com o do Yuri, então foi só ver umas resenhas antigas que encontrei o que buscava: Vida, jogo e morte de Lul Mazrek do Ismail Kadaré, autor de quem gosto muito, mas que não leio faz um tempão.

13. Um livro de correspondência
Não consegui pensar em nada muito interessante, então por enquanto vou de As relações perigosas do Choderlos de Laclos. Alguém tem sugestões?

14. Um livro que se passa num lugar que você já foi
Pensei em Barba ensopada de sangue do Daniel Galera, que se passa em Garopaba, cidade que visitei uma vez (e só choveu).

15. Vida e destino - Vassili Grossman
Provavelmente não lerei. Desculpa, parece ser chato. Talvez eu leia o livro obrigatório do ano passado, As aventuras do bom soldado Svejk do Jaroslav Hašek.

Livros sorteados para 2017

O portal - Natsume Soseki
Vida encantada - Diana Wynne Jones
Stories - Neil Gaiman (org.)
O menino que desenhava monstros - Keith Donohue
É assim que você a perde - Junot Díaz
Coisa de louco - John O'Farrell

Por sorte, todos os livros são tranquilos de ler. Admito que estava com medo de sortear todos os calhamaços de uma vez. E deu para encaixar alguns no Desafio Livrada!, o que é sempre bom.

Mangás sorteados para 2017

Koe no Katachi - Yoshitoki Ooima
Onanie Master Kurosawa - Takuma Yokota (arte) e Katsura Ise (história)
Uzumaki - Junji Ito

Como não leio tanto mangá e não tenho muitos na minha lista de leitura, achei que sortear apenas três já está de bom tamanho. Todos os sorteados são mangás que eu queria ler faz tempo, então fiquei contente com o que a aleatoriedade me entregou.

Animes sorteados para 2017

NieA Under 7
Code Geass
Chouyaku Hyakuninisshu: Uta Koi
Paradise Kiss
Fushigi no Umi no Nadia
Hoozuki no Reitetsu

Enquanto minha lista de mangás para ler é bem enxuta, a lista de animes é uma bagunça. Não lembro por que adicionei a metade deles, tanto que quando fiz o sorteio não reconheci três dos seis sorteados, mas dando uma olhada por cima, eles parecem bem legais!

Esses são os meus plano para 2017 em questão de leituras e cia. Veremos o que vou conseguir cumprir!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016: desafios literários

Para fechar as retrospectivas de 2016, vou falar sobre os desafios literários de que participei. 2016 não foi um ano em que eu estava muito empenhada em completar qualquer um dos desafios. Se o tema me agradasse e/ou eu tivesse livros disponíveis que se encaixassem nele, ótimo. Se não, ótimo também. Assim, não completei nenhum dos desafios, mas cheguei bem perto de completar um deles. Meu post escrito no começo de 2016 com as ideias de leituras está aqui.

Desafio Skoob

Foi um ótimo desafio para desencalhar livros da estante. Dos treze livros lidos, a maioria eu já tinha em casa. O desafio me estimulou a finalmente ler alguns livros que eu estava evitando, como Hamlet e O menino que se trancou na geladeira.

Só deixei de ler o livro de abril, porque não gostei do tema e não consegui pensar em nenhuma leitura que me agradasse.

Minhas leituras foram as seguintes:

JANEIRO - Gênero Fantasia
O vitral encantado - Diana Wynne Jones

FEVEREIRO - Autor(a) Asiático(a)
Declínio de um homem - Osamu Dazai
Irmãos - Yu Hua
Terra e cinzas - Atiq Rahimi

MARÇO - Livro escrito por mulher
To the lighthouse - Virginia Woolf

ABRIL - Livro sobre Holocausto

MAIO - Autor(a) Africano(a)
O fio das missangas - Mia Couto

JUNHO - Livro com 3 palavras no título
Vernon God Little - DBC Pierre

JULHO - Livro com Serial Killer
Os crimes ABC - Agatha Christie

AGOSTO - Biografia
A drifiting life - Yoshihiro Tatsumi

SETEMBRO - Autor(a) Brasileiro(a)
O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi

OUTUBRO - Thriller Psicológico
Love - Stephen King

NOVEMBRO - Clássicos da Literatura Estrangeira
Hamlet - William Shakespeare

DEZEMBRO - Nome de Cidade, Região ou País no Título
Budapeste - Chico Buarque

Desafio Livrada!

Nesse desafio, fui encaixando os livros que lia nas categorias, sem me planejar muito. Resultado: não li nada em algumas categorias meio fáceis, mas tudo bem. No final, completei 11 das 15 categorias, o que não é ruim.

1- Um prêmio Nobel

2- Um livro russo
O beijo e outras histórias - Anton Tchekhov

3- Um cânone da literatura ocidental
To the lighthouse - Virginia Woolf

4- Uma novela
A exposição das rosas - István Örkény

5- Um livro que você não sabe por que tem 
História do dinheiro - Alan Pauls

6- Um autor do seu estado
O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi

7- Um livro publicado por uma editora independente
Quando o imperador era divino - Julie Otsuka

8- Uma ficção histórica
The Witch of Blackbird Pond - Elizabeth George Speare

9- Um livro maluco
Eeeee Eee Eeee - Tao Lin

10- Um livro que todo mundo já leu menos você

11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta 
O vitral encantado - Diana Wynne Jones

12- Um livro bobo
Sendo Nikki - Meg Cabot

13- Um romance de formação
Irmãos - Yu Hua

14- Um livro esgotado

15- As aventuras do bom soldado Svejk

Desafio Volta ao mundo

Esse desafio não teve muita adesão. As pessoas começaram animadas, mas foram abandonando aos poucos. De qualquer maneira, ele me incentivou a ler um livro da Indonésia, que eu provavelmente não leria se não fosse por ele, e acabei gostando bastante da minha escolha. Li quase todos os livros "obrigatórios" e ignorei a maioria dos bônus. Infelizmente, fiz uma confusão e não li nada da Austrália porque achei que a China era o país de novembro e a Indonésia, de dezembro, hahaha.

Janeiro: Argentina
História do dinheiro - Alan Pauls

Fevereiro: México
Arrecife - Juan Villoro

[Bônus: Colômbia]

Março: Canadá
As aventuras de Pi - Yann Martel

[Bônus: Islândia]
A raposa sombria - Sjón

Abril: Irlanda
O mar - John Banville

Maio: Finlândia
Os Moomins e o chapéu do mago - Tove Jansson

[Bônus: Alemanha]

Junho: França
As Coisas - Georges Perec

Julho: Nigéria
O mundo se despedaça - Chinua Achebe

[Bônus: África do Sul]

Agosto: Irã

Setembro: Índia
O pintor de letreiros - R. K. Narayan

Outubro: Japão
O rosto de um outro - Kobo Abe

[Bônus: China]

Novembro: Indonésia
Beauty Is a Wound - Eka Kurniawan

Dezembro: Austrália

E esses foram os desafio de que participei em 2016. Ainda estou pensando sobre o que fazer em questão de leituras em 2017 e logo escrevo aqui.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016: cinema & TV

Mais uma retrospectiva do ano que acabou. Não sou tão sistemática com o registro de séries e filmes como sou com livros, então esse post não vai ter um monte de números como o anterior, só a lista de favoritos mesmo (e no caso dos filmes, não tenho muito o que falar sobre cada um. Sou ruim em comentar filmes).

Animes e séries


Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu
Com certeza o melhor anime do ano! Mangás e animes sempre surpreendem ao tratar de alguma arte/esporte que poucos conhecem e que, na teoria, não despertam muito interesse, e transformá-los em algo fascinante. Aqui temos o rakugo, espécie de teatro de uma pessoa só, muito popular durante certa época, mas que perdeu espaço para novas formas de entretenimento. Os protagonistas do anime (pelo menos dessa primeira temporada) são dois jovens aprendizes dessa arte, cada um buscando sua própria voz. Com ótima ambientação de época, trilha sonora e dublagem, além de apresentações de rakugo muito bem-feitas, esse é um anime que merece ser mais visto. Escrevi mais sobre ele aqui.


Six Feet Under
Série sobre a família Fisher, que administra uma casa funerária. Lidar todos os dias com os mortos com certeza não é fácil, e na série acompanhamos os personagens em seu trabalho e em seus (muitos) dramas. Com humor negro, alguns dramas pesados, personagens bastante humanos, diálogos espertos e episódios memoráveis, essa é uma série que parece que caiu um pouco no esquecimento, mas que certamente vale a pena assistir.


Yuri!!! on ICE
O anime que quebrou o Crunchyroll e uniu todas as tribos (menos os homofóbicos). Também é o anime sobre o meu esporte preferido, o que significa que além de acompanhar a história, eu assisti tudo de olho nas referências à patinação. A série está longe da perfeição, mas ela merece muitos dos elogios que andou recebendo por aí: ela apresenta algumas ótimas cenas de patinação, personagens carismáticos, boa trilha sonora, revelações inesperadas, cenas divertidíssimas e um casal que provocou o maior rebuliço internet afora. Falei um montão sobre o anime aqui.


Mahou Shoujo Madoka Magica
Tenho uma longa lista de animes super famosos, influentes e amados que nunca vi. 2016 foi o ano de tirar Madoka da lista. Esse é um anime de garotas mágicas dark que, em vez de se concentrar na fofura, mostra os perigos e sacrifícios de ser uma heroína. É uma série bastante intensa e, mesmo sem eu conseguir me apegar às personagens, sofri um bocado com certos acontecimentos. Ainda não acho que Madoka seja assim tão inovador quanto alguns dizem, mas com certeza é um anime interessante. Escrevi sobre ele aqui.


Terrace House
Reality show japonês que reúne em uma casa pessoas que não se conheciam anteriormente e nós observamos como elas interagem, como se comportam, etc. Basicamente, um Big Brother com menos participantes, sem confinamento, sem eliminações e sem prêmio. Qual é a graça disso? Antes de assistir, eu não estava botando muita fé no programa e nos primeiros episódios não vi muita graça, mas aos poucos você vai se acostumando ao jeito nipônico de ser e se apegando aos participantes (e aos comentaristas, que são hilários!). Para nós brasileiros, também é interessante observar as diferenças entre os costumes japoneses e os nossos.

 

Flying Witch
Anime sobre uma aprendiz de bruxa que vai passar um tempo na casa dos tios em uma cidadezinha do interior. Com personagens carismáticos e belos cenários, o grande trunfo da série é transformar acontecimentos banais, como cuidar de uma horta ou passear no bosque para colher ervas, em algo encantador. Ótimo anime para relaxar. Escrevi mais sobre ele aqui.

Filmes


A garota de fogo
Fui assistir porque o filme tem uma personagem que gosta de anime e sonha em ter o vestido de certa garota mágica, mas acabei me deparando com um filme bem mais pesado e angustiante do que esperava, o que foi ótimo. Uma das melhores surpresas do ano!


Dente canino
Esse filme é estranho. Tem pais que isolam os filhos do mundo externo e educam com métodos bem pouco usuais. Tem umas cenas tensas e outras engraçadas, mas que fazem você se sentir meio mal por estar achando engraçado. 


O quarto de Jack
Boa adaptação do livro, com ótimas atuações dos dois protagonistas. Continuo preferindo o livro, mas isso não tira os méritos do filme. 


Confissões
Filme japonês sobre uma professora que teve sua filha morta por dois de seus alunos e decide se vingar. Gostei bastante do estilo narrativo.

 

Rubber
Às vezes a vida tem dessas: você vai assistir ao filme porque ele parece tosco e zoado, mas ele acaba sendo um dos seus preferidos do ano, melhor que muito filme sério e clássico por aí. Rubber é sobre um pneu que ganha vida e passa a rolar por aí explodindo pessoas. Por que ele faz isso? No reason!


Sita Sings the Blues
Animação que mistura lendas indianas, músicas da cantora Annette Hanshaw e a vida da própria diretora, tudo com um estilo bastante único. 

E vocês? Quais foram seus destaques do ano?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016: leituras

Finalmente o post de retrospectiva de 2016 chegou! Esse foi um ano em que li bastante, mas, assim como 2015, não tive grandes favoritos. Li muitos quadrinhos, continuei lendo livros de países bem variados (mas os EUA continuaram dominando fortemente) e, infelizmente, li bem mais autores homens que mulheres.

Números

117 livros lidos
Entre eles:
11 releituras
26 HQs (sendo 14 delas mangás)
9 livros de contos/novelas
2 peças teatrais
1 livro teórico

34 livros escritos por mulheres e 76 escritos por homens
(sim, a conta não fechou direito)

Li livros de 29 países diferentes, 10 deles válidos para o meu Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros.
Os países mais lidos foram:
EUA: 31 livros
Inglaterra: 23
Japão: 21 (14 deles são mangás)
França: 7
Brasil: 6
Finlândia, Austrália, Irlanda: 2

Melhores leituras

Diga aos lobos que estou em casa - Carol Rifka Brunt
Às vezes acho que já estou saturada de literatura Young Adult. A maioria dos personagens é chata e muitas das histórias são carregadas de clichês. Mas de vez em quando me deparo com um livro como esse e mudo de ideia. Situado na década de 1980, Diga aos lobos é um romance sobre uma forte amizade entre uma menina e seu tio. E também é sobre perda, solidão, relações familiares e segredos. É bonito e doloroso. E sempre me surpreendo ao lembrar que foi o livro de estreia da autora e, por enquanto, único que ela escreveu.


Lucille - Ludovic Debeurme
Quadrinho francês sobre um relacionamento entre uma menina anoréxica e um menino desajustado com uma família de passado trágico. O traço simples e o estilo sem quadros funciona bem para contar essa história melancólica. Infelizmente, esse é o primeiro volume de uma série que ainda não terminou e que provavelmente demorará muito para ser publicada aqui no Brasil.


Umbigo sem fundo - Dash Shaw
2016 realmente foi o ano dos quadrinhos para mim. Enquanto poucos livros me conquistaram para valer, os quadrinhos em geral foram grande surpresas. Essa HQ narra um encontro de família. Os pais, já idosos, anunciam que vão se divorciar e isso provoca reações variadas nos filhos e netos. Enquanto um se entrega incessantemente a memórias do passado, buscando os motivos por trás da decisão dos pais, outra aceita o divórcio com aparente naturalidade, enquanto o caçula, que sempre se sentiu a ovelha negra da família, tenta lidar com sua insegurança.


The Wedding Eve & outras histórias - Hozumi
Mangá que reúne seis histórias curtas e que foi uma das minhas maiores surpresas do ano. A maioria dos contos trata de relacionamentos familiares e muitos deles tem acontecimentos à primeira vista banais, mas que revelam camadas mais profundas à medida em que se lê. Fiquei impressionada com o talento da autora e pretendo ler mais da obra dela no futuro. Resenhei o mangá aqui.


Só para fumantes - Julio Ramón Ribeyro
Li esse livro de contos no começo de 2016 e já não tenho mais tantas lembranças de cada história para poder escrever aqui com propriedade. Só digo que o livro é uma delícia de ler, com histórias bastante variadas, mas sempre com o estilo conciso e elegante do autor. Espero ler outros contos dele no futuro!


Os Moomins e o chapéu do mago - Tove Jansson
Depois de alguns anos conhecendo os Moomins apenas de vista, finalmente me aventurei nos livros das criaturinhas rechonchudas. Nesse, que é o terceiro volume da série, os personagens vivem altas confusões devido a uma chapéu mágico que encontram largado por aí. Adoro a ingenuidade meio sem noção dos personagens e o jeito ranzinza de certo filósofo. Pura fofura! Resenhei o livro aqui.


Enclausurado - Ian McEwan
Já fui bem fã do Ian McEwan, mas acho que desde a decepção com Solar, não lia mais nada dele. Enclausurado chama a atenção pelo seu narrador inusitado: um feto atento a tudo o que acontece ao seu redor, acompanhando de perto sua mãe e o amante dela planejando matar seu pai. O feto não poupa comentários mordazes sobre tudo, o que torna o livro bem divertido.


O muro -  Céline Fraipont e Pierre Bailly
Mais um quadrinho para a lista. O muro narra a história de uma menina solitária no fim dos anos 1980. Sua mãe abandonou a família, o pai está sempre trabalhando fora, e a menina, à beira da adolescência, se sente desorientada e entediada. Apesar de eu ter achado o fim meio abrupto, a arte cheia de sombras e a protagonista desajustada me conquistaram.


O boxeador polaco - Eduardo Halfon
Livro de contos desse autor da Guatemala de quem nunca tinha ouvido falar. Não esperava muita coisa e me surpreendi com as narrativas que se entrelaçam umas com as outras e que podem ser lidas independentemente ou como um romance. Protagonizadas por um personagem chamado Eduardo Halfon, muitas delas tratam de literatura e arte sem ser pedantes. Resenhei o livro aqui.


O museu do silêncio - Yoko Ogawa
Essa foi uma das minhas últimas leituras do ano e conseguiu um lugarzinho aqui na lista. O livro é sobre um estranho museu que reúne objetos de pessoas mortas para preservar suas memórias. Gostei do ar de mistério que permeia a obra e do cenário isolado e não identificado que colabora para provocar certo estranhamento no leitor. Além disso, acompanhar o trabalho do museólogo foi bem mais interessante do que eu imaginava que seria.




Piores leituras

O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi
Esse foi o livro de que menos gostei em muito, muito tempo. Até o avaliei com apenas uma estrela no Skoob! É sobre um menino que vive em uma sociedade muito parecida com a nossa, mas com os podres exagerados (aquelas coisas de sempre: desigualdade social, corrupção etc.). A ideia por trás do romance é até interessante e o livro tem boas sacadas, mas ele é escrito de uma maneira muito irritante e se torna demasiado repetitivo depois de um tempo. Reclamei sobre o livro aqui.


Nove plantas do desejo e a flor de estufa - Margot Berwin
Eu gosto de plantas, então o livro não precisaria de muito para me conquistar, mas ele faz tudo tão errado que até dói. Os personagens são sem graça e/ou estereotipados, há um monte de erros sobre fauna e flora (muitas das tais plantas do desejo que a protagonista vai procurar no México são plantas banais nativas de outros lugares, por exemplo) e o livro tenta criar um misticismo que realmente não é a minha praia. Sei lá, acho que esse é um livro viajado demais para mim.



Esses foram os meus destaques positivos e negativos de 2016. Quais foram os seus?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Randomicidades do mês: dezembro/2016

Últimas randomicidades de 2016!

Livros lidos


Os Moomins e o dilúvio - Tove Jansson
O primeiro livro da série, narra as aventuras de Moomin Mãe e Moomintrol à procura de Moomin Pai. É um livro fofo, mas senti falta dos outros personagens (Muskarato, cadê você?) e não me envolvi muito com a jornada dos protagonistas.
Nota: 3

 

Beauty Is a Wound - Eka Kurniawan
Nota: 4


Budapeste - Chico Buarque
Nota: 4


A Wrinkle In Time - Madeleine L'Engle
Ouvi falar muito desse livro, que nos EUA é um desses clássicos infantis que todos leem e que muitos adoram. Infelizmente, acho que ele não envelheceu bem. Os personagens são irritantes, os conflitos são resolvidos com muita facilidade e o livro pouco explora os diversos cenários que apresenta, mas, como ele é o primeiro de uma série, talvez essas coisas sejam resolvidas nos livros seguintes. Eu não tenho como saber, porque não pretendo ler o resto.
Nota: 2,75


O beijo e outras histórias - Anton Tchekhov
Adoro os contos do Tchekhov, mas os desse livro não me agradaram tanto quanto eu esperava. Essa edição reúne alguns contos mais compridos e novelas, e talvez o meu problema seja que eu prefira os contos mais curtinhos do autor. De qualquer maneira, foi bom me reencontrar com o Tchekhov, que eu não lia faz tempo.
Nota: 3,5


Inferno no colégio interno & O elevador Ersatz - Lemony Snicket
Continuando com as desventuras dos Baudelaire, cheguei no ponto em que os grandes mistérios começam a aparecer e as coisas ficam mais empolgantes. Ri muito de algumas coisas sem noção do "Inferno...", principalmente da Sunny. "O elevador..." era o meu livro preferido da série. Na releitura já não tenho tanta certeza. Acho que ele deixou de ser tão in.
Nota: 4 para os dois livros


O museu do silêncio - Yoko Ogawa
Ótimo livro sobre um museólogo que aceita criar um estranho museu que, em vez de obras de arte ou relíquias históricas, reúne objetos dos habitantes locais que morreram. Gostei bastante do clima meio misterioso e de todos os detalhes sobre os objetos e a criação do museu. Quero mais Yoko Ogawa na minha vida!
Nota: 4,25

Quadrinhos


Gen, pés descalços - vols. 9 e 10 - Keiji Nakazawa
Terminei essa série de mangá sobre Hiroshima durante a Segunda Guerra. Durante os dez volumes, acompanhamos Gen, sua família e amigos, vivendo em meio ao caos provocado pela bomba. O primeiro volume do mangá é excelente, mas senti que a história foi decaindo com o tempo, para retomar um pouco do fôlego no final. Chega um ponto em que as tragédias se tornam repetitivas, o discurso pacifista fica um pouco cansativo e as trapalhadas de Gen e cia. ficam exageradas, mas ainda assim, essa é uma boa série e uma leitura muito importante.
Nota: 4 para os dois volumes

Comecei a ler: Cardcaptor Sakura: Clear Card-hen (CLAMP revivendo uma de suas séries mais queridas e eu revivendo a nostalgia).

Animes


Yuri!!! on ICE
Nota: 4


Tonari no Seki-kun
Anime curtinho sobre um menino que inventa as atividades mais mirabolantes durante a aula e sua colega de classe que tenta manter o foco no professor, mas quando percebe, acaba entretida pelas invenções de Seki-kun. É divertido ver qual é a brincadeira da vez, de shogi a uma família de robozinhos, passando por dominó e a criação de um breve filminho animado.
Nota: 3,75


Those Who Hunt Elves
Anime que eu assisti na época da Locomotion (saudades!) e decidi rever pela nostalgia. Ele é sobre um trio que foi parar em outro mundo devido a um feitiço mal feito e precisa recuperar os fragmentos do feitiço que se espalharam por aí e se fixaram na pele de elfas. Para isso, claro, eles precisam procurar as elfas e tirar a roupa delas. Premissa besta, mas o anime até que é divertidinho. Os personagens são legais, alguns episódios são hilários e, para um anime com essa sinopse, até que ele não é tão apelativo, muitas vezes nem mostram as elfas nuas, só as roupas voando. Ainda assim, só recomendo se você gosta de animes meio nonsense e despretensiosos.
Nota: 3

Comecei a assistir: Kuuchu Buranko, Gakuen Handsome

Filmes


Nekojiro-sou
Esse é um filme curto, de cerca de meia hora, sobre um gato que parte em uma jornada em busca da alma de sua irmã. É psicodélico, estranho e bem bonito.
Nota: 3,75


Chuumon no Ooi Ryouriten
Curta baseado em um conto do Kenji Miyazawa sobre dois caçadores que se perdem no meio da mata e vão parar em um estranho restaurante. O estilo meio rabiscado que parece feito a lápis e pastel e as cores escuras me agradaram muito. A história poderia ser mais assustadora. Há pelo menos mais duas animações baseadas nesse conto, essa que eu vi é a de 1991.


O rapaz e o monstro
Filme mais recente do Mamoru Hosoda (A menina que conquistou o tempo, Summer Wars, Crianças lobo). O filme começa promissor, mostrando um monstro que adota um garoto humano como discípulo. Irrascível e nada disciplinado, o monstro começa a melhorar seu comportamento com a convivência com o menino e ganha o respeito da comunidade. Porém, o que me desagradou no filme foi a parte final, com um conflito surgido do nada, que fez o filme parecer meio desconjuntado.
Nota: 3,5

Aquisições


Os dois de cima foram as minhas compras na Black Friday. Eu queria faz tempo "A vegetariana", que foi bastante comentado na blogosfera gringa, e aproveitei e levei esse livro do Herman Koch que estava baratinho. Os outros dois foram presente de Natal que eu e minha irmã ganhamos da minha tia. 

Foi isso! Em breve escreverei os post de retrospectiva do ano e meus planos para 2017. ;)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Livro: Budapeste

Título: Budapeste
Autor: Chico Buarque
Editora: Companhia das Letras

Budapeste era um livro que eu queria ler faz tempo, graças a algumas resenhas negativas que li na internet na época em que comecei a participar de desafios literários. Não lembro o que exatamente as resenhas diziam, mas nada como umas boas críticas para despertar a vontade de ler um livro! Além disso, o livro se passa em Budapeste, cidade que desejo conhecer um dia, e fala sobre a língua húngara, que estou aprendendo, então é uma leitura que eu faria mais cedo ou mais tarde.

O livro é sobre José Costa, um ghost writer muito talentoso. Apesar de satisfeito com o anonimato da profissão, ele tem suas crises, e numa dessas, decide ir para Budapeste, largando a mulher e o filho no Rio. Na cidade húngara, ele se apaixona por uma mulher, além de se apaixonar pela língua húngara.

Comecei a ler o livro achando que não ia gostar muito, mas a escrita do Chico é deliciosa demais para eu não gostar. Além disso, o livro faz um jogo de espelhamento interessante com os livros, as cidades onde a história se passa, as línguas e as mulheres do protagonista. E para mim, especialmente, foi interessante observar o aprendizado de José Costa da língua húngara.

Terminei a leitura me perguntando que defeitos as pessoas das resenhas que citei antes viram no livro, mas não foi muito preciso refletir muito para chegar numa possível resposta: o protagonista é chato, daquele tipo que faz um monte de besteiras e não aceita a responsabilidade, e o enredo em si não tem nada de espetacular. Ou seja, o livro pode ser bem chatinho dependendo do que você valoriza na sua leitura.

Livro lido para o Desafio Skoob (nome de cidade, região ou país no título).

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Anime: Yuri!!! on ICE


Título: Yuri!!! on ICE (ユーリ!!! on ICE)
Diretora: Sayo Yamamoto
Estúdio: MAPPA
Ano: 2016
Nº de episódios: 12

Fiquei muito animada assim que Yuri!!! on Ice foi anunciado. Como boa fã de patinação no gelo, não pude deixar de desejar que a série fizesse jus ao esporte e apresentasse toda a beleza, os dramas e as dificuldades da patinação. Porém, como fã de anime, já fui baixando as expectativas, porque sei muito bem que tem muito anime lixo por aí. À medida que a estreia se aproximava e mais informações foram divulgadas, foi difícil não entrar no hype: a diretora tinha um currículo de respeito (descobri inclusive que ela dirigiu o meu episódio preferido de Samurai Champloo!), o Kenji Miyamoto, coreógrafo muito conhecido no Japão, ficou responsável por criar os programas dos personagens e, mais importante, o PV mostrava animação de qualidade e ótima música.

Yuri!!! on Ice é focado no patinador japonês Yuri Katsuki. Após finalmente se classificar para o Grand Prix Final, ele sofre uma enorme derrota e termina a competição em último lugar. Desestabilizado, ele retorna para sua cidade natal para pensar no futuro. Aos 23 anos, ele já não é mais tão jovem para o esporte e talvez estivesse na hora de começar a pensar na aposentadoria. No entanto, quando um vídeo dele patinando um programa do multicampeão russo Victor Nikiforov cai na internet e se torna viral, tudo muda. O próprio Victor se impressiona com a apresentação e aparece de repente na cidade de Yuri, se oferecendo para ser seu técnico. Yuri aceita e os dois iniciam sua jornada rumo ao próximo Grand Prix Final.

Agora que o anime terminou, fica a pergunta: ele correspondeu às expectativas? Eu diria que sim, ele até as superou em alguns aspectos. Por outro lado, fiquei decepcionada com algumas coisas. Vai ser difícil escrever sobre todos os pontos que eu gostaria de falar e já peço perdão de antemão pelo texto longo e confuso, mas vamos lá.

Yuri

Começando pelos protagonistas, que são bastante interessantes e têm um bom desenvolvimento durante a série. Nos primeiros episódios, Yuri é um jovem inseguro, que perde as competições não por falta de talento e sim porque não é capaz de aguentar a pressão. Com Victor ao seu lado, Yuri aos poucos vai se tornando mais confiante, e o anime constrói isso de forma natural. Já Victor exala confiança e venceu tudo o que tinha para vencer na patinação, mas encontra desafios em seu novo papel como técnico.

Os dois desenvolvem um relacionamento amoroso que chacoalhou a internet, gerando muitas reações, polêmicas e cenas analisadas à exaustão pelas fãs. Como muitos animes com relacionamentos homoafetivos, YOI deixa tudo subentendido, embora seja muito difícil dizer que não há nenhum romance entre os dois. Os gestos de carinho, a proximidade entre eles, tudo indica que eles estão namorando, mas a série sempre deixa algo no ar, e isso é um pouco frustrante. Por outro lado, são poucos os animes com protagonistas LGBT+ fora do nicho yaoi/yuri, então ponto para Yuri!!! on ice.

Admito que no começo não gostava muito do relacionamento dos dois, porque o Victor era aquele tipo de personagem impositivo que ficava invadindo a área pessoal do Yuri com gestos e palavras ousados e deixava o pobre menino constrangido. (Talvez também não tenha gostado porque relacionamentos entre técnicos e pupilos sempre me fazem pensar no Nikolai Morozov, técnico russo que namorou muitas de suas alunas jovenzinhas, hahaha). Porém, com o passar do tempo, o Yuri vai se tornando mais confiante não só na patinação, mas no relacionamento com o Victor, e achei isso lindo.

O amor é lindo

O anime apresenta um bom número de personagens secundários carismáticos e divertidos, mas que tiveram pouco tempo de tela para ter um desenvolvimento decente. A decisão de apresentar os rivais de Yuri por meio das performances deles no gelo foi interessante, porque isso mostra o estilo de cada um, a motivação para patinar, os pontos fortes e as dificuldades. Por outro lado, isso ocupa tempo demais em um anime de apenas 12 episódios, tempo que poderia ser dedicado a desenvolver melhor os dramas dos protagonistas, porque um dos grandes problemas de YOI na minha opinião é que foi tudo muito corrido. Sim, esse é um anime de esporte e, portanto, tem que apresentar os rivais e mostrar suas apresentações, mas se não temos tempo suficiente para nos importarmos com eles, por que vamos querer assistir a dezenas de apresentações?

E aí você diz, "Mas Lígia, você gosta de patinação e assiste um monte de competições com um monte de patinador que você não conhece direito ou não gosta muito, não é a mesma coisa?". E eu respondo que não, porque a patinação em YOI deixou um pouco a desejar. As coreografias são boas, as músicas são um tanto inusitadas (falo disso mais tarde), os figurinos são bastante fieis aos figurinos da patinação real (para o bem ou para o mal), mas mesmo quando a animação estava decente ela ainda não conseguiu captar plenamente a força da patinação no gelo real. Falta peso aos patinadores animados, falta mostrar melhor o contato com o gelo. E claro, muitas vezes a animação estava longe de ser boa, deixando os personagens estranhamente deformados. Também há a questão de que as competições aqui não têm como ser imprevisíveis como as reais, porque são reféns da narrativa, então sabemos que quando um patinador for muito mal no programa curto, ele terá alguma redenção no futuro, que não precisamos nos preocupar muito com o protagonista porque no final ele vai conseguir dominar os nervos e fazer uma apresentação digna. E uma das coisas que mais gosto na patinação é a imprevisibilidade (talvez por isso eu goste mais da categoria masculina, cheia de tombos).

Prontos para a batalha!

Sobre a parte técnica, não tenho muito a dizer além de que a animação sofreu um pouco nos episódios do meio e que fiquei muito surpresa ao ver que quase todos os programas dos personagens usavam músicas originais em vez das músicas batidas de sempre. Fui assistir imaginando mais uma Carmen, mais um Lago dos Cisnes, mais um Turandot, mas encontrei uma boa variedade de músicas novas, algumas mais para o clássico, outras mais para o pop, algumas meio latinas, outras meio musical da Broadway. Parabéns para os envolvidos.

Como comentei antes, o enredo do anime foi um tanto corrido e sofreu bastante para caber em apenas 12 episódios. Assim, certos acontecimentos que deveriam ter grande peso na história não tiveram o tempo devido para impactar o espectador como deveriam, alguns problemas tiveram soluções um pouco forçadas e muitos personagens menores foram jogados para escanteio. Como possivelmente teremos uma segunda temporada, espero que eles explorem melhor o que ficou faltando nesses primeiros episódios.

Apesar das críticas que fiz acima, YOI é incrivelmente divertido, e isso é algo que eu não esperava. Pelo PV eu imaginava que a série seria puro drama, mas o primeiro episódio me pegou de surpresa. Ela tem um clima levinho e gostoso de acompanhar que sempre me fazia terminar o episódio com um sorriso no rosto. Acompanhar YOI também foi uma experiência divertida porque convenci minha irmã a assistir, então tinha alguém com quem conversar. E claro, acompanhar os comentários sobre a série na internet também foi uma experiência e tanto. Nunca imaginaria que um anime sobre patinação seria um dos mais populares do ano e provocaria tanta comoção!

***

Victor

E agora vou mudar um pouco de enfoque para falar sobre Yuri!!! on Ice e a patinação real, com algumas reclamações que ninguém quer ler e um monte de links.

Diferente de boa parte dos animes de esporte, YOI segue uma linha bastante realista. Não há superpoderes, técnicas incríveis surgidas do nada etc. Todos os programas mostrados seguem as regras atuais da patinação, aparentemente com o mesmo sistema de pontuação, as competições de que os personagens participam existem mesmo e as regras para classificação são as mesmas. Como fã de patinação, fiquei muito feliz em ver esse universo transposto fielmente para as telas.

No entanto, tenho que apontar algumas incongruências. A primeira é que no universo do anime o Grand Prix Final parece ser a competição mais importante do mundo. Na vida real, o GPF é importante, sim, mas não tão importante quanto o Mundial e as Olimpíadas (e talvez o campeonato Europeu e o 4 Continentes?). Então é um pouco engraçado ver o Yuri falando do GPF como sua grande meta como se tudo acabasse ali. A explicação para a importância dada ao GPF provavelmente é que tanto o anime quanto a competição são transmitidos pelo mesmo canal, então focar nela é uma forma de puxar sardinha para o canal. É interessante notar que o anime começou a ser transmitido quando a temporada de patinação se iniciava e terminou apenas uma semana depois do GPF real. Para quem acompanhou os dois foi uma experiência curiosa. (Outra incongruência: os patinadores de YOI são muito mais consistentes que os da vida real, hahaha. Cadê os vários tombos e "pops"? Cadê os zayak?).

JJ Style!

A segunda incongruência é algo que me incomodou bastante: a inconsistência das pontuações. No começo eu estava achando tudo bastante realista, as pontuações condiziam com o que tinha sido apresentado. Até chegar a Copa da China e o Pichit superar os vinte pontos de desvantagem que teve no programa curto e vencer a competição, sendo que o Yuri não cometeu erros tão terríveis assim e, pelos saltos mostrados, tinha um programa mais difícil. Mas ok, não vimos as apresentações completas, deve haver alguma justificativa. Aí chega o programa curto do GPF e tanto o Yurio e o JJ ganham pontuações acima do que seria possível dado os saltos apresentados. Não dá para levar a sério! u__u

O que me deixou irritada nesse caso das pontuações é que dá para ver que há muito trabalho e pesquisa por trás de YOI. As criadoras aparentemente são fãs de patinação, então custava fazer alguns cálculos e não exagerar tanto nas pontuações?

Mas agora que já desabafei, vamos falar das coisas boas. Adorei caçar as referências do anime a patinadores, técnicos, lugares e objetos reais. Da caixa de lenços em forma de poodle ao patinador cazaque com seu ursinho, da breve aparição de um sósia do Plushenko na plateia a um Yuzuru na capa de uma revista, do site da federação japonesa às arenas de patinação. O que me fez pausar o episódio e rir de empolgação foi a breve aparição dos seis finalistas do GPF de 2015 durante a explicação sobre os Grand Prix feita pelas trigêmeas (melhores personagens!). Além disso, em cenas breves o anime mostra a dura vida de um fã de patinação, virando as noites para acompanhar as competições do outro lado do mundo, sofrendo com streams russos precários. 

Victor em estilo Johnny Weir

Não fui só eu que gostei de caçar as referências, porque muitos patinadores de verdade se viram em alguns dos personagens e comentaram isso em suas redes sociais, sem contar com os que se apaixonaram completamente pela série, como a Evgenia Medvedeva e o Johnny Weir. É muito mágico quando os atletas que você gosta estão assistindo a mesma coisa que você!

Por outro lado, me irritou um pouco a tão repetida ideia espalhada por aí de que o Yuri foi inspirado no Yuzuru Hanyu, sendo que a única coisa que vejo em comum neles é a admiração por um patinador russo. A carreira do Yuri provavelmente foi baseada na carreira do Tatsuki Machida, e as semelhanças são demais para negar. A personalidade do Yuri e seu estilo de patinar devem ter sido inspirados por diversos patinadores, além de ter muito de criação própria. O mundo da patinação já é yuzucêntrico demais, então parem de colocar mais Yuzuru onde não devem! u__u

E agora é o momento de encerrar esse texto que ficou muito mais gigantesco do que eu esperava sendo que nem falei sobre algumas coisas que queria falar (não deu para abordar as questões de gênero no anime, por exemplo, mas isso foi bem tratado aqui, então leiam. Também falei menos das influências dos patinadores reais no Yuri, mas acho que ninguém quer ler sobre isso. E esqueci de falar que queria ver mais patinadores japoneses no anime, porque uma coisa que eu amo na patinação é o companheirismo entre a equipe japonesa!). Por mais que tenha falado meio mal e não ache que a obra mereça todos os elogios que vejo por aí, eu gostei bastante do anime e estou bem ansiosa para uma possível segunda temporada. Espero que você, leitor, tenha conseguido chegar ao fim do post sem se aborrecer demais, assim como espero que todos os fãs de YOI comecem magicamente a gostar de patinação para que tenhamos uma multidão para sofrer e reclamar das pontuações e dos patinadores de quem não gostamos.

Treinando para a ice dance!