domingo, 8 de abril de 2018

Randomicidades do mês: março/2018

Procrastinei demais para escrever este post, mas ele finalmente ficou pronto! Foi um mês sem nenhum grande destaque, mas li e vi algumas coisas interessantes.

Livros


Stoner – John Williams
Esse livro foi bastante comentado e elogiado ao ser lançado por aqui. Publicado em 1965, esquecido por anos e redescoberto ao ser reeditado, o livro narra a vida de William Stoner, filho de agricultores que descobriu a paixão pela literatura. Sua vida é bastante comum, com suas pequenas alegrias e decepções, mas isso não torna a leitura menos fascinante.
Nota: 4,25


Cortejo em abril – Zulmira Ribeiro Tavares
Reúne um conto mais longo, que dá título ao livro, e vários contos curtinhos. Gostei bastante de “Cortejo em abril” sobre a rotina de um “conserta-tudo” no dia do cortejo fúnebre de Tancredo Neves. Quanto aos outros contos, achei meio esquecíveis.
Nota: 3


A pista de gelo – Roberto Bolaño
O livro alterna o ponto de vista de três personagens: o vigia de um camping, o proprietário do camping e de outros comércios e um funcionário da prefeitura. A história dos três se cruza em uma pista de gelo clandestina em um antigo casarão. Decidi ler esse livro apenas porque uma das personagens é patinadora, mas acabei gostando bastante. Há um certo mistério que torna a leitura envolvente.
Nota: 3,75


A festa de Babette - Karen Blixen
Novela sobre uma senhora francesa, Babette, que se exilou na Noruega e trabalha como criada na casa de duas irmãs puritanas. Ao ganhar na loteria, Babette oferece às irmãs e seus convidados um grande jantar. Gosto do estilo da autora, mas achei a história meio sem graça.
Nota: 3


Kitchen – Banana Yoshimoto
Após a morte da avó, uma jovem vai morar com um rapaz e sua mãe. Apesar de mal os conhecer, ela é conquistada pela bondade e hospitalidade da dupla e logo os três se tornam uma família improvisada e improvável. Achei bonita a relação entre os personagens, mas a história não é lá muito marcante. O livro também inclui o conto “Moonlight Shadow”, também sobre a morte.
Nota: 3


Operação impensável – Vanessa Barbara
A autora conta sobre o relacionamento de um casal traçando paralelos com a Guerra Fria, objeto de estudo da protagonista e tema do jogo de tabuleiro preferido dos personagens. De maneira bem-humorada, através de e-mails e comentários sobre os filmes que eles assistem, vamos conhecendo o casal e acompanhando o relacionamento que começa a se desgastar aos poucos. O excesso de referências e piadas internas entre o casal me irritou um pouquinho no começo, mas isso é o que distingue o livro de vários outros sobre fins de relacionamento.
Nota: 3,5


Secondhand World – Katherine Min
Isadora Myung Hee Sohn é filha de imigrantes coreanos. Sufocada pelo ambiente familiar rígido e sentindo-se preterida pelos pais, que valorizam mais o filho morto do que a filha, Isa se rebela e tenta fugir da sombra dos pais. Gostei do livro e achei os personagens interessantes. O final me surpreendeu (mesmo sabendo o que ia acontecer, porque o livro fala do incêndio logo nas primeiras páginas) e me deixou com vontade de saber mais sobre os pais da protagonista.
Nota: 3,5

Quadrinhos


My Lesbian Experience with Loneliness – Nagata Kabi
Nesse mangá autobiográfico acompanhamos os problemas da autora com distúrbios mentais e a dificuldade de se conectar com as pessoas. Após crises de depressão e ansiedade, ela decide perder a virgindade com uma prostituta, na esperança de viver uma experiência “adulta”. O relato é bastante honesto e é fácil se identificar com as dificuldades da autora. A arte é fofinha e o texto tem certa leveza que tira o peso dos temas abordados.
Nota: 3,75

Animes e séries


The End of The F***ing World
Série de humor negro sobre dois adolescentes desajustados que fogem de casa juntos. Alyssa é uma jovem rebelde negligenciada pela mãe; James é um garoto que acredita ser psicopata e vê em Alyssa uma possível vítima. Os dois deixam sua cidadezinha para trás e, claro, acabam se metendo em problemas durante a viagem. A série não é nenhuma maravilha, mas achei bem divertida.
Nota: 3,5


Hataraku Maou-sama
Anime sobre um demônio que, ao perder uma batalha em seu reino, vem se refugiar na Terra, onde se torna atendente de um fast-food. Antes de começar a ver, achei que o anime trataria mais da adaptação de um demônio maligno a uma vida moderna e comum, mas o personagem é bastante bonzinho e se adapta rapidamente. A maior parte do anime se concentra na tensão entre o demônio e seus inimigos que desejam eliminá-lo. Apesar disso, achei o anime bem divertido, mesmo sendo bobo e tendo mais ação do que eu esperava, e acabei gostando dos personagens.
Nota: 3,5


Fargo (1ª temporada)
Série levemente baseada no filme homônimo dos irmãos Cohen. Tem alguns paralelos, o mesmo estilo e faz referência ao filme de vez em quando, mas não é preciso assisti-lo para entender a série, que se inicia com um sujeito comum que se vê envolvido em um crime e tenta se safar, provocando problemas em sua cidadezinha. Demorei um tempão para começar a ver a série porque os episódios são muito longos, mas quando assisti, mal via o tempo passar.
Nota: 4,5

Filmes


Kubo e as cordas mágicas
Perseguido pelas tias e pelo avô, Kubo parte em uma jornada atrás de armas lendárias tendo apenas um shamisen mágico e uma macaca como ajudante. Visualmente, o filme é incrível; já a história, achei meio fraquinha e clichê.
Nota: 3


Projeto Florida
Filme sobre uma menina que mora em um hotel de beira de estrada. Enquanto a garota faz amizades e apronta por aí, atazanando os moradores e o gerente do local, a mãe tem dificuldade em arranjar dinheiro para sobreviver. Gostei do filme, mas esperava mais. As crianças me irritaram um pouco, elas são barulhentas e bagunceiras demais.
Nota: 3,25


Piano no Mori
Shuhei é um pianista talentoso, que pratica desde pequeno. Ao ouvir falar sobre um misterioso piano na floresta, ele conhece Kai, o único que consegue tocar o tal piano. Enquanto Shuhei toca com técnica e disciplina, Kai é espontâneo e se deixa levar pela música. Apesar dos estilos opostos, os dois se tornam grandes amigos. Esse é um filme fofinho e gostosinho de assistir. O enredo não é dos mais criativos, mas o desenvolvimento dos personagens é interessante. Uma versão para a TV será lançada em breve, estou curiosa para ver.
Nota: 3,75


Ex Machina
Filme sobre um programador, Caleb, que ganha a oportunidade de testar uma inteligência artificial criado por um empresário. Ao conhecer a androide Ava, Caleb se surpreende com sua complexidade e começa a se afeiçoar a ela. Achei bem interessante.
Nota: 3,5


O homem que sabia demais (1956)
Filme do Hitchcock sobre um casal e seu filho que se envolvem em uma trama de espionagem ao encontrarem um sujeito misterioso no Marrocos. A trama é meio mirabolante e no final fiquei com algumas perguntas não respondidas, mas pelo menos ele prendeu a minha atenção.
Nota: 3,25

Curtas


Piper
Curta da Pixar sobre um filhote de ave que enfrenta o medo das ondas do mar. Adoro esnobar a Pixar, mas nesse caso não vai dar, achei o filme fofíssimo.
Nota: 4


But Milk Is Important
Curta sobre um homem que tem dificuldade de interagir com os outros, evitando os vizinhos bem-intencionados. Um dia, um monstrinho branco aparece em sua casa. O homem tenta evitá-lo a todo custo, mas a criatura o segue por toda a parte, empurrando-o para enfrentar seus medos. O visual do filme é uma graça (principalmente o monstrinho), a história é fofa.
Nota: 3

Compras


Aproveitei a promoção do dia das mulheres na Saraiva para comprar alguns livrinhos. O da Shirley Jackson atrasou e só chegou em abril, mas se eu deixá-lo para um próximo post, vou acabar esquecendo. :P

segunda-feira, 12 de março de 2018

Randomicidades do mês: fevereiro/2018

Enrolei e enrolei, mas finalmente consegui escrever o post de Randomicidades do mês!

Livros


O último homem na torre – Aravind Adiga
Gosto muito do Aravind Adiga, mas achei esse o livro mais fraco dele. A premissa é interessante: um construtor quer comprar um prédio antigo e oferece um monte de dinheiro aos moradores, que, em sua maioria, aceitam a oferta. Quem resiste é um professor aposentado que não quer abandonar o lar e se dobrar ao dinheiro. O construtor começa a botar pressão nele e os moradores, antes tão unidos, passam a ver o amigo com maus olhos. O livro funcionaria melhor se fosse um pouco mais conciso e menos exagerado. Ainda assim, não é um livro ruim.
Nota: 3,25


Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo – Benjamin Alire Sáenz
YA sobre o relacionamento entre dois garotos. Ari é um garoto solitário, com um irmão na cadeia e um pai silencioso. Dante é mais confiante, articulado e afetuoso. Aos poucos eles vão se conhecendo a se aproximando. É um livro simples e gostosinho de ler.
Nota: 3,5


Mudança – Mo Yan
O livro narra algumas experiências do autor e as mudanças culturais e econômicas que aconteceram na China nesse período. É um livro curtinho e agradável de ler, mas nada muito marcante. Alguns dos acontecimentos narrados são divertidos.
Nota: 3,25


Sangue no olho – Lina Meruane
A protagonista do livro, Lucina, sofre de uma enfermidade que a deixa quase cega. A cegueira muda tudo ao seu redor, das pequenas coisas cotidianas aos relacionamentos com o namorado e com a família. A premissa do livro é interessante, mas achei o desenrolar da história meio arrastado.
Nota: 3


The female of the species – Mindy McGinnis
Alex Craft é uma garota estranha e isolada. Sua irmã foi assassinada alguns anos atrás e o assassino não foi punido, o que levou Alex a fazer justiça com as próprias mãos. Ela sente a violência dentro de si, e por isso tenta se manter afastada dos outros, até que se torna amiga de uma voluntária do abrigo de animais local e se aproxima do garoto popular da escola. O livro toca em questões importantes, mas o desenvolvimento no final deixou a desejar. Não gostei muito do relacionamento da protagonista com o garoto interessado nela e fiquei torcendo o tempo todo para que algo desse muito errado entre eles.
Nota: 3,25


A personagem de ficção – Antonio Candido e outros
O livro reúne ensaios sobre a personagem na literatura, no cinema e no teatro. Comprei para a faculdade, só li anos depois. Não é chato, os textos são tranquilos de ler, mas são bem introdutórios.
Nota: 3,25

Quadrinhos


O homem que passeia – Jiro Taniguchi
Esse mangá reúne várias histórias sobre o ato de passear. O protagonista explora ruelas desconhecidas, observa as pessoas, leva o cachorro para passear, reflete sobre a vida etc. São histórias bonitas e simples, às vezes meio sem graça.
Nota: 3,25


Rosalie Lightning – Tom Hart
Quadrinho memorial sobre a morte prematura de Rosalie, filha do autor. É um livro bonito e triste sobre a perda e o luto. Mesmo assim, eu esperava um pouco mais e achei algumas partes desinteressantes.
Nota: 4

Animes e séries


Hoozuki no Reitetsu – 2ª temporada
Comentei sobre a primeira temporada nas Randomicidades de setembro. Essa segunda temporada, mesmo produzida anos depois, por outro estúdio, mantém a qualidade visual. As histórias e o humor continuam meio irregulares, mas como eu estava mais apegada aos personagens, acho que gostei um pouquinho mais.
Nota: 3,5


Ping Pong The Animation
Meu primeiro contato com o Masaaki Yuasa como diretor e já posso dizer que adoro o estilo dele. Talvez a história de Ping Pong não tenha sido tão empolgante para manter o meu interesse no ápice durante todos os episódios, mas adorei o desenvolvimento dos personagens, a estética, a trilha sonora e o jeitão estilizado das partidas.
Nota: 4


Otogizoushi
Anime meio estranho dividido em duas partes: na primeira, estamos na era Heian em Quioto e acompanhamos uma jovem em busca de artefatos mágicos que reestabelecerão a paz da capital; na segunda, estamos nos tempos modernos, acompanhando as versões modernas dos personagens investigando acontecimentos misteriosos em Tóquio. Fui assistir atraída pela parte histórica, que achei bem satisfatória. A segunda parte, no entanto, apesar de alguns bons momentos, não casou tão bem com o começo do anime.
Nota: 3


The Good Place
Nessa série, uma mulher morre e vai parar no Good Place, uma espécie de paraíso para quem foi bom em vida. Porém, ela logo percebe que selecionaram a pessoa errada e passa a fazer o possível para se adaptar ao novo ambiente e ao que se espera dela. Achei bem divertida e devorei a primeira temporada em pouquíssimo tempo. Da segunda não gostei tanto assim, mas ainda é bem legalzinha.
Nota: 3,75

Filmes


Me chame pelo seu nome
Tentei ver alguns filmes do Oscar antes da premiação, mas, como sempre, não deu muito certo. Meu maior hype para esse filme era que o Sufjan Stevens compôs músicas para ele e, no final, o que mais valeu a pena foi a música “Mystery of Love” e, posteriormente, a tarde agradável que passei redescobrindo as músicas do Sufjan. O filme é esteticamente agradável e tem momentos bonitos, mas o relacionamento entre os protagonistas não me agradou muito e a diferença de idade me incomodou um pouquinho, talvez.
Nota: 3,25


Cães de aluguel
Filme do Tarantino sobre um grupo de seis ladrões após um roubo mal-sucedido, que gera a suspeita de que alguém do bando os traiu. Gostei do modo não-linear em que o filme se desenvolve e achei o final muito satisfatório.
Nota: 3,75


Personal Shopper
Filme com a Kristen Stewart em que ela trabalha como personal shopper em Paris, cidade em que seu irmão gêmeo morreu. Lá, ela, que é médium, aguarda algum sinal do irmão, até que passa a receber mensagens misteriosas. Não esperava muito do filme e até que achei interessante.
Nota: 3,25

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Patinação: destaques das Olimpíadas


Depois de uma temporada bastante sofrida e expectativas um tanto baixas, a Olimpíada de PyeongChang foi bastante boa e divertida. Tivemos excelentes apresentações, momentos marcantes e emocionantes, poucas polêmicas (ou, pelo menos, menos do que em Sochi) e algumas decepções, porque é impossível não ficar decepcionado de vez em quando.

Evento de times


O evento começou mal com o programa curto masculino que foi um desastre ainda pior do que o esperado. Parabéns para o Shoma, o Bychenko, o Junhwan e o Matteo, que patinaram decentemente. Me sinto meio mal pelo Kolyada, que meio que matou as chances de ouro da Rússia com sua oitava posição.

Felizmente, os eventos seguintes foram bem melhores e nos fizeram esquecer dos homens. Destaque para Marchei/Hotarek, que fizeram um programa livre empolgante e limpo (feito que repetiram na competição individual) e para a Mirai, que finalmente acertou o triple axel no maior palco de todos! E ainda acertou todo o resto do programa e ficou em segundo no programa livre! Não gosto tanto da patinação dela, mas ela é uma das minhas favoritas sentimentais (assim como de meio mundo), e esse foi um dos momentos mais emocionantes das Olimpíadas para mim. O evento de times também me fez apreciar mais algumas danças livres, como as de Virtue/Moir e dos Shibutani, que até então estavam na zona indefinida do não sei se gosto ou se desgosto.

Fiquei muito, muito feliz com a vitória do Canadá. É um grupo formado principalmente por veteranos que provavelmente vão se aposentar agora, portanto foi emocionante ver a vitória deles, que marcou o fim de uma geração. Também gostei de ver que tanto o Canadá quanto a Itália levaram o evento a sério e não pouparam os melhores atletas, estratégia que deu certo para o Canadá, mas não foi o suficiente para a Itália. Espero que daqui a quatro anos tenhamos novos países no pódio, porque ver sempre os mesmos medalhistas é meio chato.

Pares


Talvez o evento de pares tenha sido o meu preferido de todos! O programa curto teve uma sequência de boas performances, um monte de gente batendo suas melhores pontuações e muitos patinadores felizes. A tristeza foi que Peng/Jin erraram um salto e não conseguiram se classificar para o programa livre, o que foi um tanto inesperado :(. A dupla australiana também não se classificou, mesmo com uma boa performance. ISU, tá na hora de aumentar as vagas dos pares!

Fiquei super feliz com as apresentações de Ryom/Kim. Depois de todo o vai-não-vai do governo norte-coreano, foi ótimo ver a dupla com dois programas fortes e com o apoio da plateia. Espero que eles continuem evoluindo e possam participar de mais competições nas próximas temporadas. Também fiquei feliz com as boas apresentações de Seguin/Bilodeau (dois dos meus programas preferidos da temporada!). Como nem tudo são flores, fiquei triste pelo programa livre de Yu/Zhang. Foi doloroso assistir todas as quedas e erros depois de um SP tão bom.

Quanto aos medalhistas, Duhamel/Radford não são meus favoritos, mas achei a medalha de bronze muito merecida, coroando a longa carreira deles. Meus preferidos são Sui/Han, que chegaram meio como favoritos, mas acabaram ficando com a prata devido a alguns errinhos no programa livre. O consolo é que eles ainda são jovens e tem muito tempo de patinação à frente, com uma Olimpíada em casa daqui a quatro anos. (Meu consolo pessoal é que os programas deles não são meus favoritos. Acho os dois um pouco genéricos. Se fossem os programas da temporada passada, eu provavelmente ficaria mais triste com a derrota.)

Achei que o ouro estava fora de alcance para Savchenko/Massot depois do programa curto, em que ficaram na quarta posição, mas a dupla veio com tudo e entregou o melhor programa livre da vida deles. A Aliona finalmente conquistou o sonhado ouro em sua quinta olimpíada e a reação dos dois depois da apresentação e ao saber os resultados foi bem emocional (foi o único momento em que realmente senti vontade de chorar durante as Olimpíadas). Adoro os programas deles, mesmo um sendo repeteco, adoro o twist altíssimo deles, e espero que eles continuem competindo por mais um tempo.

Masculino


A competição de pares me deixou em uma euforia boa durante um tempo, mas logo depois veio a competição dos homens, que me deixou anestesiada pelos nervos. Eu achava que estava bem de boas antes do evento começar, mas quando chegam os últimos grupos o coração dá uma disparada e eu não consigo aproveitar as apresentações como deveria. Não sei se foi por isso, ou se foi por não gostar tanto assim dos programas dos medalhistas, ou por ter expectativas altas demais, mas não fiquei emocionada nem muito animada com os medalhistas como esperava, mesmo sendo em parte o meu pódio dos sonhos e todos terem patinado relativamente bem.

Fiquei satisfeita com o desempenho do Yuzuru depois de uma lesão tão séria, fiquei feliz que o Shoma tenha lidado bem com a pressão olímpica que ele nem sentiu, fiquei contente pelo Javier finalmente ter uma medalha olímpica e fiquei impressionada com o desempenho do Boyang, mas esperava sentir as coisas mais intensamente. Acho que estou meio como o Shoma, que esperava sentir a magia das Olimpíadas e no final percebeu que essa é apenas mais uma competição. Só sei que ver o pessoal surtando de felicidade no Twitter e fóruns me fez me sentir um tanto deslocada. Quem sabe se eu rever a competição mais tarde, eu consigo apreciar mais. De qualquer jeito, foi uma boa competição, com certeza muito melhor do que Sochi, num nível próximo ao do mundial passado, talvez.

Quanto aos outros competidores: triste pelos Julian Yee não ter se classificado para o programa livre, mas feliz por ele ter tido um bom desempenho. Triste pelo Denis Ten também não ter se classificado. Sempre espero que ele surja das cinzas e seja um medalhista surpresa, mas dessa vez não deu. Triste pelo programa curto do Nathan Chen, feliz por ele ter tido sua redenção no programa livre (mas eu gostava mais dos programas no começo da temporada; eles foram perdendo a magia).

Patinadores que conseguiram me tirar da letargia: Adam Rippon, que ainda tem o meu programa livre masculino preferido da temporada, e Keegan Messing, que sempre me deixa tranquila e feliz, com seus pés rápidos e coreografia animada. É estranho pensar que só o descobri nesta temporada, sendo que ele não é nada novinho.

Ice dance


Não tenho muito a dizer da dança curta além de: 

- 3 Despacitos no mesmo grupo .-.
- Pobre Gabriella. Eu sabia que essa roupa não era uma boa escolha... Eu estava torcendo por V/M, mas saber que P/C possivelmente perderam por causa da distração com a roupa é triste.

Quanto à dança livre, tenho uma confissão a fazer: V/M me fizeram quase gostar de Moulin Rouge. As músicas são exageradas e bregas e o programa ainda me parece meio desconjuntado, mas V/M vendem o drama tão bem que eu me deixei arrebatar um pouco. Foi interessante ver que o público estava torcendo bastante por eles, imagino que competir no evento de times jogou em seu favor nesse quesito.

O programa de Papadakis/Cizeron é lindo, mas não conseguiu me conquistar como alguns programas antigos deles. Eles sabem como criar algo etéreo e sublime, mas talvez eu tenha enjoado um pouco desse estilo. Quero algo modernoso e bem francês no futuro, por favor.

A apresentação dos Shibutani foi muito boa, fico feliz que eles tenham deixados os erros no passado. Triste pelos erros de Hubbell/Donohue, que achei meio lentos e sem energia, não sei, e de Chock/Bates, aquela queda foi devastadora. Feliz pela performance de Gilles/Poirier, acho que o programa deles finalmente entrou nos eixos.

Feminino


Talvez seja a minha categoria menos favorita no momento, principalmente porque não sou muito fã das duas patinadoras que dominam a cena atualmente. O curioso é que nessa temporada assistimos ao fenômeno de ver um monte de gente que adorava criticar a Evgenia nas temporadas anteriores devastada pela derrota dela. Eu entendo, a gente vê as Olimpíadas como o ápice da carreira de alguém e deseja que seja um prêmio pelo “conjunto da obra”. É meio triste ver alguém que dominou as competições por duas temporadas ser derrotada pela novata bem na competição mais importante, e eu também estava mais a favor da Evgenia do que da Alina, mas depois de ver as performances, não vejo tanta diferença entre as duas. Sou má e espero que as duas sejam destronadas logo (e não por outra Eteri lady, por favor!).

Como não ligo para as medalhistas de ouro e de prata, resta ficar feliz porque a Kaetlyn Osmond finalmente fez duas apresentações relativamente limpas e ganhou o bronze! Depois de muita inconsistência com o programa livre, foi um alívio vê-la acertar bem nas Olimpíadas.

Depois do evento de times, em que a Kaori Sakamoto estava meio tensa e a Satoko Miyahara recebeu URs, não esperava coisas muito boas para elas, mas elas patinaram muito bem e acabaram na 6ª e 4ª posição, respectivamente, o que não é nada mal. Depois da apresentação da Satoko, eu fiquei na esperança de um bronze, mas tudo bem, também não queria que a Kaetlyn flopasse.

A tristeza ficou por conta do programa livre da Gabrielle Daleman. Foi duro ver tantos erros, principalmente depois de boas apresentações no nacional e no evento de times. Também fiquei meio triste por causa da Mirai, que não conseguiu acertar os triple axels depois do evento de times, mas pelo menos ela não foi um desastre.

Parabéns para as coreanas, que patinaram muito bem mesmo com a pressão de serem as atletas da casa. E parabéns para a Isadora Williams por ter patinado um ótimo programa curto e ter se classificado para o longo! Eu gostei bastante da parte artística dela, pena que no longo ela não foi tão bem.

Outros

Scott tem as melhores reações

- A gala em si não teve nada de muito especial, mas os ensaios tiveram muitos momentos fofos e divertidos. Destaque para os patinadores competindo na patinação de velocidade e no bobsled (eu sempre rio desse vídeo) e fazendo o desafio de patinar entre as garrafas. Devemos esses momentos ao Misha Ge, então obrigada, Misha! 

- Feliz em ver Yuzuru e Shoma reunidos depois de tanto tempo. Mas não teve a piada do casamento no pódio, o que me deixou chateada. Será que é o fim dessa tão bela tradição?

- Não conheço muito bem os esportes de inverno e acho a maioria meio chata, mas gostei bastante de ver as competições de snowboarding, principalmente o slopestyle. Sei que meu hype não vai durar, mas estou curiosa para assistir outras competições.

- Os fãs de patinação não recebem muito bem toda a atenção que a patinação ganha durante essa época, porque chega muita gente desinformada com opiniões babacas, mas eu acho interessante ver como a patinação consegue atrair o público uma vez a cada quatro anos. Fiquei particularmente feliz ao ver a popularidade da ice dance. Espero que alguns fãs novos fiquem e acompanhem as próximas temporadas.

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Para concluir, essa Olimpíada foi bem satisfatória, o que é algo que não acontece com tanta frequência, e apesar de eu ter assistido boa parte dela com um distanciamento emocional meio inesperado, relembrar tudo o que aconteceu está me deixando animada e no hype para as próximas competições e para a próxima temporada!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Patinação: expectativas para as Olimpíadas

Hoje à noite começam as Olimpíadas de Inverno (tecnicamente, algumas competições já começaram e a cerimônia de abertura é só amanhã, mas como patinação é o esporte mais importante para mim, as Olimpíadas começam quando a patinação começar). Como já é de costume aqui no blog, vou fazer minhas previsões, provavelmente erradas, e o que eu desejo que aconteça na competição, que provavelmente não vai acontecer.

Competição de times

É apenas a segunda vez que teremos competição por equipes nas Olimpíadas. Muitos fãs a odeiam por sobrecarregar os patinadores e sempre ter os mesmos três países brigando por medalhas, mas eu gosto por ser uma chance de ver mais patinação e pela estratégia envolvida (apesar de querer ver mudanças no formato da competição). Infelizmente, a patinação é um esporte dominado por poucos países, portanto, por enquanto, as medalhas ficam entre os que são razoavelmente fortes nas quatro categorias. Quem sabe no futuro mais países tenham chances.

Só estou chateada porque, segundo as minhas previsões, o top 5 será igualzinho ao de Sochi. Se a China e a França mandassem os patinadores mais fortes, eles talvez tivessem chance de ir para o programa livre, mas preferiram poupar os atletas, dando mais oportunidades para a Itália e o Japão.

Previsão


1. Rússia (ou Olympic Athletes from Russia)
Depois do mundial na última temporada, eu estava certa de que o Canadá tinha chances fortes de derrotar a Rússia, mas analisando os resultados desta temporada, acho que a Rússia tem uma pequena vantagem se as coisas se desenrolarem como o previsto.

2. Canadá
Tem um time bem balanceado. Se os patinadores forem todos bem, tem chances de derrotar a Rússia, mas não estou muito confiante.

3. EUA
É meio fraco nos pares e nas mulheres, tem boas chances no masculino e na dança. Nas minhas previsões, fica bem atrás de Rússia e Canadá, mas sem muita chance de perder o bronze.

Pódio dos sonhos


1. Canadá
Gosto bastante de vários patinadores canadenses. E quero que o Patrick Chan fique feliz com o ouro dele!

2. Japão
Amo o Team Japan, mas a fraqueza deles nos pares e dança não permite que eles disputem medalhas (a não ser que coisas estranhas aconteçam).

3. China
Também amo os chineses, mas sem Boyang e Sui/Han não dá para sonhar muito alto.

Feminino

Não me importo tanto com essa categoria, e parte do motivo é que não gosto das duas principais patinadoras do momento, as russas Evgenia Medvedeva e Alina Zagitova, que muito provavelmente estarão nos dois lugares mais altos do pódio. O que me resta é torcer para que as poucas patinadoras de quem gosto tenham uma boa performance.

Previsão


1. Evgenia Medvedeva (Rússia)
Ela voltou depois de um tempo fora por lesão e perdeu sua invencibilidade para a Zagitova no último Campeonato Europeu, mas ainda acho que ela tem tudo para chegar com sangue nos olhos, patinar dois programas limpos e conseguir uma vitória. Posso não gostar dela, mas acho que ela merece o ouro.

2. Alina Zagitova (Rússia)
Tem conteúdo técnico mais forte que a Evgenia, mas componentes mais fracos. É mais inexperiente e teve problemas com o programa curto durante boa parte da temporada, porém acertou tudo no Europeu. Não ficaria nada surpresa se ela ganhasse.

3. Carolina Kostner (Itália)
A disputa pelo bronze é mais difícil de prever. São muitas candidatas, mas vou apostar na Caro porque ela costuma receber as maiores notas de componentes.

Pódio dos sonhos


1. Satoko Miyahara (Japão)
Minha preferida. Ficou fora um tempão por lesão e superou as adversidades para conquistar a vaga olímpica. Tem problemas de rotação nos saltos, mas é ótima em todo o resto.

2. Carolina Kostner (Itália)
Elegante e refinada, às vezes a acho meio sem graça, mas gosto de torcer pelas veteranas.

3. Kaori Sakamoto (Japão)
A Kaori sempre me surpreende pelos saltos poderosos. Apesar de eu não gostar muito do programa livre dela e ainda a achar meio "crua", ela tem uma alegria contagiante ao patinar que sempre me faz torcer por ela.

Desejos aleatórios: que a Isadora Williams patine bem e passe para o programa longo; que a Ivett Toth vá bem; que a Mirai Nagasu acerte os triple axels.

Masculino

Essa é uma categoria difícil de prever. Os homens costumam ser bastante inconsistentes, e esta foi uma temporada atípica em que muitos ficaram fora de competições importantes. É possível que a competição seja um desastre e o vencedor seja o que cometeu menos erros, mas também é possível que seja uma competição incrível (no começo da temporada, quando o Shoma foi bem no Lombardia e o Yuzuru bateu o recorde no programa curto do Autumn Classic, eu achei que a temporada ia seguir esse rumo e ser fantástica. Como eu estava errada...).

Previsão


1. Yuzuru Hanyu (Japão)
É o patinador mais completo e mais bem-sucedido, mas ficou fora das competições devido a uma lesão, e o estado dele é uma incógnita, mas eu acredito que ele está bem e que pode conseguir uma vitória.

2. Nathan Chen (EUA)
Provavelmente é o patinador com o conteúdo técnico mais difícil. Venceu todas as competições que participou na temporada, embora seus oponentes tenham flopado em diferentes graus. Tem chances de vencer, assim como tem chances de ficar fora do pódio (como todos os outros).

3. Shoma Uno (Japão)
Tem bom equilíbrio entre a parte técnica e artística e costuma ganhar notas bem altas quando vai bem. Como não sou uma fã muito confiante, coloco ele em terceiro.

Pódio dos sonhos


1. Yuzuru Hanyu (Japão)
Gosto bastante do Yuzuru, apesar de a patinação dele não me conquistar tanto num nível emocional, e ficaria muito feliz com uma boa performance.

2. Shoma Uno (Japão)
É meu preferido, mas não gosto muito dos programas dele nesta temporada e acho que ele ainda precisa melhorar em muitos aspectos para merecer o ouro. Uma prata ou bronze estão de bom tamanho, de preferência com um sorriso no final (e casamento no pódio, é claro. Saudades interações Yuzu x Shoma).

3. Patrick Chan (Canadá)
O patinador que eu amava odiar se tornou um dos meus preferidos. Esta provavelmente é a última temporada dele, então uma medalha individual seria um bom presente de despedida.

Desejos aleatórios: boas performances de Han Yan, Adam Rippon, Keegan Messing, Boyang Jin, Keiji Tanaka, Denis Ten, Junhwan Cha, Julian Yee, Deniss Vasiljevs e  Misha Ge! Só isso. :P

Pares

Estou bem empolgada para a competição de pares, que tem muitas duplas boas em busca de uma medalha. Felizmente, gosto das duas duplas favoritas ao ouro, assim, espero que seja um evento tranquilo sem muitas decepções.

Previsão


1. Sui/Han (China)
Uma dupla forte tecnicamente e artisticamente. A disputa entre eles e os alemães é bem acirrada, então eles precisam ser limpos para ganhar.

2. Savchenko/Massot (Alemanha)
Torço muito pela Aliona porque ela é uma veterana e vem lutando pelo ouro olímpico faz tempo. O triple twist deles é gigantesco e o programa livre deles é moderno e bonito.

3. Tarasova/Morozov (Rússia)
Não tem os melhores programas nem a melhor interpretação, mas seus elementos costumam ser bem fortes. Andaram meio inconsistentes nas últimas competições.

Pódio dos sonhos


1. Sui/Han (China)
Prefiro os chineses aos alemães porque acho que essa é uma dupla em que os dois patinadores estão em um nível bem próximo e combinam melhor.

2. Savchenko/Massot (Alemanha)
Coloquei eles em segundo, mas não reclamaria se ganhassem.

3. Peng/Jin (China) ou James/Cipres (França) ou Seguin/Bilodeau (Canadá)
Das três duplas citadas, só J/C têm alguma chance de medalha, mas espero que as outras vão bem. P/J são carismáticos e são meio que os underdogs das duplas chinesas, então sempre torço por eles. J/C têm um estilo moderno e sensual. E S/B têm o meu programa curto preferido da temporada.

Desejos aleatórios: boas perfomances de Ryom/Kim e que eles se classifiquem para o programa livre; sem levantamentos abortados ou quedas dolorosas demais.

Ice dance

Costuma ser a competição mais previsível, mas não por isso menos emocionante. As duplas preferidas, Papadakis/Cizeron e Virtue/Moir, costumam receber notas muito próximas, e a disputa pelo terceiro lugar também será acirrada.

Previsão


1. Papadakis/Cizeron (França)
Até a temporada passada, eu acreditava na vitória de Virtue/Moir, mas nessa temporada P/C fizeram pontuações maiores e derrotaram os rivais no Grand Prix Final. Não gosto da dança curta deles (e a música sempre fica grudada na minha cabeça), mas no programa livre eles são capazes de criar um momento sublime.

2. Virtue/Moir (Canadá)
Muito experientes e habilidosos, já estão em sua terceira olimpíada. Estou curiosa para ver as mudanças que eles fizeram no programa livre, mudando um levantamento polêmico.

3. Shibutanis/Shibutani (EUA)
Não foram super consistentes nas últimas competições, mas acredito que se forem limpos, a medalha é deles.

Pódio dos sonhos


1. Virtue/Moir (Canadá)
Gosto bastante das duas duplas top, mas por motivos sentimentais preferiria que V/M ganhassem o ouro.

2. Papadakis/Cizeron (França)
Eles têm uma leveza no gelo que é muito agradável de assistir.

3. Gilles/Poirier (Canadá)
Sempre têm programas divertidos e criativos.

Desejos aleatórios: boas performances para Muramoto/Reed, Coomes/Buckland, Hurtado/Khaliavin e Weaver/Poje; sem elementos invalidados, sem quedas e muitos níveis 4!

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Para quem se interessou, as competições de patinação começam hoje às 23:00 e serão parcialmente exibidas pela Sportv. Os dias e horários estão aqui. Para quem não tem Sportv, esse post oferece sugestões de streamings