segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Livro: O brilho do amanhã

Título: O brilho do amanhã
Título original: Radiance of Tomorrow
Autor: Ishmael Beah
Tradução: George Schlesinger
Editora: Companhia das Letras

O vilarejo Imperi foi quase completamente destruído durante a guerra civil na Serra Leoa. Após a guerra, seus moradores retornaram aos poucos, reconstruindo seus lares, reatando os laços entre eles e retomando tradições. No entanto, voltar à normalidade é complicado, especialmente quando uma grande companhia mineradora se instala na região, transformando a vida dos habitantes.

A história se concentra em dois personagens, Benjamin e Bockarie. Em um ambiente violento, corrupto e em que falta de tudo, os dois professores tentam dar educação às crianças e unir a comunidade. O livro mostra o impacto doloroso e cruel da guerra e do colonialismo nas vidas sofridas dos personagens, mas também mostra como eles resistem e encontram esperança e alegria uns nos outros.

O que tenho a criticar no livro é que achei que o autor cai na tentação de mostrar a tradição como o lado certo, como se os costumes da vida pré-guerra fossem o ideal, e as mudanças fossem sempre para pior. (Não que isso não seja o que acontece na vida real, mas às vezes o número de desastres da história parece exagerado. Nem dá tempo para você sentir o impacto de um desastre para outro acontecer logo em seguida.)

O estilo do autor também não me agradou tanto quanto eu gostaria. Ele às vezes usa imagens derivadas da tradição oral e das línguas locais, em um tom poético, o que é interessante, mas não achei que esse estilo casa muito bem com o resto do texto, mais convencional.

Em suma, apesar da capa simpática em cores vivas e do nome esperançoso, O brilho do amanhã é um romance intenso, que nos mostra a realidade cruel da Serra Leoa. E apesar das minhas críticas, ele é bastante impactante e apresenta alguns personagens interessantes.

Lido para o Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros, representando a Serra Leoa.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Randomicidades do mês: setembro/2017 (animes, séries e filmes)

Continuando com as randomicidades de setembro...

Animes e séries


Sengoku Choujuu Giga: Kou
Anime curtinho que retrata figuras históricas do período Sengoku como animais e faz piada com situações históricas. O que me atraiu nesse anime foi a arte, que lembra arte clássica japonesa. Infelizmente, boa parte das histórias exigem do espectador algum conhecimento dos personagens e acontecimentos históricos para fazer sentido. Como não tenho esse conhecimento, não entendi várias piadas e fiquei meio perdida em alguns dos episódios, mas, como ele têm apenas cerca de três minutos, não foi tão ruim assim. É um anime engraçadinho e meio bizarro. Não gostei o suficiente para assistir à segunda temporada, mas valeu a pena ter matado a curiosidade de conhecer o desenho.
Nota: 2,75


Master of None (2ª temporada)
Conheço algumas pessoas da internet que amam muito essa série. Eu não sou tão entusiasta dela, mas a acho gostosinha de assistir e de vez em quando tem alguns episódios muito bons. Essa temporada se inicia com o Dev na Itália, aprendendo a fazer massas e a falar italiano. Confesso que não gostei muito dessa parte e fiquei contente quando ele voltou para Nova York. O destaque foi o episódio do Thanksgiving, que mostra o almoço de família de Denise (uma das amigas de Dev) ao longo dos anos. Pena que a série terminou com episódios meio fracos.
Nota: 3,5


Hoozuki no Reitetsu
Hoozuki é assistente de Enma, rei do Inferno. Ele trabalha com eficiência, frieza e sadismo para administrar a região, manter os funcionários na linha e punir todos que merecem. O anime apresenta personagens de lendas orientais, como Momotaro, além de figuras da mitologia judaico-cristã, como Belzebu. Como em qualquer anime de comédia, algumas piadas são engraçadas, outras não têm graça nenhuma (e algumas você fica sem entender por falta de referência), mas o anime tem um charme que me conquistou mesmo quando o humor falhava. O character design é muito bonito e criativo (o Shiro é um dos cachorros mais fofinhos que já vi) e as paisagens do Inferno são incríveis.
Nota: 3,5


Tsurezure Children
Com 12 minutos por episódio, esse anime mostra diferentes casais. Há amigos de infância que vivem fazendo piadas entre si e não sabem como agir quando começam a namorar, a menina tímida que não percebe que o colega gosta dela, a delinquente que se apaixona pelo representante da classe. Há declarações de amor, desentendimentos, momentos de nervosismo e sorrisos. Essa maneira panorâmica de contar a história é bem interessante e dinâmica, apesar de não se aprofundar muito em nenhum casal. O anime tem seus momentos bobos e clichê, mas é uma comédia romântica fofa e agradável.
Nota: 3,5


WWW.Working!!
Esse anime se passa no mesmo restaurante que o anime Working!!, porém apresenta personagens diferentes. Como na primeira série, temos um grupo de personagens cheios de excentricidades e as mesmas piadas são repetidas à exaustão. No entanto, no primeiro anime, acabei me apegando à maioria dos personagens com o tempo e apreciando a evolução deles. Já neste, só fiquei irritada mesmo. Alguns dos coadjuvantes são divertidos, mas achei a história dos protagonistas, com toda a coisa do chocolate de dia dos namorados, insuportável, e isso estragou um pouco a experiência de acompanhar a série. Além disso, não consegui deixar de comparar os personagens deste anime com os do “original”, e eles saíram perdendo feio.
Nota: 2,75


Neo Yokio
Essa é uma produção da Netflix em estilo anime. Quando fiquei sabendo dela, fiquei curiosa porque ela foi criada pelo vocalista do Vampire Weekend. Quando vi o trailer, fiquei ainda mais curiosa, porque parecia trash demais. E quando assisti, vi que é trash mesmo. Neo Yokio é uma metrópole modernosa, dominada pelos ricos. Kaz é um desses ricos, mas não tão rico assim, pois ele precisava trabalhar no negócio da família, caçando demônios, embora preferisse ficar deprimido em seu canto devido ao fim de um namoro. Ele então parte para o trabalho, encontrando uma blogueira de moda muito influente, lidando com a alta sociedade da cidade, subindo e descendo no ranking de solteiro mais desejado e derrotando alguns demônios pelo caminho. É difícil dizer se Neo Yokio é propositalmente ruim, mas, para mim, ele é o tipo de ruim que quase vira bom.
Nota: 3

Filmes


Moulin Rouge
De tanto ver patinadores anunciando programas com as músicas de Moulin Rouge, decidi que era hora de ver filme. Não gosto muito de musicais, não gostava das músicas do filme que já conhecia e não gosto muito da estética exagerada do Baz Luhrmann, então as expectativas eram baixíssimas. No começo as expectativas se confirmaram, mas no final até que envolvi com a história. Não é nenhuma obra-prima, não merece ser warhorse de patinação, mas fazer o quê? 
Nota: 2,75


Invasão zumbi
Pelo título, esse é um filme que eu nunca veria. No entanto, vi muita gente falando bem dele e resolvi dar uma chance. No filme, um homem muito ocupado com o trabalho está levando a filha para Busan para visitar a mãe, porém as coisas começam a sair de controle quando as pessoas são infectadas e começam a se transformar em zumbis. A parte da ação é bastante empolgante, até para quem não gosta de ação, como eu. A parte mais emocional, sobre a aproximação entre pai e filha, às vezes é piegas demais.
Nota: 3,5 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Randomicidades do mês: setembro/2017 (livros)

Toda vez que venho escrever o post de randomicidades fico surpresa em ver como minha noção de passagem de tempo está estranha. Sinto como se tivesse lido os primeiros livros da lista há uma eternidade, mas não, foi há apenas um mês. Eu já devia estar me acostumando a isso, no entanto, parece que fico cada vez mais surpresa.

Setembro foi meio agitado e li menos do que gostaria. Empaquei em algumas leituras que prometiam ser rápidas, mas pelo menos consegui terminar a antologia de contos russos que comecei a ler há apenas alguns aninhos, haha. Agora finalmente posso partir para outra das coletâneas de contos que tenho na estante. Quantos anos será que vou demorar em cada uma delas?

Os animes, séries e filmes do mês vão ficar para outro post.

Livros lidos


O jardim de cimento - Ian McEwan
Gosto muito do Ian McEwan, apesar de ele ter um ou outro livro meio chatinho. O jardim de cimento foi o primeiro romance dele e conta a história de quatro irmãos que passam a viver sozinhos depois que os pais morrem. Com medo de ser separados e enviados a um orfanato, eles não contam a ninguém sobre a morte dos pais e tentam se virar por conta própria. É um livro um pouco perturbador, às vezes desagradável, mas bastante fascinante. Me lembrou um pouco o filme Ninguém pode saber do Hirokazu Koreeda.
Nota: 4


Codinome Verity - Elizabeth Wein
Reli esse livro do qual lembrava muito pouco. Ele é bastante elogiado por aí, mas não conseguiu me empolgar, provavelmente porque toda a primeira parte se concentra demais no trabalho das personagens durante a guerra, e achei tudo meio desinteressante. O livro quer que a gente se apegue às protagonistas e à amizade delas, mas senti falta de mais momentos delas juntas e não me apeguei. Apesar disso, é um livro bem escrito, e imagino que alguém um pouco mais interessado na Segunda Guerra e em aviões talvez aproveite mais a leitura.
Nota: 3


Jurassic Park - Michael Crichton
Lembro muito pouco do filme do Spielberg que, apesar de divertido, não me marcou especialmente. Depois de ouvir falar muito bem do livro, fiquei curiosa e decidi ler, mesmo não sendo a maior fã de dinossauros. A primeira metade da história me deixou bem empolgada: gostei de ficar sabendo do parque aos poucos e de ver os personagens entrando em contato com os dinossauros. No entanto, a metade final, com a pane no parque e os dinossauros à solta, me cansou um pouco porque era basicamente os personagens fugindo de um dinossauro para então ser atacados por outro dinossauro.
Nota: 3,5


Zazie no metrô - Raymond Queneau
Uma menina vai passar uns dias com o tio em Paris. Ela quer andar de metrô, mas infelizmente o metrô está em greve, então ela anda por aí, conhecendo pessoas estranhas e passando por situações mais estranhas ainda. É um livro estranho e talvez eu não estivesse no humor certo quando li. Estava gostando dele no começo, mas comecei a me cansar das esquisitices mais para o final.
Nota: 3


Nova antologia do conto russo - Bruno Barretto Gomide (org.)
A antologia reúne contos de 1792 a 1998, com autores famosos como Dostoiévski, Púchkin e Tchekhov e outros dos quais eu nunca tinha ouvido falar. Gosto bastante do pouco que li de literatura russa, porém boa parte dos contos selecionados aqui não me agradou tanto. Em certos momentos, senti que estava lendo os contos só para acabar o livro, sem me importar muito com as histórias. Apesar disso, gostei de conhecer autores de diferentes épocas e estilos. Meus contos preferidos foram "Luz e sombras", de Fiódor Sologub, sobre um garoto que fica fascinado em criar sombras com as mãos, a ponto de negligenciar os estudos para ficar criando imagens nas paredes, e "O caça-ratos", de Aleksandr Grin, sobre um homem que se abriga em um labiríntico prédio abandonado, onde ouve e vê coisas estranhas.
Nota: 3,25


Opisanie Świata - Veronica Stigger
Um polonês recebe uma carta de um filho que ele nem sabia que tinha. Internado na Amazônia, o filho pede que ele venha lhe visitar. O pai parte rumo ao Brasil e conhece um brasileiro excêntrico que decide acompanhá-lo na jornada cheia de acontecimentos inusitados e surreais. É um livro bem divertido.
Nota: 4

Quadrinhos


A cidade da luz - Inio Asano
O mangá acompanha a vida dos moradores da Cidade da Luz, uma área residencial com enormes prédios. Há um adolescente que ajuda as pessoas a se suicidarem, um jovem autor de mangás, uma dupla de meninas adolescentes, dois homens que criam uma menina que talvez seja filha de um deles. A estrutura da obra lembra a de Nijigahara Holograph, com histórias que se entrelaçam levemente, embora aqui elas sejam mais lineares. Como é Inio Asano, não espere nada muito feliz.
Nota: 3,25


Entre umas e outras - Julia Wertz
Graphic novel autobiográfica sobre a mudança da autora de São Francisco para Nova York. Em vez de uma versão descolada da vida na cidade, encontramos as dificuldades de se adaptar, de arranjar emprego e apartamento, tudo com uma boa dose de humor autodepreciativo. O traço, não vou mentir, é meio feio. Esse não é o quadrinho para quem gosta de ficar se deleitando com as ilustrações. Porém, se você relevar isso, dá para se divertir bastante.
Nota: 3,75

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tag da patinação

Vi algumas pessoas no Twitter respondendo uma tag sobre a nova temporada de patinação e resolvi responder também, acrescentando algumas perguntas que acho interessantes.

Shoma

- Patinador favorito (em geral)
Shoma Uno!!!

- Homem sênior
Shoma Uno

- Mulher sênior
Satoko Miyahara

- Par sênior
Sui/Han (mas gosto bastante de Savchenko/Massot também)

- Dupla de dança sênior
Virtue/Moir, Papadakis/Cizeron e Gilles/Poirier (depende bastante do programa)

Anastasiia

- Homem júnior
Donovan Carillo

- Mulher júnior
Anastasiia Gubanova

- Par júnior
Não assisto o suficiente para ter um favorito. :(

- Dupla de dança júnior
Também não assisto o suficiente. :(

Pechalat/Bourzat

- Homem aposentado favorito
The one and only Daisuke Takahashi!

- Mulher aposentada favorita
Sasha Cohen

- Par aposentado favorito
Shen/Zhao? Não costumava acompanhar muito os pares

- Dupla de dança aposentada favorita
Pechalat/Bourzat

Top 6 masculino

- Disciplina favorita
Homens, dança, mulheres, pares, nessa ordem (mas na temporada passada eu gostei mais dos pares do que esperado e menos da dança)

- Pódio dos sonhos no masculino
Yuzuru, Shoma, Patrick (ou Misha, né, é um pódio dos sonhos)

- Pódio dos sonhos no feminino
Satoko, Wakaba, Zijun. Hahaha, qual é a chance disso acontecer?

- Pódio dos sonhos nos pares
Sui/Han, Savchenko/Massot, Peng/Jin (ou Stolbova/Klimov. Ou James/Cipres).

- Pódio dos sonhos na dança
Virtue/Moir, Papadakis/Cizeron, Gilles/Poirier, mas depende muito dos programas.

- Pódio dos sonhos na competição por equipes
Canadá, Japão, China (desses, só o Canadá tem chance).

Evgenia, Anna e Ashley no mundial de 2016

- Mulheres para a equipe olímpica russa (3)
Não tenho grandes preferências, mas eu escolheria Evgenia Medvedeva (seria triste ela dominar tudo durante duas temporadas e flopar bem na temporada olímpica), Anna Pogorilaya (muitos altos e baixos, gostaria que ela tivesse uma boa experiência olímpica) e... não sei, não tenho outras favoritas.

- Mulheres para a equipe olímpica japonesa (2)
Satoko e Wakaba, por favor! Gosto das outras patinadoras, mas as que citei são duas das minhas favoritas atualmente.

- Mulheres para a equipe olímpica americana (3)
Ashley Wagner, Mirai Nagasu, Karen Chen

- Homens para a equipe olímpica americana (3)
Nathan Chen, Adam Rippon (ele canta a música do próprio programa, merece 10 de PCS!) e Jason Brown.

Gilles/Poirier

- Programa que você está mais empolgado para ver
O longo de Gilles/Poirier. Eles sempre são criativos (e às vezes estranhos) em suas escolhas, então estou curiosa para ver o que eles vão criar desta vez.

- Escolha musical que você menos gosta
Moulin Rouge. Depois de ver trocentos patinadores escolhendo a trilha sonora, até resolvi assistir ao filme para ver o que ele tem de especial e descobri que é um filme meio chato e que realmente não gosto das músicas.

- Warhorse favorito
Considerando apenas a música, Lago dos cisnes. Na patinação, Libertango e tangos em geral.

Han Yan

- Salto favorito
Triple axel

Sasha Cohen

- Spin favorito?
Layback

- Tanos ou rippons?
Rippons

- Rumba ou cha cha?
Cha cha. O padrão da rumba é meio sem graça.

- Zagitova ou Medvedeva?
Medvedeva, mesmo não gostando muito dos programas dela.

- Que patinadores/países que ainda não tem vaga você quer ver nas Olimpíadas?
Para citar um em cada categoria: Isadora Williams (Brasil!), Julian Yee (Malásia), Ryom/Kim (Coreia do Norte), Coomes/Buckland (Inglaterra).

- Música que você gostaria que alguém patinasse
Trilha sonora de Migração Alada! Ou a Sinfonia Pastoral do Beethoven (para um programa de dança, talvez?). Não sei se essas músicas funcionariam como programa de patinação, mas seria legal ver alguém tentando. Meus ouvidos agradeceriam!

É isso! Agora é só assistir às competições, torcer, vibrar e sofrer!

YAY!

domingo, 10 de setembro de 2017

Randomicidades do mês: agosto/2017 (parte 2)

Continuando com as randomicidades do mês...

Animes / séries


Mozart in the Jungle - 3ª temporada
Essa série sobre o mundo da música clássica é tão delicinha de se assistir, terminei a temporada em pouquíssimo tempo. A temporada se inicia com os personagens em Veneza, onde o protagonista vai reger uma famosa e temperamental cantora de ópera. Embora eu tenha gostado da mudança de ares, fiquei feliz em ver todos os personagens voltando para Nova York para resolver os problemas da greve dos músicos da orquestra. Eu não estava super animada em assistir a temporada quando ela foi lançada, mas foi só começar o primeiro episódio que lembrei o quanto gosto da série.
Nota: 3,75


Paradise Kiss
Anime sobre uma estudante do ensino médio focada nos estudos que tem sua vida transformada ao conhecer um grupo de estudantes de moda que a convidam para ser a modelo deles. O encontro a faz reavaliar suas escolhas e a pensar mais no que quer do futuro, afinal, ela sempre fez tudo o que os pais esperavam dela. Gostei bastante do anime, que apresenta personagens e situações realistas, um visual interessante e música de encerramento do Franz Ferdinand!
Nota: 4


Yami Shibai
Anime curtinho de terror com histórias baseadas em lendas urbanas. Com poucos minutos por episódio, a série faz um bom trabalho ao criar uma atmosfera de terror. O estilo simples da animação, inspirado no kamishibai (teatro de papel, uma forma de contar histórias com rolos com imagens), apesar de simples, colabora para o clima misterioso. Como qualquer série episódica, alguns episódios são meio fracos, mas no geral gostei bastante.
Nota: 4


Gangsta.
Na cidade de Ergastulum, controlada por diferentes facções, Worick e Nicholas são mercenários que aceitam trabalhos variados, de fazer entregas a se livrar de pessoas indesejáveis. Ao eliminar um cafetão, eles tomam Alex, uma prostituta nova na cidade, sob sua proteção, e ela passa a ajudá-los no trabalho. O anime começa bastante promissor, juntando personagens interessantes e um belo visual, mas começa a desandar logo. O ritmo fica um tanto apressado, a qualidade da animação dá uma caída lá pela metade final e o anime termina sem concluir nada da história, na expectativa de uma segunda temporada que dificilmente virá.
Nota: 3,25

Comecei a ver: Tsurezure Children, WWW.Working!!, Sengoku Choujuu Giga: Kou

Filmes


The Silenced (Lee Hye-yeong, Hae-Yeong Lee)
Assisti a esse filme sem saber nada sobre ele, só porque a imagem e a sinopse na Netflix me chamaram a atenção. É interessante ver um filme sem saber o que esperar, sem nem mesmo saber o gênero direito. No final, ele foi uma surpresa positiva. Ambientado na Coreia dos anos 30, o filme é sobre uma menina enviada a um internato/sanatório. Frágil e pouco assertiva, ela não é muito bem recebida pelas colegas, com uma exceção. Porém, esse é o menor dos seus problemas, pois coisas estranhas começam a acontecer. Gostei de como o clime de suspense é construído, das protagonistas e das atuações. O final, meio corrido e exagerado, decepciona um pouco.
Nota: 3,5


Kiss & Cry (Sean Cisterna)
Como sou fã de patinação no gelo, não pude deixar de assistir a esse filme que 1) cita Yuzuru Hanyu! 2) tem cenas gravadas no Cricket Club, local onde alguns patinadores famosos treinam; 3) o técnico da protagonista supostamente é o Shin Amano, juiz conhecido por sua rigidez. Apesar de ser um filme sobre uma patinadora, ele é, antes de tudo, um filme de doença. Mesmo sabendo disso, eu esperava que ele mostrasse um pouquinho mais de patinação, mas não, o filme prefere mostrar como a protagonista é inspiradora ao lutar contra o câncer, o que poderia render um filme minimamente decente se ela não fosse uma pessoa tão chata. Me sinto um pouco mal por achá-la tão irritante, porque o filme é baseado em uma história real e a atriz que interpreta a protagonista era amiga dela, mas... ela é chata. E o filme é fraco.
Nota: 2,5


A garota húngara (Attila Szász)
Outro filme que vi sem saber nada sobre e que acabou se revelando melhor do que eu esperava. Na década de 1910, uma jovem começa a trabalhar como criada na casa de uma prostituta abastada. Ela logo cai nas graças da patroa, que passa a mimá-la, provocando a inveja da governanta, que no passado foi muito próxima da patroa. Gostei de como os relacionamentos entre as três personagens são construídos.
Nota: 3,5

Curtas


Crac! (Frederic Back)
O curta de animação acompanha a trajetória de uma cadeira de balanço desde sua criação, mostrando as mudanças ao seu redor durante os anos. O filme é uma graça, com traço simples e cores suaves que lembram ilustrações de livros infantis.
Nota: 3,5


Inaka Isha (Koji Yamamura)
Adaptação do conto "Um médico rural" de Franz Kafka. No meio de uma noite gelada, um médico é chamado para cuidar de um doente, mas ele não tem um cavalo para transportá-lo. Um homem misterioso surge de um chiqueiro e oferece dois belos cavalos, que o médico aceita, partindo rumo a uma viagem cheia de acontecimentos estranhos. Nunca li o conto do Kafka e não sei o quanto a leitura me ajudaria a compreender a história, que é um tanto confusa e surrealista. A arte é incrível e combina perfeitamente com o clima de estranhamento do filme.
Nota: 3,75

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Randomicidades do mês: agosto/2017

Agosto foi um mês bem movimentado em questão de leituras, filmes e séries, então vou dividir o post em duas partes. Primeiro vamos às leituras.

Livros lidos
 

Miramar - Naguib Mahfouz
Nota: 3


Coisa de louco - John O'Farrell
Alice e David são pais super-zelosos que fazem de tudo pelo bem de seus filhos, chegando ao ponto de fazer uma prova pela filha mais velha para garantir que ela passe no exame de admissão de uma escola de elite. Todas as pessoas com quem convivem fazem parte da mesma bolha rica, competitiva e preocupada em excesso com os filhos. O livro é uma sátira a esse tipo de comportamento e é bastante divertido em seus exageros.
Nota: 3


Vulgo Grace - Margaret Atwood
A partir de um caso real, a autora conta a história de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ajudar a assassinar o patrão e a governanta. Alguns anos após o crime, muitas pessoas acreditam na inocência dela, e um médico tenta investigar e compreender quem realmente é Grace. Achei o livro um pouco cansativo em alguns momentos, mas gostei bastante da construção dos personagens e do estilo da narrativa.
Nota: 3,75


Kenshin Kaden - Nobuhiro Watsuki
Livro com entrevistas, curiosidades, fichas dos personagens etc. sobre o mangá Rurouni Kenshin (meu mangá favorito da vida). Ele tem um material bem interessante, mas preferiria que trouxesse mais coisas novas e não se ocupasse tanto do resumo da história, que ocupa cerca de metade do livro.
Nota: 3


Botchan - Natsume Soseki
Um jovem professor novato chega a uma cidadezinha para lecionar matemática na escola local. Desacostumado com o mundo conservador e sufocante de uma cidade pequena, impulsivo, arrogante e inexperiente, ele tem dificuldade em se adaptar ao local, principalmente ao lidar com os alunos bagunceiros e desrespeitosos e com os colegas manipuladores. É um livro leve e divertido. Não leia esperando uma obra muito profunda.
Nota: 4


Stealing Heaven - Elizabeth Scott
Danielle é uma jovem que foi treinada desde pequena para ser uma ladra. Ela e a mãe se especializaram em roubar prataria de casas de ricos e vivem viajando de um canto para outro à procura da próxima vítima. O problema é que Danielle não gosta disso, mas não tem coragem de contrariar a mãe, que é a única família que ela tem. Ao chegarem a Heaven, uma pequena cidade litorânea, ela sente mais do que nunca que gostaria de ter uma vida normal. Gostei da premissa do livro, dos personagens e do estilo gostoso de ler. O final não me pareceu muito convincente.
Nota: 3


A brincadeira favorita - Leonard Cohen
Romance de formação com toques autobiográficos sobre um jovem judeu de Montreal. Escrito em capítulos curtos que se asemelham a pequenos contos poéticos, o livro narra sua obsessão por mulheres e sexo, o relacionamento com os pais e com o melhor amigo. O protagonista é um personagem um tanto detestável e sua história de vida me parece um pouco genérica, mas isso não me incomodou muito.
Nota: 3,5


Objetos cortantes - Gillian Flynn
Camille é uma repórter de um jornal não muito importante em Chigago. Seu chefe a encarregou de uma tarefa: escrever sobre o desaparecimento de uma menina em sua cidade natal, que pode estar relacionado com o assassinato de outra garota no passado. Camille então volta à cidade e à família da qual queria distância. Escolhi ler esse livro porque estava com vontade de ler um thriller bem envolvente, desses que não dá vontade de largar, e felizmente ele correspondeu às minhas expectativas.
Nota: 4


Hotel Íris - Yoko Ogawa
O livro narra o relacionamento pouco usual entre uma jovem de 17 anos e um tradutor idoso. Mari está sempre trabalhando no hotel da família sob os olhos atentos da mãe e raramente tem tempo para si. Ao conhecer o tradutor, ela fica estranhamente fascinada pelo sujeito misterioso, e os dois mergulham em um relacionamento intenso. O livro é um tanto estranho e o relacionamento entre os protagonistas, um pouco mais perturbador do que eu estava esperando. Apesar disso, foi uma boa leitura.
Nota: 3

Quadrinhos


Fullmetal Alchemist - Hiromu Arakawa
Esse é um dos mangás mais famosos e elogiados por aí, o que pode ter me deixado com expectativas altas demais e feito eu me decepcionar um pouquinho. Ele narra as aventuras de dois irmãos que aprenderam alquimia para trazer a mãe de volta à vida, um grande tabu no mundo deles. A tentativa deles não dá certo: como consequência, um deles perde um braço e uma perna e o outro perde o corpo inteiro, tendo sua alma transplantada para uma enorme armadura. Os irmãos então partem em busca da pedra filosofal, que lhes dará poder para recuperar seus corpos originais, e acabam se envolvendo em mistérios muito maiores. O mangá apresenta personagens carismáticos, uma história interessante e coesa com alguma profundidade, um bom ritmo e um final bem redondinho. Ele é bom, mas não foi tudo o que eu esperava.
Nota: 3,75


A sakabatou de Yahiko - Nobuhiro Watsuki
História curtinha protagonizada pelo Yahiko alguns anos depois do fim da história original do mangá Rurouni Kenshin. Nela, Yahiko vai passar um tempo em um dojo de um conhecido da Kaoru e se envolve em um incidente. Sem Kenshin por perto, cabe a ele salvar o dia. É uma história simpática, boa para a fã nostálgica que eu sou.
Nota: 3,5

Aquisições


Eu estava meio por fora dos lançamentos de mangás, então, quando vi que A cidade da luz já tinha sido lançado, fui logo comprar. Aproveitei para levar também Joe Speedboat, que estava baratinho. A sakabatou de Yahiko é o mangá que faltava na minha coleção de Rurouni Kenshin.


Essas foram as compras da minha irmã. Estou muito curiosa a respeito de A Little Life. Essa capa de The Dispossessed é feia, né?

É isso. Depois eu posto sobre os filmes e cia.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Livro: Miramar

Título: Miramar
Autor: Naguib Mahfuz
Tradução: Safa Abou Chahla Jubran
Editora: Berlendis & Vertecchia Editores

Nos anos 60, na cidade de Alexandria, no Egito, cinco homens se hospedam na pensão Miramar, que no passado foi gloriosa, mas cujo brilho se perdeu após a revolução. Com idades, personalidades e objetivos bastante diferentes, eles passam a conviver nesse ambiente. A presença de Zohra, uma bela camponesa que trabalha como criada na pensão, desperta a cobiça de alguns e gera tensão entre os hóspedes.

Cada capítulo é narrado por um dos personagens, que conta a sua vida e apresenta sua visão sobre os acontecimentos na pensão. Temos um ex-jornalista idoso, um jovem proprietário de terras, um locutor introvertido e um contador metido em negócios arriscados, mas a personagem mais interessante é Zohra, uma jovem decidida que foi trabalhar na pensão após fugir de um casamento forçado. É em torno dela que a maioria dos acontecimentos gira. 

A alternância de focos narrativos é sempre um recurso interessante. Aqui, ela nos permite vislumbrar o passado dos personagens, bastante marcado pela revolução de 1952, e o ponto de vista de cada um sobre o que acontece durante a estadia deles na pensão, das conversas despreocupadas em datas comemorativas a brigas no meio da noite. Por outro lado, alguns dos acontecimentos não são tão interessantes assim para merecer quatro relatos diferentes sobre eles, algumas vezes sem muita variação.

No início, fiquei um pouco perdida em meio às referências históricas do livro. Não sei quase nada sobre o Egito e, principalmente no começo da narrativa, nomes e fatos históricos são bastante citados. Porém, aos poucos me acostumei e me deixei envolver pela história.

O livro me surpreendeu com o estilo narrativo e com uma história mais cheia de acontecimentos e mistério do que eu esperava, mas não me conquistou totalmente, talvez porque achei a maioria dos personagens chata e por ter ficado meio perdida no contexto histórico.

Livro lido para o desafio Volta ao Mundo em 80 Livros, representando o Egito.