sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Livro: Miramar

Título: Miramar
Autor: Naguib Mahfuz
Tradução: Safa Abou Chahla Jubran
Editora: Berlendis & Vertecchia Editores

Nos anos 60, na cidade de Alexandria, no Egito, cinco homens se hospedam na pensão Miramar, que no passado foi gloriosa, mas cujo brilho se perdeu após a revolução. Com idades, personalidades e objetivos bastante diferentes, eles passam a conviver nesse ambiente. A presença de Zohra, uma bela camponesa que trabalha como criada na pensão, desperta a cobiça de alguns e gera tensão entre os hóspedes.

Cada capítulo é narrado por um dos personagens, que conta a sua vida e apresenta sua visão sobre os acontecimentos na pensão. Temos um ex-jornalista idoso, um jovem proprietário de terras, um locutor introvertido e um contador metido em negócios arriscados, mas a personagem mais interessante é Zohra, uma jovem decidida que foi trabalhar na pensão após fugir de um casamento forçado. É em torno dela que a maioria dos acontecimentos gira. 

A alternância de focos narrativos é sempre um recurso interessante. Aqui, ela nos permite vislumbrar o passado dos personagens, bastante marcado pela revolução de 1952, e o ponto de vista de cada um sobre o que acontece durante a estadia deles na pensão, das conversas despreocupadas em datas comemorativas a brigas no meio da noite. Por outro lado, alguns dos acontecimentos não são tão interessantes assim para merecer quatro relatos diferentes sobre eles, algumas vezes sem muita variação.

No início, fiquei um pouco perdida em meio às referências históricas do livro. Não sei quase nada sobre o Egito e, principalmente no começo da narrativa, nomes e fatos históricos são bastante citados. Porém, aos poucos me acostumei e me deixei envolver pela história.

O livro me surpreendeu com o estilo narrativo e com uma história mais cheia de acontecimentos e mistério do que eu esperava, mas não me conquistou totalmente, talvez porque achei a maioria dos personagens chata e por ter ficado meio perdida no contexto histórico.

Livro lido para o desafio Volta ao Mundo em 80 Livros, representando o Egito.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Randomicidades do mês: julho/2017

Julho foi um mês arrastado. Olhando para as leituras que fiz no comecinho do mês, fiquei bem surpresa ao constatar que elas foram feitas em julho mesmo e não um ou dois meses antes. Consegui terminar alguns animes e comecei a assistir um monte de coisas, mas, em questão de filmes, foi fraco. (Como sempre estou dividida entre a vontade de ver filmes e a preguiça que bate na hora.)

Livros lidos


História da menina perdida - Elena Ferrante
Último livro da série napolitana e o meu segundo favorito da tetralogia. Apesar de achar algumas partes da história meio arrastadas, minha opinião final dos livros é muito positiva.
Nota: 4,25


Confissões de uma máscara - Yukio Mishima
O livro discorre sobre a homossexualidade do protagonista, sua atração por homens desde que era criança (e sua fascinação por cenas sanguinolentas), sua inadequação diante dos outros e sua tentativa de um romance com uma mulher. Foi uma experiência interessante, principalmente levando em conta que não costumo ler muitos livros com protagonistas gays.
Nota: 3,25


Meus documentos - Alejandro Zambra
Livro de contos interessantes e bem gostosos de ler, mas que não me provocaram muito impacto. (ok, não vou me esquecer do Pai Nosso cantado no ritmo de Sound of Silence).
Nota: 4


A última tragédia - Abdulai Sila
Lido para o Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros, representando a Guiné-Bissau. O livro aborda o colonialismo através de três personagens: uma jovem que vai trabalhar como criada em casa de brancos, um líder local cheio de ideias que deseja mostrar quem manda e se impor diante dos brancos, e um professor gentil que se formou em um projeto criado pelos brancos para educar a população local. Foi interessante conhecer um pouco sobre a Guiné-Bissau, mas achei o livro um tanto parecido com outros sobre o colonialismo na África.
Nota: 3,5


The Grown Up - Gillian Flynn
Conto sobre uma mulher que trabalha como vidente e decide faturar uma grana ajudando uma cliente a se livrar da aura tenebrosa que cerca a mansão da família e afeta o enteado adolescente. Fui ler o conto sem saber nada sobre ele e não estava esperando o clima de terror, que me agradou. O que me desagradou foi o final cheio de explicações, que não se encaixou com naturalidade na narrativa.
Nota: 3,5


Much Ado About Nothing - William Shakespeare
Comédia sobre dois casais. Um deles se apaixona à primeira vista e logo marca o casamento, mas sofre com forças externas que tentam impedir a união. O outro é formado por duas pessoas que desprezam o amor e o casamento e vivem zombando um do outro, mas se apaixonam gradualmente. Até que achei divertido.
Nota: 3,25


Um útero é do tamanho de um punho - Angélica Freitas
Olha eu lendo um livro de poesia! Na verdade, só li porque a minha irmã pediu para eu pegar na biblioteca para ela. Os poemas são bastante contemporâneos e irreverentes e têm como tema a mulher. Gostei bastante de uns, não gostei/entendi outros.
Nota: 3


O xará - Jhumpa Lahiri
Romance de formação sobre um indo-americano de nome peculiar, Gógol Ganguli, que se sente dividido entre a cultura dos Estados Unidos, onde nasceu e cresceu, e a indiana, dos pais, a qual no início rejeita. Acompanhamos a dificuldade dos pais de Gógol de se adaptar a um novo país, a consternação do protagonista diante do seu nome incomum e sua tentativa de se afastar de suas origens.
Nota: 4


Nada a dizer - Elvira Vigna
Faz bastante tempo que tenho curiosidade em ler algo da autora, mas foi só quando ela morreu que me senti motivada a finalmente ler, porque sou assim. O enredo do livro é um tanto banal: um casal tenta lidar com a traição por parte do homem. Pelo ponto de vista da mulher, que revisita os acontecimentos, vemos com detalhes o relacionamento entre os dois e as turbulências provocadas pela traição.
Nota: 3,75

Quadrinhos


The God's Lie - Kaori Ozaki
Mangá sobre a amizade entre um menino e uma menina que esconde um grande segredo. É bonitinho e melancólico. Não gostei muito dos personagens em si, mas adorei a forma como eles interagem.
Nota: 3,75


Repeteco - Bryan Lee O'Malley
Depois de um dia ruim, Katie ganha a chance de corrigir seus erros. Ao anotar seu erro em um bloquinho e comer um cogumelo, ela ganha o poder de mudar o passado. E é claro que em certo momento isso dá errado. Gostei muito da arte, dos personagens e de todo o ambiente do restaurante Repeteco.
Nota: 4

Animes/séries


Kuuchuu Buranko
Em cada episódio, o doutor Irabu recebe um paciente diferente. Um jogador de beisebol que não consegue mais arremessar a bola direito, um jovem viciado no celular e um gangster com medo de objetos pontudos são algumas das pessoas que passam pelo consultório. Com sua personalidade amalucada, fascinação por injeções e métodos pouco ortodoxos, o psiquiatra ajuda os pacientes a lidar com seus problemas. A arte do anime é um espetáculo à parte, com cenários coloridões e mistura de animação com live-action, dando um ar psicodélico à obra. Em meio a um oceano de animes com histórias e arte semelhantes, esse aqui com certeza se destaca.
Nota: 4


Code Geass: Hangyaku no Lelouch
Esse anime é uma bagunça muito viciante. Nele, acompanhamos o jovem Lelouch, um príncipe exilado que ganhou o poder de controlar as pessoas, o Geass. Com esse poder nas mãos, além de sua grande inteligência, Lelouch põe em ação um plano para derrubar o império da Britannia, unindo-se a um grupo de terroristas que pretende recuperar o Japão. No início, a história me lembrou bastante Death Note, pois o protagonista é um estrategista e recebe um poder enorme que dá origem a planos grandiosos, com consequências cada vez mais graves. Porém, Code Geass é bem mais exagerado, com plot twist seguido de plot twist (nem sempre muito verossímeis). Em questão de entretenimento não tenho muito o que reclamar, devorei os cinquenta episódios em pouco tempo, apesar de uma segunda temporada meio morna. Agora, se for para avaliar mais criticamente, acho que o anime tenta misturar gêneros e nem sempre dá certo e traz ideias demais sem se aprofundar muito em nada.
Nota: 3,75 (1ª temporada) e 3 (2ª temporada)


Tabi Machi Late Show
Anime de apenas quatro episódios curtos sobre despedidas. As histórias são simples e agradáveis, e tratam de personagens como um aspirante a chef que parte para estudar no exterior ou uma professora que vai se aposentar. Destaque para o terceiro episódio, sobre uma menina contente por rever o amigo no festival de verão.
Nota: 3,5

Comecei a ver: Chouyaku Hyakuninisshu: Uta Koi., Mozart in the Jungle (2ª temporada), Yami Shibai, Paradise Kiss.

Filme


Doukyuusei (2016)
Animação sobre dois estudantes bem diferentes um do outro que se aproximam por acaso e acabam se apaixonando. Não sou muito fã de romance, mas achei o filme bem fofo. Adorei a arte.
Nota: 4
Curta


Father and Daughter (2000)
Curta de Michaël Dudok de Wit, mesmo diretor de A tartaruga vermelha. Um pai se despede da filha ainda criança e parte de barco. O tempo passa, e a filha continua voltando sempre ao local da despedida, na esperança de rever o pai.
Nota: 4

Aquisição


Só comprei um livro. Depois de gostar muitíssimo de Só para fumantes, fiquei com vontade de conhecer mais da obra do Julio Ramón Ribeyro, então comprei esse livrinho.

E foi isso. O que você fez de interessante em julho?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Randomicidades do mês: junho/2017 (parte 2)

Demorei mais do que esperava para postar a segunda parte das randomicidades de junho, mas pelo menos postei. :P

Animes/séries

Terminei dois animes que estava vendo faz bastante tempo e um anime curtinho. Comecei a ver um montão de coisa.


NieA Under 7
Anime sobre uma estudante pobretona que vive em uma casa de banhos acompanhada por uma extraterrestre parasita (não do tipo que invade o seu corpo, mas do tipo que vive do seu dinheiro e come a sua comida). Poderia ser uma ficção científica muito louca sobre aliens, mas é um anime slice of life tranquilão misturado com comédia. O tipo de humor exagerado não me agradou muito, mas os momentos calmos e mais reflexivos são muito bons. Apesar disso, achei o anime meio arrastado em vários momentos.
Nota: 3,25


Sailor Moon Crystal
Demorei séculos para terminar esse anime, em parte porque estava assistindo com a minha irmã, então não conseguia assistir com tanta frequência, e em parte porque achei a série bem ruinzinha. Claro, assistir raramente só piorou as coisas, porque eu esquecia toda a história e no final não estava dando a mínima para o que estava acontecendo. Acho que o que eu mais gostava na série clássica era o humor meio bobo e o cotidiano das personagens. O remake tem uma narrativa bem mais enxuta, focada na ação, que é bem o que menos gosto em Sailor Moon. Ou seja, achei uma chatice. E a arte feiosa não ajudou nada (ou ajudou, porque ri muito de algumas cenas mal desenhadas/animadas). Ainda assim, pretendo assistir a segunda temporada um dia, porque as outras Sailors darão o ar da graça.
Nota: 2,5


Fudanshi Koukou Seikatsu
Anime curtinho sobre um fudanshi, homem que curte mangás yaoi (mangás gays voltados para o público feminino). Como é um hobby incomum entre homens, ele passa por situações constrangedoras e engraçadas enquanto lida com seus amigos, shippa pessoas reais, fica amigo da coleguinha fujoshi, vai na loja comprar seus mangás etc. Não é grande coisa e imagino que perdi muitas piadas por falta de referência, mas é divertidinho.
Nota: 3

Comecei a assistir: Master of None (2ª temporada), Code Geass, Hoozuki no Reitetsu, Tabi Machi Late Show

Filmes


A bruxa (2015)
Não gosto muito de filmes de terror, mas atualmente vários estão sendo bem elogiados por aí, o que sempre desperta minha curiosidade. A bruxa mostra uma família muito religiosa que vive isolada no meio da floresta, nos EUA do século 17. Quando o bebê desaparece, todos passam a suspeitar da filha mais velha e a acusá-la de bruxaria. Eu esperava mais do filme. Gostei do clima de tensão, mas achei a história meio arrastada e não gostei tanto do final. Alguns personagens me irritaram muito, mas imagino que isso seja proposital.
Nota: 3,25


A comunidade (2016)
Gosto muito de A caça e Festa de família, então estava com expectativas bem altas a respeito de A comunidade, do mesmo diretor. Porém me decepcionei um pouco. O filme trata de um casal que herda uma casa e decide transformá-la em uma comunidade, convidando amigos e desconhecidos para viver sob o mesmo teto. No entanto, logo surgem atritos, e o casal enfrenta dificuldades em seu relacionamento. É um filme mais leve do que os outros que vi do diretor (talvez seja por isso que me decepcionei, não sei).
Nota: 3,5

Curtas


Elégia - Huszárik Zoltán (1965)
Curta bastante impactante sobre cavalos. Mostra os animais em sua história junto ao homem: da liberdade nos campos ao maltrato durante o trabalho nas ruas, participação nas guerras, abate para alimentação. Não tem falas, e a música é bastante incômoda.
Nota: 3,5


Ame to Shoujo to Watashi no Tegami (2015)
Curta de animação sobre uma menina que sonha em ser escritora e escreve uma carta para o menino de quem gosta. Assisti ao filme porque ele apareceu como sugestão aleatória em um site. Pelo que li, esse curta foi feito por um amador e, levando isso em consideração, até que ele fez um bom trabalho. O filme tem um clima meio Makoto Shinkai que não me agrada tanto, mas os cenários são interessantes e a história é bonitinha.
Nota: 2,75


Balance (1989)
Um grupo vive sobre uma plataforma equilibrada sobre o nada. Quando uma pessoa precisa se deslocar, todas as outras se reorganizam harmonicamente para manter o equilíbrio. Até que um deles pesca uma caixa estranha que aguça a curiosidade de todos. O filme parte de uma premissa estranha, e ao mesmo tempo simples, para construir uma história envolvente e profunda sobre a vida em sociedade. Adorei esse curta!
Nota: 4,25

Aquisições


Minha irmã pegou esse livro em uma troca. Não sei muito sobre ele, mas parece ser bom. ;)


Esses foram os presentinhos da Lulu, do blog Lulunettes. Adorei os livros e o caderninho fofo. Muito obrigada, Lulu! :3

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Randomicidades do mês: junho/2017 (parte 1)

Junho foi um mês em que me dediquei bastante à leitura de séries: voltei a mergulhar na série napolitana da Elena Ferrante, me despedi com muitas perguntas e algumas respostas da série Só Perguntas Erradas e me reencontrei com o mundo mágico de Crestomanci. Também li vários quadrinhos, terminei alguns animes e continuei vendo poucos filmes, mas pelo menos vi alguns.

Como o post ficou longo demais, vou dividi-lo em duas partes, uma para as leituras e a outra para o resto.

Livros lidos


História de quem foge e de quem fica - Elena Ferrante
Terceiro livro da série napolitana, focado na vida adulta de Lenu e Lila. Como os acontecimentos do segundo, terceiro e quarto livros (que acabei de ler e fica para as randomicidades do mês que vem) se confundem bastante na minha cabeça, não tenho muito a dizer sobre esse volume específico. Como já comentei a respeito do segundo, prefiro os momentos em que Lenu e Lila estão mais próximas, de preferência morando no bairro, então achei este e o segundo volume não tão interessantes quanto o primeiro e o último. Ainda assim, são livros deliciosos de se ler.
Nota: 4


13 incidentes suspeitos - Lemony Snicket
Livro 2,5 da série Só Perguntas Erradas. Ele reúne 13 casos curtos de Lemony Snicket no vilarejo Manchado-pelo-mar, que incluem o sequestro de um cachorro, uma aparição suspeita no cais e o roubo de um tritão, entre outros mistérios. Cada incidente tem sua resolução exposta no final do livro, de modo que o leitor pode brincar de detetive e tentar solucionar os casos por conta própria. Alguns dos mistérios são bem óbvios, outros nem tanto. De qualquer modo, são histórias bastante divertidas. Para os fãs de Desventuras em Série, vale ficar de olho bem aberto, porque alguns personagens são brevemente citados. Para os fãs de Só Perguntas Erradas, essa é uma forma descompromissada de conhecer melhor Manchado-pelo-mar e alguns de seus habitantes. Para quem não é fã de nenhum do dois, bem, imagino que dá para ler o livro como uma leitura independente.
Nota: 3,5


Fuja, coelhinho, fuja - Barbara Mitchelhill
A história se passa na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial e é narrada do ponto de vista de uma criança. O pai de Lizzie é um pacifista e se recusa a lutar na guerra, o que obriga ele e a família a deixar o lar e se refugiar na comunidade Whiteway. Quando suas vidas finalmente estão entrando nos eixos novamente, eles são forçados a fugir mais uma vez, enfrentando o inverno gélido, o medo de serem denunciados e presos e o pavor de serem separados. É um livro para leitores mais jovens e, apesar do assunto triste e pesado, tem momentos de bastante leveza. A editora Biruta está de parabéns pelo trabalho gráfico: a capa e as ilustrações são muito legais.
Nota: 3,5


A cidade murada - Ryan Graudin
A cidade murada é um território sem lei, dominado por gangues, pela violência e pela miséria. É nela que vivem Jin, uma garota esperta que se disfarça de menino para tentar encontrar sua irmã, Mei Yee, e Dai, um jovem misterioso que está investigando a principal gangue local. Essa foi uma leitura bastante envolvente. A alternância do foco narrativo torna a história bem ágil, mas confesso que não gostei tanto da história de Mei Yee quanto das dos outros dois personagens.
Nota: 3,5


Você não deveria estar na escola? - Lemony Snicket
Meu volume preferido da série! Uma das coisas que mais gosto dessa série é a interação entre o protagonista e as outras crianças/jovens do local, e esse é o volume em que eles formalizam sua união e passam a agir como associados. Além disso, o livro tem incêndios misteriosos! E o Olaf é citado! (ok, é só uma frasezinha de nada, mas ainda assim fiquei feliz). As surpresas e o humor snicketiano estão presentes, como de costume.
Nota: 4,25


Por que esta noite é diferente das outras? - Lemony Snicket
Último livro da série Só Perguntas Erradas. Dessa vez, Lemony se despede de Manchado-pelo-mar e embarca em um trem em direção à cidade. Como sempre, ele encontra inimigos, aliados, pessoas que ele não sabe se são inimigos ou aliados, muitas perguntas, algumas poucas respostas, um assassinato e possíveis assassinos. No começo não gostei que a história fosse se passar em um trem, porque aprendi a amar Manchado-pelo-mar, mas no final foi uma experiência bem interessante. Para mim, foi uma conclusão bem satisfatória para a série, apesar de eu ainda querer saber mais sobre os personagens, os mistérios e a C.S.C. e ter passado um dia inteiro lendo teorias sobre o universo dos livros na internet, haha.
Nota: 4


As vidas de Christopher Chant - Diana Wynne Jones
O segundo livro da série Os mundos de Crestomanci se passa algumas décadas antes do primeiro volume, narrando sobre a infância de Chant, suas perambulações por outros mundos, sua vida na mansão Crestomanci e o despertar de sua magia. É interessante ver o foco na infância de um personagem que conhecemos no livro anterior como adulto poderoso e notar os paralelismos entre o aprendizado dos protagonistas dos dois livros. Adorei os passeios de Chant pelos mundos, a Deusa e a inocência do garoto. Às vezes acho que não gosto mais de livros de fantasia, mas a Diana Wynne Jones me convenceu do contrário.
Nota: 4

Quadrinhos


Parafusos: mania, depressão, Michelangelo e eu - Elen Forney
HQ autobiográfica que relata a experiência da autora com o transtorno bipolar. Entre momentos de mania eufórica e depressão debilitante, ela narra suas tentativas de encontrar o equilíbrio e se questiona a respeito de grandes artistas que sofriam de distúrbios semelhantes. A doença os ajudava em suas criações ou atrapalhava? Tratar a bipolaridade acabaria com sua criatividade? O livro acaba sendo bastante informativo e trata do assunto pesado com bom-humor, sem sobrecarregar demais o leitor.
Nota: 3,5


Good-bye, Chunky Rice - Craig Thompson
Primeira graphic novel de Craig Thompson (autor de Retalhos). Conta a história de uma tartaruga, Chunky Rice, que amava uma ratinha, mas a deixa para trás para partir em uma jornada de barco em busca do desconhecido. No caminho, a tartaruga encontra pessoas solitárias com suas histórias de vida, enquanto a ratinha lida com a perda do amigo escrevendo mensagens em garrafas e lançando-as ao mar. É um livro sobre perda e distância que, infelizmente, não ressoou muito em mim. Com exceção talvez da história do vizinho de Chunky e seu relacionamento com o cachorro, o irmão e um passarinho, não achei o livro tão interessante quanto esperava. Acho que sempre espero demais do Craig Thompson.
Nota: 3


Mumin - Tove Jansson
Conheci os moomins faz pouco tempo, mas já os amo de paixão. Não sabia da existência dessa edição da Conrad, então, quando a vi na biblioteca, fiquei muito, muito feliz. O volume reúne quatro histórias curtas sobre os moomins que não se passam exatamente no mesmo universo da série de livros. Isso me deixou meio confusa na primeira e na segunda história, pois não estava entendendo direito o relacionamento entre os personagens, mas é só deixar os livros de lado que é fácil se deixar entreter por essas histórias divertidas (e as vezes meio nonsense) e pelo traço adorável da Tove.
Nota: 4

Por enquanto é isso. Volto em breve com os filmes, séries e aquisições de junho!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros: 4 anos

Uma prova de que ando desanimada com o blog e com os desafios literários é que esqueci completamente do tradicional post de balanço de leitura do desafio Volta ao Mundo. Não só esqueci, como só fui lembrar dele dois meses depois! Mas tudo bem, antes tarde do que nunca, não é?

Não tenho lido obras de países muito diferentes recentemente, mas continuo em um ritmo estável em comparação com o ano passado. Os países novos que li desde o balanço do ano passado foram: Guatemala, Moçambique, Finlândia, Suíça, Turquia, Itália, Áustria, Equador, Indonésia e Albânia. Foram leituras um pouco mais eurocêntricas do que eu gostaria, no entanto, considerando que não pesquisei muita coisa e me concentrei em livros que tenho ou que já queria ler faz tempo, até que não estou tão mal.

Até o momento, li 53 livros de países diferentes, e o meu mapa está assim:


A lista de leituras está aqui, caso alguém esteja interessado.

Os países com o maior número de livros lidos desde que iniciei o desafio são os seguintes:

1. EUA (120)
2. Inglaterra (53)
3. Brasil (35)
4. Japão (31)
5. França (20)
6. Irlanda (7)
7. Hungria, Alemanha, Índia (5)
8. Portugal, Canadá, Austrália, Rússia (4)
9. País de Gales, Noruega, Israel, Itália, Finlândia, Chile, México, Coreia do Sul (3)
10. Escócia, Dinamarca, Espanha, Argentina, Peru, China, Angola, África do Sul, Nigéria (2)
11. República Tcheca, Holanda, Bélgica, Islândia, Áustria, Suíça, Albânia, Colômbia, Cuba, El Salvador, Honduras, Uruguai, Equador, Guatemala, Irã, Afeganistão, Paquistão, Indonésia, Turquia, Senegal, Marrocos, Zimbábue, Moçambique (1)

Vivo reclamando de como leio muito livro americano e não faço nada para mudar a situação, assim como, sempre que penso no meu desafio, fico com vontade de ler mais autores africanos, mas acabo não lendo. Acho que preciso me dar uma pressionada maior para sair da zona de conforto.

Se alguém tiver alguma recomendação de autores de países que ainda não li, ou mesmo de países que li pouco, eu aceito!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Randomicidades do mês: maio/2017

Livros lidos


Tsugumi - Banana Yoshimoto
Tsugumi é uma menina de saúde fraca e personalidade forte. O livro é narrado por sua prima, que costumava viver com ela em uma cidade litorânea antes de se mudar para Tóquio e que volta para sua terra natal para as férias de verão. Tsugumi é uma pessoa bastante desagradável e complicada, mas gostei de ver como as primas se entendem. Faz bastante tempo que eu queria ler algo dessa autora, e apesar de o livro ter ficado um pouco aquém das expectativas, ainda assim foi uma boa leitura.
Nota: 3,25


O fim - Lemony Snicket
Último livro da série, que me deixa um pouco frustrada por não revelar tanto quanto gostaríamos sobre os mistérios que surgiram durante toda a história, mas que ao mesmo tempo é um fim bastante adequado para a série.
Nota: 4


Estação Onze - Emily St. John Mandel
Uma gripe poderosa e de rápido contágio se espalha pelo planeta, dizimando a maior parte da população humana. Anos depois, as pessoas tentam sobreviver com o que restou. Viajando pelos pequenos povoados e se arriscando por terras sem lei, uma trupe de músicos e atores tenta levar arte para alegrar um pouco a vida das pessoas. O livro alterna entre diferentes épocas e foca em diversos personagens, e no começo eu não entendi muito bem por que a ênfase em alguns deles, mas aos poucos as coisas vão se encaixando.
Nota: 4


Quem poderia ser a uma hora dessas? - Lemony Snicket
Depois de treze livros de Desventuras, é claro que eu fiquei com vontade de ler mais histórias que se passam no universo da série. Nesse livro, acompanhamos a formação do Lemony na organização secreta. Sua primeira missão é ajudar sua mentora a resgatar uma estatueta de um animal mitológico em uma cidade em decadência. Sinto um pouco de falta do jeito usual de narrar do autor e os personagens desse livro não são tão interessantes quanto os de Desventuras, mas ainda assim é uma leitura bem interessante.
Nota: 3,75


Quando você a viu pela última vez? - Lemony Snicket
Lemony e sua mentora têm uma nova missão, que dessa vez envolve o desaparecimento de uma jovem rica. Os testemunhos sobre seu sumiço divergem e despertam muitas suspeitas no jovem Lemony. Ajudado pelas crianças e parcialmente atrapalhado pelos adultos, ele tenta solucionar o mistério e lidar com os problemas que surgiram em sua vida desde o livro anterior.
Nota: 3,5


Liquidação - Imre Kertész
Um escritor se suicida e seu editor tenta compreender o que o levou a isso enquanto busca o último romance deixado pelo amigo. O escritor foi uma das poucas crianças nascidas em Auschwitz, e esse fato marcou toda a sua vida e obra. Esse é um romance bem denso e meio depressivo, confesso que não estava no humor certo para esse tipo de leitura e que não gostei muito.
Nota: 2,75


Héracles - Eurípides
A tragédia narra a situação da família de Héracles, ameaçada pelo rei Lico, enquanto o herói estava fora executando seus doze trabalhos. Héracles volta a tempo de salvá-los, mas logo em seguida deusas enviadas por Hera chegam e enlouquecem o herói. A história é bem interessante, mas minha falta de referências sobre esse mito e minha dificuldade com o vocabulário e a estrutura do texto tornaram a leitura bastante difícil. Por que o coro tem que falar de maneira tão pomposa???
Nota: 2,5


As pernas de Úrsula e outras possibilidades - Claudia Tajes
Peguei esse livro por engano na biblioteca (culpa do novo sistema e do meu desconhecimento dele), então não tinha expectativa nenhuma. No começo, nem pretendia lê-lo, mas decidi dar uma olhada nas primeiras páginas para ter uma ideia de como ele era. Depois de umas leituras mais sérias, esse livro pareceu tão simples e rápido de ler que acabei seguindo com a leitura, apesar de me incomodar com algumas coisas. A história é muito simples: o protagonista nos conta sobre seu relacionamento com sua esposa, que seria ótimo se ele não ficasse subitamente atraído por uma bela mulher com longas pernas. Não desgostei da leitura, apesar de o livro ter um tom engraçadinho que não tem tanta graça assim, o protagonista ser um homem babaca bem esteriotipado, e o livro ser bastante clichê e esquecível (mas se tornou inesquecível porque sempre lembrarei da vez em que as máquinas da biblioteca me fizeram de gato e sapato). Diferente do Héracles, cujo valor eu consigo ver, mas que achei uma chatice, aqui eu achei o livro meio ruim, mas meio legal.
Nota: 2,75

Quadrinhos


Suicide Club - Usamaru Furuya
Baseado no filme homônimo, o mangá é sobre misteriosos suicídios coletivos de garotas pelo Japão. É um mangá um tanto depressivo e um pouquinho perturbador, mas bastante interessante. Me deu vontade de ver o filme.
Nota: 3,5


Você é minha mãe?: um drama em quadrinhos - Alison Bechdel
Nessa continuação de Fun Home, a autora conta sobre o relacionamento complicado com sua mãe, a criação de suas obras e seu interesse pela psicanálise, principalmente pelas ideia de Donald Winnicot. Uma coisa que me desagrada um pouco nos quadrinhos da autora é que às vezes ela foca demais em um conteúdo "teórico" (como a psicanálise e as obras de Virginia Woolf), o que deixa a leitura meio maçante.
Nota: 3,5

Animes


Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu: Sukeroku Futatabi-hen
Segunda temporada desse anime maravilhoso. Dessa vez, a série se detém sobre o Kikuhiko já estabelecido como mestre de rakugo e sobre a nova geração que busca manter a arte viva e em evolução. Eu tinha altas expectativas em relação a essa temporada porque a Konatsu aparece mais e ela é uma das minhas personagens preferidas, mas no geral gostei menos do que da primeira, talvez porque ela tenha me parecido menos coesa, sei lá. De qualquer forma, é um ótimo anime.
Nota: 4


Kuzu no Honkai
Anime sobre dois jovens que mantêm um namoro falso. Apaixonados por pessoas fora de seu alcance, eles tentam satisfazer seus desejos e aplacar a solidão um com o outro, mas descobrem que isso não dá lá muito certo. Achei interessante o anime mostrar relacionamentos não idealizados, com os adolescentes explorando sua sexualidade. A série apresenta vários personagens cheios de defeitos, alguns bastante desprezíveis, e durante boa parte da história achei que no final tudo daria errado, mas até que os personagens crescem um pouco e conseguem dar uma direção para suas vidas (só achei essa evolução rápida demais e não muito verossímil em alguns casos). O anime é muito viciante, tanto que assisti em pouco tempo.
Nota: 3,75

Filmes


Kimi no Na wa.
Depois de ler muito sobre o filme e sobre os recordes de bilheteria que ele bateu, finalmente assisti Kimi no Na wa, filme preferido de Shoma Uno. Não sou muito fã do diretor, Makoto Shinkai, porque às vezes ele vai para um lado sensível e poético que eu acho brega, mas como todo mundo disse que nesse filme temos um enredo mais bem definido, achei que talvez essa fosse minha chance de me deixar conquistar por um filme dele. A história é a de uma menina do campo e um menino da cidade que de repente passam a trocar de corpo. O filme é divertido e interessante, mas algumas coisas me incomodaram. Preferia que tivessem focado mais no relacionamento dos protagonistas antes do conflito surgir, porque achei o vínculo entre eles muito fraco. De resto, é um filme do Makoto Shinkai, então espere cenários deslumbrantes e céus maravilhosos. O relacionamento dos protagonistas, a distância entre eles, os monólogos dos personagens, também são algo bem Makoto Shinkai. Ou seja, gostei do filme, mas esperava um pouco mais depois de tudo o que ouvi.
Nota: 3,75


Hoshi no Koe
Falei mal do Shinkai, mas aqui estou eu assistindo a mais um filme dele (só assisti porque é curto, ok?). Esse foi o primeiro filme do diretor (acho) e é bastante impressionante porque ele fez o filme inteiro quase sozinho. Mas tirando isso, achei o filme meio chatinho. Como sempre, temos um casal como protagonista, dessa vez no futuro. A menina parte em uma missão espacial e continua a manter contato com o menino por mensagens de texto, mas à medida que ela se afasta mais da Terra, mais difícil é manter a comunicação. Os cenários são bonitos como sempre, mas o character design é bem feinho.
Nota: 2,75

Aquisições


Não comprei nada em maio, viva! O único livro novo foi História da menina perdida, que ganhei de aniversário da minha tia.