quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sobre o Desafio Literário 2011

Considero encerrada minha participação no Desafio Literário 2011. Eu até pensei em escrever algo mais elaborado sobre como foi divertido e como expandiu meus horizontes etc. mas não sou esse tipo de pessoa. Até porque não sei se expandiu meus horizontes mesmo e_e

Aqui vai a lista dos livros que li (que no final ficou bem diferente da lista que elaborei no ano passado):
(para facilitar a visualização, você pode ver a minha estante do DL no Skoob)

Janeiro - Literatura infanto-juvenil
A órbita dos caracóis - Reinaldo Moraes
A bolsa amarela - Lygia Bojunga
As aventuras de Pinóquio - Carlo Collodi

Fevereiro - Biografias/Memórias
Infância - Graciliano Ramos
Persépolis - Marjane Satrapi

Março - Romance épico
Dom Quixote - Cervantes

Abril - Ficção científica
O homem do castelo alto - Philip K. Dick
O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams
A clockwork orange - Anthony Burgess

Maio - Livro reportagem
Nenhum. Acabei evitando o tema :P

Junho - Peças teatrais
Seis personagens à procura de autor - Luigi Pirandello
Pygmalion - Bernard Shaw
Escola de mulheres/As Sabichonas - Molière

Julho - Novos autores
Se eu fechar os olhos agora - Edney Silvestre
O Véu - Willian Nascimento
Binno OXZ e o Clã de Prata - Fábio Henckel
Ovelhas que voam se perdem no céu - Daniel Pellizzari

Agosto - Clássicos da literatura brasileira
Angústia - Graciliano Ramos
As Meninas - Lygia Fagundes Telles
Lucíola - José de Alencar

Setembro - Autores regionais
Paulicéia Desvairada - Mário de Andrade

Outubro - Nobel
Sartoris - William Faulkner
Mara and Dann - Doris Lessing
A dançarina de Izu - Kawabata

Novembro - Contos
Filhos da Pátria - João Melo
Uma outra vida - John Updike
Contos - Katherine Mansfield
Histórias da meia-noite - Machado de Assis

Dezembro - Lançamentos do ano
Fama - Daniel Kehlmann
Um dia - David Nicholls
Lago dos sonhos - Kim Edwards
Quarto - Emma Donoghue
O caso da criada desaparecida - Tarquin Hall
E, claro, vou elaborar uma lista de "melhores/piores", porque eu adoro listas :D

Melhores livros (mais ou menos em ordem): Angústia, A clockwork orange, As meninas, Quarto, O homem do castelo alto, Contos - Katherine Mansfield.

Menção honrosa: Uma outra vida, que me fez voltar a tocar flauta doce e valorizar mais o instrumento.

Livros que menos gostei: não cheguei a desgostar muito de nenhum, mas sofri um pouquinho na leitura de Lago dos sonhos (tedioso), Filhos da pátria (não faz muito meu estilo), Mara and Dann (poderia ser mais curto; histórias de viagem são repetitivas), Pauliceia Desvairada (amo o Mário, mas poesia não é minha praia), O véu (meio amador), O guia do mochileiro das galáxias (ver em "Decepções") e As aventuras de Pinóquio (prefiro o da Disney :D).
Aí eu vejo essa lista e penso, "meu, como eu sou chata!"

Boas surpresas: As meninas (sim, eu sei que muita gente ama a Lygia Fagundes Telles, mas eu achei que o estilo dela fosse feminino e intimista demais para o meu gosto. Mas, surpresa!, eu gostei muito!) e O caso da criada desaparecida (não esperava grande coisa e acabou sendo um dos livros mais envolventes que li para o DL).

Maiores decepções: O guia do mochileiro das galáxias (eu sabia que a chance de me decepcionar era grande, mas no final achei o livro mais chatinho do que eu esperava) e, talvez, Um dia, porque eu tinha altas expectativas.

Mês que mais me agradou (no geral): ao elaborar minha lista, o mês que me parecia o mais fabuloso era o de literatura infanto-juvenil, mas acabei não gostando tanto assim de nenhuma das minhas escolhas. Em compensação, adorei ler as resenhas dos outros participantes, tinham muitas de livros que são meus queridinhos.
Acabei preferindo os meses de ficção científica (não só pelas minhas escolhas, mas também porque muitos livros resenhados pelos participantes me interessaram), de clássicos brasileiros e de contos (pena que esse mês não teve grande número de participações, o que me deixa meio triste e... com ódio do mundo? Contos são mágicos e é frustrante ver que um monte de gente não gosta).

Acho que é isso. Obrigada e até ano que vem. :D

DL 2011 - O caso da criada desaparecida


Título: O caso da criada desaparecida
Autor: Tarquin Hall
Editora: Record

Este foi outro dos livros do sebo-para-arrecadar-dinheiro-para-formatura da escola da minha irmã e custou meros dois reais. Com certeza ele valeu o preço.

No começo eu pensei em deixá-lo para o DL do ano que vem, no mês dos autores orientais, mas aí descobri que o autor é britânico e não indiano. Decepção.

Ele conta sobre um caso do detetive Vish Puri, contratado por um renomado advogado para investigar o desaparecimento de uma criada. O problema é que ninguém sabe nada sobre a criada, além de seu nome, Mary.

O detetive Puri é excêntrico, divertido e genial e conta com métodos de investigação antiquíssimos. Além desse caso principal, ele também tem que lidar com casos menores (um avô querendo investigar o noivo da neta) e com uma tentativa de assassinato. E claro que ele não enfrenta tudo isso desacompanhado e conta com a ajuda de seus assistente e até de sua mãe (contra a vontade dele, óbvio).

Eu gostei bastante do livro, tanto que li em apenas dois dias, coisa rara nesses últimos tempos (o fato de ter faltado energia colaborou, mas isso é outra história...). A história detetivesca em si não é das mais geniais e intrincadas, mas todo o resto (as personagens, o humor, o modo jocoso como o autor descreve a Índia) a transforma em algo único.

A forma que o autor escreve sobre a Índia me lembrou o livro O Tigre Branco, de Aravind Adiga. Os dois descrevem bem essa mistura de moderno e antigo, riqueza e pobreza, sempre com um tom crítico e engraçado. E talvez eu tenha uma atração platônica por lugares caóticos, o que sempre me faz ficar fascinada por histórias situadas em tais lugares.

Esta provavelmente será minha última resenha do DL de 2011. Apesar de uma certa má vontade da minha parte, no geral foi muito bom participar do desafio, descobri alguns livros que eu dificilmente leria se não houvesse esse estímulo. Mas chega de blá blá blá, eu escreverei mais sobre o DL 2011 em outro post. Tchau.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DL 2011 - Quarto


Título: Quarto
Autora: Emma Donoghue
Editora: Verus

Jack é um menino de cinco anos. Seu mundo se resume ao Quarto e ele nem imaginava que existia o Lá Fora e que a maioria das coisas que ele vê na TV são reais. Ele e a Mãe passam todos os dias lá dentro: inventam várias brincadeiras, comem, leem Dylan, o escavador... Porém, o Quarto na realidade é a prisão onde o Velho Nick mantém a a Mãe há anos. Para Jack, o Quarto lhe basta, já a Mãe faz o possível para sair de lá e elabora um plano de fuga perigoso.

(sou péssima em sinopses, ler a contracapa do livro seria mais proveitoso)

O livro é narrado por Jack e é um ponto de vista diferente e engraçado. Adoro narradores que são crianças, acho que a visão delas do mundo sempre torna qualquer obra mais interessante. Isso acontece em Quarto.

Apesar do tema ser um tanto pesado e triste, há muitas partes engraçadas e o livro é muito, muito, muito envolvente, bateu até uma tristeza quando acabei, um gostinho de quero mais. (atualmente é raro isso acontecer, eu fico meio aliviada quando acabo de ler os livros)

Eu queria dizer mais umas coisas, mas aí acho que é spoiler...

Ai, é tão difícil escrever resenhas de livros que eu gostei. :(

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DL 2011 - Lago dos sonhos


Título: Lago dos Sonhos
Autora: Kim Edwards
Editora: Arqueiro

"Mas o passado não parava de ressurgir, insistente como água jorrando de uma nascente, e minha curiosidade para saber o que havia acontecido com Rose e sua filha e como suas vidas talvez pudessem ter contribuído para construir a minha estava agora intensa como a fome. Isso se devia em parte ao mistério puro e simples, ao desejo de pôr todas as peças no lugar e solucionar o quebra-cabeça. Mas tinha a ver também com minha própria existência e com todos os fragmentos espalhados que talvez entrassem em foco se eu conseguisse vê-los através de uma lente mais limpa." (p. 95)
Após a morte do pai, Lucy abandonou sua cidade natal e passou a viver de maneira quase itinerante: de um país para outro, de um emprego para outro. Porém, quando decide voltar para visitar a mãe, ela percebe que ainda estava irremediavelmente presa ao passado. Ela descobre na casa antiga uma velha manta, panfletos e um bilhete, e a partir daí passa a investigar sobre uma suposta parente esquecida. Suas descobertas mudarão a forma como ela vê sua própria vida.

Eu não escolhi esse livro, ele é que me foi emprestado e como é deste ano e eu teria que ler de qualquer jeito, li para o DL. A leitura foi penosa; em certas partes eu simplesmente não consegui engrenar e quando começava a me interessar mais pela história, vinha alguma coisa externa me atrapalhar.

Admito que eu não entendo essa força do passado que a Lucy sente. Sim, a história de Rose é interessante e investigar isso deve ter sido divertido, como dar uma espiada na correspondência alheia. Mas todo esse peso dos antepassados me pareceu meio exagerado e isso me incomodou, porque eu simplesmente não via sentido nos esforços de Lucy.

Isso não quer dizer que o livro seja ruim (embora eu também não o ache bom). Só não faz o meu estilo.

E às vezes ele adota um tom muito politicamente correto para o meu gosto.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

DL 2011 - Um dia


Título: Um dia
Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca

Aposto dez centavos que esse será o livro mais lido deste mês no DL. Mas do jeito que eu sou azarada em apostas, aposto que vou perder a aposta (né, konyaku?). Ou não.

Acho que todos já sabem que esse livro acompanha por vinte anos a vida de dois amigos, Dex e Em, Em e Dex, sempre no dia 15 de julho, estando eles juntos ou separados, em bons ou mal momentos. Eles não têm muito em comum, o Dexter é um idiota na maior parte da história, mas eles são amigos e é isso que importa.

O livro é bom. Eu gostei bastante, foi o tipo de leitura realmente prazerosa. Mas ao mesmo tempo foi levemente decepcionante. Depois de todo o sucesso de público e crítica (tem um elogio do Nick Hornby na capa e em geral eu confio no Nick Hornby), eu esperava que esse fosse o tipo de livro que automaticamente entra na lista dos meus livros favoritos. E acho que eu estou velha demais para ficar encontrando livros favoritos a cada esquina.

Conclusão: o livro é bom, mas superestimado. E às vezes é melhor não ter expectativas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DL 2011 - Fama


Título: Fama - um romance em nove histórias
Autor: Daniel Kehlmann
Editora: Companhia das Letras

Eu achei que seria complicado arranjar livros com o tema deste mês (lançamentos do ano), mas até que comprei/ganhei um número razoável de livros deste ano.

Fama foi um presente de aniversário escolhido por mim. Li a resenha dele no jornal, eu acho, e isso me despertou certa curiosidade.

Como o subtítulo indica, o livro é formado por nove histórias que se conectam em maior ou menor grau, tanto pelo tema quanto pelos personagens. Elas apresentam personagens famosos e anônimos que se metem em desentendidos ou acabam assumindo papéis de outros. Pode ser o homem que passa a receber em seu novo celular ligações destinadas a um famoso ator de cinema ou esse mesmo ator que inventa uma vida anônima para ele e sente essa vida ir substituindo a anterior.

São contos bem contemporâneos que lidam com toda a conectividade atual (um deles é até escrito na forma de post de fórum na internet) e brincam com os tênues limites entre a realidade e a ficção.

O livro é interessante, mas sinto que poderia ser melhor. Uma ou outra história me decepcionou, principalmente a que fala de um famoso escritor brasileiro de livros esotéricos (soa familiar?), mas talvez isso tenha mais a ver com minhas expectativas do que com o conto em si . Para mim o mais legal foi buscar o que conectava os personagens em cada conto.

DL 2011 - Histórias da meia-noite


Título: Histórias da meia-noite
Autor: Machado de Assis
Editora: Martins Fontes

Desculpem pela resenha atrasada. Esse livro nem estava na minha lista e decidi lê-lo porque o peguei na biblioteca para o trabalho de filologia. Como é fim de semestre e tal, foi difícil arranjar tempo para ler.

Esse livro de 1973 reúne seis contos que foram publicados pela primeira vez no Jornal das Famílias, voltado principalmente para o público feminino. É um dos trabalhos iniciais de Machado, que não prenuncia (tão obviamente) toda a genialidade que há de vir e que ainda mostra a forte influência romântica.

A maioria dos contos apresenta temas que se tornarão comuns na obra de Machado, tudo permeado pela crítica social. Ali estão o homem que suspeita que a esposa está o traindo, o que se vê com um grande poeta (mas só ele se vê assim) etc.

Nenhum dos contos é uma obra-prima, mas são histórias interessantes, despretensiosas, algumas com reviravoltas e finais surpreendentes. Se você tem um interesse maior na obra de Machado, é uma leitura fundamental.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Desafio Literário 2012

Não sei se poderei me dedicar ao DL de 2012 como me dediquei ao deste ano, mas mesmo que eu leia um livro por mês ou desista no meio do caminho, não posso deixar de elaborar minha lista (afinal, essa é a parte mais divertida do desafio).

Nem todos os temas me agradaram muito. Na verdade, tem vários que eu achei... chatos. Mas é aquela coisa, né, quebra de preconceitos e tal. :)

A lista está sujeita a mudanças e em alguns dos meses eu coloquei bem mais opções do que pretendo ler, porque sempre é bom ter opções.

Janeiro - Literatura gastronômica
Comer, rezar, amar - Elizabeth Gilbert
Chocolate - Joanne Harris
O clube das chocólatras - Carole Matthews

Não estou muito certa das minhas escolhas, mas por enquanto vou deixar a lista assim. Não sei bem se "Comer, rezar, amar" entra totalmente no tema, já que só um terço do livro é dedicado à comida, mas minha mãe tem esse livro e ele está mofando no MEU quarto, então tenho que ler.

As outras escolhas foram meio whatever. Gostaria de ter pensado em livros mais originais, mas não me veio nada à cabeça.

Fevereiro - Nome próprio
Anna Karenina - Liev Tolstói
Robinson Crusoe - Daniel Defoe
Madame Bovary - Gustave Flaubert
Outras possibilidades:
Botchan - Natsume Soseki
Sanshiro - Natsume Soseki

No meu caso, o tema do mês deveria ser: clássicos que eu já deveria ter lido mas que por alguma razão foram evitados.
Acho que foi o tema que mais me agradou (ou pelo menos foi o tema cujas minhas escolhas mais me agradaram), mas duvido um pouco que consiga ler os três livros e mais os bônus...

Março - Serial killer
Unhas - Paulo Wainberg

Não gostei do tema, por isso só escolhi um livro. Só fiquei sabendo que esse livro era de serial killer ao vê-lo na lista de uma outra pessoa (obrigada, pessoa!), eu já tinha esse livro e o comprei só pelo título.

Abril - Escritor oriental
Haroun e o mar de histórias - Salman Rushdie (Índia)
O país das neves - Yasunari Kawabata (Japão)
Algo do Tagore (Índia) - deixarei em aberto porque acho difícil decidir.
Natsume Soseki (Japão) - também deixarei em aberto.

Li uma resenha aqui do DL falando bem desse livro do Rushdie e desde então venho querendo ler algo dele.
Quanto ao livro do Kawabata, bem, era para eu lê-lo no desafio passado, mas não achei na biblioteca. Veremos se dessa vez dá certo.
Escolhi o Soseki porque ele viveu durante a Restauração Meiji, meu período preferido da história do Japão, junto com o Bakumatsu. Sou fã de Samurai X/Rurouni Kenshin :)
E o Tagore fica como bônus. Meu conhecimento da obra dele se limita a um belo conto e, se der tempo, gostaria de conhecer mais.

Maio - Fatos históricos
O palácio de inverno - John Boyne (Revolução Russa)
As vinhas da ira - John Steinbeck (Grande depressão americana)
Amuleto - Roberto Bolaño (ditadura no México)
Bar Don Juan - Antônio Callado (ditadura no Brasil)
This Side Jordan - Margaret Laurence (independência de Gana)
Inside out and back again - Thanhha Lai (Guerra do Vietnã)

Muitas opções. Nenhuma me anima tanto.

Junho - Viagem no tempo
Replay - Ken Grimwood
A máquina do tempo - H.G. Wells

Viagem no tempo é curiosa, mas me confunde. Toda a coisa do paradoxo do tempo é muy interessante, porém as soluções que em geral se apresentam não são muy interessantes.

Julho - Prêmio Jabuti
O filho eterno - Cristóvão Tezza
O Coronel e o Lobisomem - José Cândido de Carvalho
Budapeste - Chico Buarque

Agosto - Terror
Não sou muito familiarizada com o gênero.
Quero ler algo do Clive Barker, porque eu gosto de Abarat, mas não sei que livro escolher. Dicas?

Setembro - Mitologia
Viagem pelo Brasil em 52 histórias - Silvana Salerno

Não estou em um momento muito eurocêntrico para lendas e tal, então eu queria ler algo mais próximo do meu mundo. Dicas?

Outubro - Graphic Novel
Frango com ameixas - Marjane Satrapi
Sandman - Neil Gaiman
Retalhos - Craig Thompson
Daytripper - Gabriel Bá & Fábio Moon

Minha irmã comprou os dois últimos, obrigada! Já o da Marjane é porque eu li Persépolis e gostei. E Sandman é porque eu adoro o Neil Gaiman como romancista, mas nunca li os quadrinhos dele.

Novembro - Escritor africano
Avó Dezanove e o segredo do soviético - Ondjaki
Verão - J. M. Coetzee
The Conservationist - Nadine Gordimer

Gosto muito da África, mas li pouquíssima coisa de lá. Dicas?

Dezembro - Poesia
Janelas e tempo - Teruko Oda

Não gosto muito de poesia e não sei se vou cumprir o desafio desse mês (nossa, eu soo tão derrotista e pessimista). Escolhi um livro de haikais que minha irmã leu, tipo, na quarta série, hehe.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

DL 2011 - Katherine Mansfield - Contos


Título: Katherine Mansfield - Contos
Autora: Katherine Mansfield
Editora: Cosac Naify

Eu tinha um certo carinho pela Katherine Mansfield por um razão um tanto tola talvez: li o conto Miss Brill na faculdade e simplesmente adorei. É raro eu adorar algo lido na faculdade, porque todas aquelas análises em cima da obra, apesar de abrirem várias novas perspectivas, acabam cansando e tornando a coisa meio engessada... Mas eu continuo adorando Miss Brill e no geral gostei muito do livro deste mês.

A coletânea inclui 12 contos, quase todos publicados na década de 1920. Como são vários os contos, teve aqueles que me agradaram e aqueles que achei bem esquecíveis. Destaco a sequência "Prelúdio", "Na baía" e "A casa de bonecas", que tratam dos mesmos personagens e tem relação com a infância da autora na Nova Zelândia, e, com a exceção do último, tem uma estrutura mais solta, mais próxima de um pequeno romance ou de uma novela.

Posso estar falando besteira, mas o estilo de Mansfield me lembrou Tchekov em alguns momentos (ou o que eu lembro de Tchekov). E em outros momentos me lembrou Virginia Woolf, mas de uma maneira positiva, viu? (porque não sou lá uma grande admiradora do único romance que li dela).

Eu recomendo o livro a todos os adoradores de contos (que não parecem ser tantos, infelizmente).

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

DL 2011 - Uma outra vida


Título: Uma outra vida
Autor: John Updike
Editora: Companhia das Letras

Mais um que não estava no meu plano de leitura do DL e que acabou entrando por comodidade (ou preguiça de ir à biblioteca). Bem, esse é o primeiro livro do John Updike que leio e espero que seja o primeiro de muitos. Comprei-o por dois reais no sebo-para-gerar-grana-para-a-formatura da escola da minha irmã. Dois reais, isso me deixa tão feliz!

São contos com temáticas parecidas, com protagonistas na meia-idade, todos de classe média/alta, que se veem diante de uma certa estagnação na vida, ou tentam fugir dela, ou tentam lidar com o peso das memórias, ou se deparam com a fragilidade da vida.

Os contos são ótimos e o estilo do autor me agradou muito. São história simples e focadas no cotidiano, e é exatamente disso que gostei nelas: há um montão de detalhes e nuances que dão uma nova significação ao cotidiano. Gostei particularmente de "O homem que se tornou soprano", sobre um grupo que se reúne para tocar flauta doce.

Não recomendo que se leia apressadamente um conto atrás do outro, como eu fiz. Como as histórias tratam praticamente do mesmo universo, às vezes você acaba confundindo tudo e achando que está lendo um conto sendo que está lendo outro (?) e eu acho que o livro merece uma apreciação mais pausada. Mas talvez você não seja desmemoriado como eu, então tudo bem.

domingo, 6 de novembro de 2011

DL 2011 - Os Filhos da Pátria


Título: Os filhos da pátria
Autor: João Melo
Editora: Record

Mais uma vez, eu fujo da minha lista do DL e escolho algo mais conveniente. Neste caso, um livro que eu deveria ter lido no semestre passado, para a faculdade. Mas sabe como é, né? O trabalho final daquela disciplina foi cancelado e eu me contentei com os quatro contos que já tinha lido. Até tentei retomar a leitura em outras ocasiões, mas o livro não conseguiu me seduzir. Então fui jogando-o para o canto até chegar a oportunidade perfeita para lê-lo.

João Melo é um escritor angolano e isso já faz seus contos terem um sabor especial de proximidade e de distância ao mesmo tempo. Os dez contos de Filhos da Pátria tratam pricipalmente de questões como raça, problemas sociais e políticos, e, principalmente, sobre a identidade angolana. Um exemplo é Ngola Kiluanje sobre um "angolano, embora branco" que deixou o país com a família, mas que sempre sentiu sua terra natal a atraí-lo de volta. Ou o estilista de O efeito estufa, obcecado com a identidade nacional e contrário a qualquer influência portuguesa, como se fosse um Policarpo Quaresma angolano.

São contos ágeis, que mostram uma realidade crua e cruel. Às vezes crua e cruel até demais.

O narrador é irônico, vive fazendo intrusões que às vezes se prolongam por metade do conto, o que irrita. Ele tem lá suas razões, mas irrita.

Como o conto deve ser enxuto, ou ele te conquista ou não. Não posso dizer que Filhos da Pátria me conquistou. Eu salvaria uns três contos, no máximo. É muito interessante para ter uma ideia da realidade urbana e contemporânea angolana, mas não faz o meu estilo.

Não recomendo para quem se incomoda com linguagem vulgar, nem para quem não sabe nada da história de Angola, porque o livro é carregado de referências a fatos históricos/políticos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

DL 2011 - A dançarina de Izu


Título: A dançarina de Izu
Autor: Yasunari Kawabata
Editora: Estação Liberdade

A dançarina de Izu é uma novela com traços autobiográficos. Narra a viagem de um jovem estudante e seu encontro com um grupo de artistas. Ele se encanta pela jovem dançarina da trupe.

Essa não era minha primeira escolha para o DL, mas não achei o livro que eu escolhi (O país das neves) na biblioteca, então eu peguei o livro mais curto que consegui encontrar. (ai, ai, como estou ficando preguiçosa) É um livro belo, sensível, mas talvez eu esperasse mais. Não sei. Os outros livros do Kawabata que li me marcaram mais.

A verdade é que não estou com vontade de escrever esta resenha, então sinto muito pelo texto porco...

Sobre o autor:
Yasunari Kawabata (1899 — 1972) foi um escritor japonês, o primeiro de seu país a ser galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1968.

A vida de Yasunari Kawabata foi marcada desde cedo por acontecimentos trágicos e pela solidão. Ele se tornou órfão de ambos os pais com apenas quatro anos de idade, e mais tarde perdeu a irmã e os avós.

Inicialmente Kawabata fez experimentações com técnicas surrealistas, porém aos poucos se torna impressionista, combinando a estética japonesa com narrativas psicológicas e erotismo.

O estilo de escrita de Yasunari Kawabata distingue-se por uma linguagem suave, mais abstracta que descritiva, onde predomina a subjectividade em relação à objetividade, aproximando-se muitas vezes da prosa poética.

A solidão, a angústia da morte e a atração pela psicologia feminina foram seus temas constantes. (texto roubado e editado da Wikipédia)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

DL 2011 - Mara and Dann

Título: Mara and Dann
Autor: Doris Lessing
Editora: Flamingo
Tema do mês: Prêmio Nobel de Literatura

Em um futuro distante (centenas ou milhares de anos?) o hemisfério norte da Terra se encontra completamente coberto de gelo. O que restou foi a América do Sul (ou South Imirik), a África (Ifrik) e pedaços de terra aqui e ali. No sul de Ifrik, um casal de irmãos começa uma jornada rumo ao norte, fugindo da seca. Eles passam por todo tipo de provação, sempre na esperança de encontrar um terra onde a falta de água e de alimento não seja um problema.

Escolhi esse livro porque tem uns dois livros da Doris Lessing aqui em casa (suponho que sejam da minha mãe) e eu não sabia nada dela. A escolha foi uma randomicidade aleatória e quando eu li a contracapa eu pensei "uau, deve ser bom". Mas, sinceramente, talvez se eu tivesse escolhido aleatoriamente o outro livro da Doris Lessing, eu tivesse me saído melhor.

Para mim, terminar o livro foi uma jornada sofrida assim como a de Mara e Dann. Passei por alguns bons momentos, mas quanto mais avançava, mais desgostava do livro. Eu demorei uns dez dias para lê-lo, mas parecia que foram centenas, ou melhor, milhares de anos.

Não me dou bem com essas histórias de jornada, em que a maior preocupação e economizar seus suprimentos para que eles não faltem no futuro. Mas gostei do lado ficção científica da história.

No geral dou nota 3 de 5; o começo promissor compensa o resto.

Conclusão: julgando por esse livro, a autora não seria digna de um Nobel. Mas imagino que essa esteja longe de ser sua obra-prima.

Sobre a autora:

Doris Lessing, é uma escritora britânica. Nascida no Curdistão Iraniano, de pais ingleses, também viveu no Zimbábue.

Autora de obra prolífica, que inclui trabalhos como os romances The Grass is Singing e The Golden Notebook. A sua obra cobre um vasto leque estilístico, indo da autobiografia à ficção científica (que bom ter uma escritora premiada se dedicando ao gênero!), com claras influências do modernismo. Foi galardoada com o Nobel de Literatura de 2007, tendo a Academia Sueca apontado como razão determinante a existência na sua obra de características que fazem dela "a contadora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e uma força visionária escrutinou uma civilização dividida". Doris Lessing é a 11.ª mulher a ganhar este galardão nos seus 89 anos de história. (roubado e editado da Wikipédia)

domingo, 16 de outubro de 2011

DL 2011 - Sartoris


Título: Sartoris
Autor: William Faulkner
Editora: Cosac Naify
Nº de páginas:
408

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi...
que a Cosac Naify sempre capricha na capa dura, papel etc, mas a capa em si não é muito bonita. O livro tem um aspecto sóbrio, bem estilo "olha como eu sou intelectual!", para você sair andando com ele debaixo do braço, mas não faz o meu estilo.

Ela mostra um bar e um carro meio borrado (que antes de ler e de examinar melhor, eu achava que era um banco de praça), o que tem bastante a ver com o romance. Gosto do fato do título e do nome do autor serem pequenos e discretos.

Ah, e não relacionado à capa: o livro tem um cheiro meio forte e estranho. Não é muito bom.

O livro é sobre...uma família, a tal Sartoris do título, que vive à sombra de John Sartoris, herói da Guerra de Secessão. Visto principalmente pela perspectiva da Srta. Jenny, irmã do falecido coronel, desenrola-se o cotidiano de personagens como Bayard, que não superou a morte do irmão gêmeo na guerra, e Bayard Velho, que se sente frustrado por não ter vivido na época da guerra.

É o primeiro livro de Faulkner que se passa no condado fictício de Yoknapatawpha, cenário de romances posteriores.

Eu escolhi esse livro porque... gosto muito do Faulkner. Este é o quinto livro que leio dele e posso dizer que não fiquei indiferente a nenhum deles, por mais que alguns não tenham sido a leitura mais agradável e compreensível do mundo. Há algo nos livros dele que me fascina, mas eu não sei explicar o que é. Talvez seja o grande peso que a família tenha na obra dele. Talvez seja esse universo sulista dos EUA. Talvez seja o modo como ele explora os conflitos raciais. Sei lá.

Eu tinha comprado esse livro no ano passado em uma feira de livros (uma das únicas oportunidades de comprar livros da Cosac por preços decentes) e pretendia lê-lo logo depois, tanto que coloquei na minha lista do DL um outro livro do Faulkner, achando que nesta altura do ano eu já teria lido este livro. Doce ilusão, eu não contava com minha recém adquirida habilidade de adquirir mais livros do que consigo ler...

A leitura foi... um pouco cansativa, mas muito satisfatória. Esse é um romance mais tradicional do que outros como O Som e a Fúria e Enquanto Agonizo, mas ele também é bem lento.

Achei algumas descrições de paisagens/natureza um pouco exageradas, e isso não é algo que eu me lembrava dos livros anteriores que li do autor, então não sei se isso é uma característica anterior dele...

O personagem que eu gostaria de ajudar é o Bayard (o jovem). Por quê?
Porque todo o processo auto-destrutivo dele me dá nos nervos.

O trecho do livro que merece destaque:

"Maldição", exclamou, deitado de costas, olhando pela janela onde não havia nada para se ver, esperando pelo sono, sem saber se ele viria ou não, sem dar a mínima para qualquer uma dessas possibilidades. Nada para se ver, e a longa, longa trajetória de uma vida humana. Três vintênios e um decênio para arrastar um corpo obstinado pelo mundo e atender a suas obstinadas demandas. Três vintenas e dez, dizia a Bíblia. Setenta anos. E ele tinha apenas vinte e seis. Pouco mais de um terço completado. Maldição. (p. 172)
A nota que eu dou para o livro: 4
(sendo: 1- Não gostei; 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5- Adorei)


Sobre o autor:

William Cuthbert Faulkner (1897-1962) é considerado um dos maiores escritores estadunidenses do século XX.

Recebeu o Nobel de Literatura de 1949. Posteriormente, ganhou o National Book Awards em 1951, por Collected Stories e em 1955, pelo romance Uma Fábula. Foi vencedor de dois prêmios Pulitzer, o primeiro em 1955 por Uma Fábula e o segundo em 1962 por Os Desgarrados.

Utilizando a técnica do fluxo de consciência, Faulkner narrou a decadência do sul dos EUA, interiorizando-a em seus personagens, a maioria deles vivendo situações desesperadoras no condado imaginário de Yoknapatawpha. Por muitas vezes descrever múltiplos pontos de vista (não raro, simultaneamente) e impor bruscas mudanças de tempo narrativo, a obra faulkneriana é tida como hermética e desafiadora. (texto roubado da Wikipédia)



sábado, 17 de setembro de 2011

DL 2011 - Paulicea Desvairada

Inspiração

São Paulo! Comoção de minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original...
Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro...
Luz e bruma... Forno e inverno morno...
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfumes de Paris... Arys!
Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!...

São Paulo! Comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América!


Não costumo ler poesia. Nem sequer posso dizer que gosto de poesia (exceção: Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles), então este foi um desafio e tanto.

Eu gosto do Mario, li alguma coisa de prosa dele, alguns ensaios e já tinha lido alguns poemas do Pauliceia em aula. Foi por isso que escolhi esse livro. E também porque quando penso em São Paulo, penso no Mario, quando penso no Mario, penso em São Paulo. Para mim eles são indissociáveis e esse livro é um exemplo disso. Nada mais apropriado para o mês de autores regionais, certo?

Pauliceia Desvairada, publicada em 1922, é uma das primeiras obras modernistas brasileiras. No livro, Mario busca uma forma de expressão livre, não tão atada por rima, métrica, regras, como explica no Prefácio Interessantíssimo, que "apesar de interessante, inútil". O prefácio todo funciona como um manifesto do modernismo, e também do desvairismo, que tem o livro como seu início e seu fim. É uma coisa bem... estranha. E eu gostaria de escrever algo mais aprofundado, mas acho que só lendo dá para entender... ou não entender.

Os poemas. Como já disse, não tenho o hábito de ler poesia, então não tenho muito o que dizer além de que gostei de algumas coisas, não gostei de outras, fiquei boiando em algumas partes, mas ainda gosto muito do Mario e acho a capa do Pauliceia uma coisa linda e arlequinal.

E acho que essa será minha única leitura do mês para o DL. Não me animo a enfrentar o Oswald...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DL 2011 - Angústia


Se pudesse, abandonaria tudo e recomeçaria as minhas viagens. Esta vida monótona, agarrada à banda das nove horas ao meio-dia e das duas às cinco, é estúpida. Vida de sururu. Estúpida. Quando a repartição se fecha, arrasto-me até o relógio oficial, meto-me no primerio bonde de Ponta-da-Terra.

Que estará fazendo Marina? Procuro afastar de mim essa criatura. Uma viagem, embriaguez, suicídio...

Penso no meu cadáver, magríssimo, com os dentes arreganhados, os olhos como duas jabuticabas sem casca, os dedos pretos do cigarro cruzados no peito fundo.

Os conhecidos dirão que eu era um bom tipo e conduzirão para o cemitério, num caixão barato, a minha carcaça meio bichada. Enquanto pegarem e soltarem as alças, revezando-se no mister piedoso e cacete de carregar defunto pobre, procurarão saber quem será o meu substituto na Diretoria da Fazenda.

Enxoto as imagens lúgubres. Vão e voltam, sem vergonha, e com elas a lembrança de Julião Tavres. Intolerável. Esforço-me por desviar o pensamento dessas coisas. Não sou um rato, não quero ser um rato. Tento distrair-me olhando a rua.

Título: Angústia
Autor: Graciliano Ramos

Nem sei o que escrever sobre o livro. Ontem eu fiquei pensando sobre ele e descobri que não tenho palavras para descrevê-lo. Ele me surpreendeu positivamente, e olha que eu já tinha altas expectativas!

Angústia é um romance psicológico sobre um homem frustrado, Luís da Silva. Narrado em primeira pessoa, em tons confessionais e delirantes, o livro conta sobre a obsessão de Luís pela vizinha Marina, seu dia-a-dia medíocre, suas paranóias... O título não poderia ser mais apropriado, o romance é pura angústia.

Acho que foi um dos meus livros preferidos de todos que li para o DL.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

DL 2011 - Lucíola

Título: Lucíola
Autor: José de Alencar

Esse é um livro que eu deveria ter lido para a faculdade no semestre passado, mas acabei desistindo por estar ocupada com outras coisas e por não ser uma leitura fundamental para o curso. Não sou fã do José de Alencar e acho Iracema um dos livros mais chatos da literatura brasileira. Lucíola nem estava na minha lista do DL, mas o escolhi por praticidade, o livro já estava em casa (peguei da casa do meu avô, como sempre) e não era longo demais (a preguiça sempre domina).

Para quem não sabe, o livro conta a história de amor entre Lúcia, uma prostituta belíssima, e Paulo. Apesar de ser uma prostituta, Lúcia tem certos comportamentos que não condizem com sua imagem pública e isso intriga Paulo. Como sou péssima em sinopses, é só isso que vou escrever.

Eu não gostei muito do livro, mas também não posso dizer que desgostei. Ele trata de alguns temas interessantes, como a moralidade da época, hipocrisia etc. e a personagem Lúcia é bem construída. Apesar disso, eu não gostei muito dela. No começo ela aparece como uma mulher ambígua e enigmática e é mais interessante, depois fica tudo muito "mimimi, pureza da alma".

Não sei mais o que escrever, então é isso...

P.S.: Estou ouvindo a trilha sonora de Rurouni Kenshin e quase chorando aqui. Patético, né?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DL 2011 - As Meninas


Título: As Meninas
Autora: Lygia Fagundes Telles
Editora: Nova Fronteira


Escolhi As Meninas porque tinha curiosidade em relação à Lygia Fagundes Telles. Já tinha me deparado com o conto Antes do baile verde umas duas ou três vezes antes e foi isso o que me instigou a ler algo dela.

O livro é sobre três jovens que moram em um pensionato de freiras na época da ditadura militar. Apesar de terem origens e personalidades bem diferentes, elas são grandes amigas. Lia é a garota de esquerda, com desejo de mudar o mundo. Lorena é a riquinha virgem que passa os dias à espera de uma ligação de seu amado. Ana Clara é drogada e vive em devaneios.

O foco narrativo muda entre as três protagonista, e de 1ª a 3ª pessoa, o que nos faz mergulhar no mundo psicológico dessas personagens. Essa mudança de vozes pode ser confusa, principalmente no começo, mas vale a pena persistir. Quando você se acostuma, fica tudo muito natural.

Um livro forte a ao mesmo tempo sensível.

Nota: 4/5

sexta-feira, 29 de julho de 2011

DL 2011 - Ovelhas que voam se perdem no céu

Gatos, vacas e velhas que caem do céu; hamsters abandonados pelo dono; formigas; aranhas; pessoas comuns e outras nem tanto.

São contos curtos, atuais, que refletem bem o que eu vejo como literatura contemporânea. Achei alguns meio estranhos. Talvez eu não tenha entendido muito bem, afinal, não sou lá uma boa leitora. Mas acho que a estranheza e a falta de compreensão ajudaram a tornar os contos mais interessantes e fascinantes.

O livro está disponível em pdf. Eu sei que minha resenha não foi das mais animadoras, como de costume, mas vale a pena ler pelo menos algum conto.

Vocês podem saber mais sobre o autor aqui.

É, eu não estou muito inspirada para escrever resenhas hoje.

terça-feira, 26 de julho de 2011

DL 2011 - Binno OXZ e o Clã de Prata


Título: Binno OXZ e o Clã de Prata
Autor: Fábio Henckel
Editora: Novo Século
Ano: 2008
Páginas: 334

Garoto órfão vive uma vida sofrida em um lugar onde todos o desprezam. Até que um homem gigantesco o leva a um local fantástico que ele nunca imaginara existir. Lá ele faz conhece dois amigos, um menino e uma menina, tem aulas pouco usuais e se mete em pequenas encrencas. E, claro, ele tem que se enfrentar o maior vilão que o mundo já viu.

Isso é Harry Potter? Não, é Binno OXZ!

Como podem ver, a trama principal do livro é bem semelhante à de HP. E há outras pequenas semelhanças, mas vou parar por aqui e ser mais bondosa.

Binno vive em Utoppy, última cidade humana sob a superfície, já que o mundo foi inundado por causa do aquecimento global. A cidade é um projeto de tentar recriar o ano de 2017, tido como época ideal, mas seus moradores não sabem disso, vivendo totalmente alheios ao resto do mundo e achando que lá fora só há um mundo selvagem e perigoso.

Binno sonha com o que há além e vive se perguntando se os boatos que ouve sobre outras cidades são verdadeiros, mas sabe que suas chances de sair daquela vida são mínimas. Observado o tempo todo pela Big Mãe, IA (inteligência artificial) de vigilância do internato onde vive, sua única felicidade são os poucos minutos na frente do computador, onde treina suas habilidades em programação.

Ele desenvolve um IA para poder participar de um misterioso RPG online e isso gera problemas. Esse IA aliou-se ao grande vilão Hefesto Xenon, o que faz com que a Aliança Maior prenda Binno e o julgue. Alguns acreditam que ele é um clone defeituoso, então decidem que para provar sua inocência ele precisa passar pela prova de ingresso da Universidade Maior. Para isso ele assiste a aulas, faz amizades (e inimizades), encontra figuras suspeitas, joga o esporte mais popular dos bruxos, digo, da Cidade Original, e descobre todo um universo que sua limitada vida anterior não poderia imaginar.

Apesar de seguir uma estrutura meio manjada, o livro tem seu charme. Para quem gosta de computadores, internet, RPGs online, games e afins, o apelo é maior. Para mim... bem, eu gostei bastante de algumas ideias aleatórias, como o banhado de cactos coloridos.

O desenvolvimento da história foi meio previsível em alguns pontos, algumas soluções pareceram meio forçadas, mas o livro é legal e eu imagino que muita gente vá gostar.

Para mim o livro seria melhor se focasse mais em Utoppy, que acho bem mais fascinante que a maravilhosa e tecnológica (e consequentemente, sem graça) Cidade Original. Utoppy transpira a romance distópico e eu fico aqui imaginando todas as possibilidades de tramas que a cidade oferece. Claro que isso geraria um livro totalmente diferente... Quem sabe em um próximo volume isso seja possível.

Sobre o autor: Fábio Henckel nasceu em Tramandaí, uma praia do litoral gaúcho onde está uma das maiores extensões de areia do mundo. No inverno o lugar é tão gelado que é comum encontrar pinguins visitando a orla. Outra característica é o tom prateado da água do mar. "Quem estiver por lá numa manhã realmente fria vai ver o tal mar de prata". Atualmente, Fábio mora em Porto Alegre. Já escreveu para jornal, tv e prepara seu primeiro trabalho para o cinema. Além disso, cuida do site oxz.com.br.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

DL 2011 - O Véu


Título: O Véu - Volume 1
Autor: Willian Nascimento
Editora: Sem editora

Sinopse: Como uma barreira tão fina pode esconder tão grande verdade?

Ana teve uma infância feliz ao lado de suas tias em Três Corações. Com elas, a garota aprendeu a sonhar e acreditar em toda a forma de magia que o mundo tinha a oferecer. Porém, crescer significou também amadurecer, e ambas as coisas a fizeram abdicar das fantasias do passado.

Porém, agora, as histórias contadas em volta da fogueira há tempos atrás voltaram com toda a força, quando aquele que esteve ao lado de Ana o tempo todo parece esconder um grande segredo.

Teria você também coragem de atravessar o Véu?

Comentários: Escolhi o livro sem muita emoção. Esse era um desses livros cujo o autor saí por aí fazendo propaganda no Skoob, coisa que não me agrada e já me rendeu uma leitura desagradável. Mas acabei escolhendo porque o livro estava disponível para download e eu sou preguiçosa...

(Digressão rápida: sou só eu que acho estranho o grande número de resenhas super positivas sobre livros de autores novos no Skoob? Acho que as pessoas ficam nessa de serem super elogiosas na resenha só para agradar e incentivar o autor e acabam soando meio falsas...)

Bem, esse é o primeiro volume de não sei quantos. Ele começa com ares de romance adolescente antes da ação começar realmente: Ana e Ian são melhores amigos, Ana acabou de terminar um namoro, os dois vão se aproximando, mas Ian age estranhamente e Ana percebe que ele está escondendo algo dela. Eu achei até agradável o começo, apesar de não ser o meu tipo de leitura favorito.

Ao mesmo tempo, o meu processo de envolvimento com o livro foi meio difícil. Durante as 50 páginas iniciais me vi tentada a desistir, mas felizmente continuei, porque o livro conseguiu fisgar minha atenção e acho que Willian conduziu bem a história.

No geral, acho que o livro teve umas boas ideias, como a teoria sobre os sonhos, toda a ideia do Véu e do conflito entre ceticismo e ciência vs magia. O mundo mágico foi muito bem construído e o fato da história se passar no Brasil torna tudo mais interessante e próximo a nós. Gostei particularmente do fato de que no universo criado todos têm potencial mágico, isso sempre nos dá uma certa esperança, né? Também gostei dos tipos de bruxos e grupos mágicos criados e da relação entre eles.

Agora vamos falar sobre as coisas ruins (eba!):

Apesar da história ser bem envolvente, acho que o autor pecou ao estender algumas explicações sobre a magia e sobre os personagens. É óbvio que ele quer expor toda a complexidade de sua invenção, mas ficou meio maçante, principalmente quando ele colocou uns trechos sobre magia dos livros que Ângelo lia.

Para um livro de quase 500 páginas, é surpreendente como acontece pouca coisa na trama. O autor não escreve de maneira prolixa nem nada, é tudo bem direto e tal. Mas acho que ele se perdeu em detalhes e explicações inúteis. Há certa repetição de ideias e aí eu acho que ele subestimou seus leitores. A trama é muito bem amarrada, há coisinhas que foram citadas antes que reaparecem depois e eu acho que ele gastou palavras demais para tentar exlicar essas coisinhas e mostrar como elas já apareceram antes no livro. (desculpa aí, eu não sei como explicar melhor). Concluindo essa ideia confusa: nós não precisamos que tudo que aparece na história seja explicado, deixe-nos usar o cérebro!

Em alguns trechos, pude enxergar algumas coisas que remetem a Harry Potter, como alguns feitiços e situações. Pode ser paranoia de minha parte, já que eu vejo HP em praticamente todo livro de ficção fantástica que leio. Talvez seja essa uma das razões para que eu tenha deixado a fantasia meio de lado atualmente... Mas fala sério, aquela parte do demônio "ressucitando" é MUITO parecida com a do Voldie no quarto livro!!!

E tem umas coisas meio parecidas com Crepúsculo na relação entre os protagonistas, aquela coisa irritante de "sou perigoso demais, não podemos ficar juntos!". Sei que isso não foi intencional e que atualmente qualquer relação assim será inevitavelmente comparada com Crepúsculo, mas que é meio chato é.

Não sei se isso foi corrigido em uma versão posterior à que eu baixei (acho que foi), mas a minha tinha centenas de erros de português um tanto quanto óbvios. O autor escreveu no início que o livro não passou por revisão profissional, mas julgando pelo que vi, o livro não teve revisão nenhuma, pois está repleto de erros que um corretor ortográfico ou uma releitura superficial captariam (como repetição de palavras e erros de digitação). Tudo bem, o livro não é de uma editora e está disponível gratuitamente, mas acho que qualquer um que expõe sua obra na internet deveria ser mais cuidadoso com essas coisas, não? De qualquer jeito, imagino que tem gente que não se incomoda em ler textos cheios de erros... mas eu me incomodo.

Ah, o livro tem um final meio em aberto, já que é o primeiro de uma série. Tenham isso em mente se quiserem ler mas não estão muito motivados a ler uma série...

Sobre o autor: Atual Estudante de História da UFRJ, escreveu seu primeiro romance aos vinte anos. A Saga Intitulada O Véu, sua primeira obra completa, se encontra disponível para livre download no Por Detrás do Véu, blog que ele gerencia e onde gostar de discutir temas relevantes a literatura, a fantasia e a produção de conhecimento. (fonte: Skoob)

Aqui dá para baixar os dois volumes do Véu: http://pordetrasdoveu.blogspot.com/2010/09/saga-o-veu-segundas-edicoes.html

terça-feira, 12 de julho de 2011

DL 2011 - Se eu fechar os olhos agora

Título: Se eu fechar os olhos agora
Autor: Edney Silvestre
Editora: Record
Nº de páginas: 304

Paulo e Eduardo são dois meninos de 12 anos que descobrem o corpo de uma jovem mulher perto do lago onde ele iam se divertir. O marido da mulher, um dentista, confessa ser o assassino. Intrigados pela falta de sentido em toda essa história, os meninos decidem investigar o crime e convencem um estranho velho que vive danda escapadas de seu asilo a se juntar a eles.

O que me instigou a ler esse livro foi toda a polêmica do Jabuti. Para quem não sabe, foi o seguinte: Se eu fechar os olhos agora venceu na categoria Melhor Romance, mas perdeu de Leite Derramado, do Chico Buarque, na categoria Livro do ano. Isso gerou toda uma onda de reclamações de que o prêmio favorecia certas editoras e autores mais famosos e originou até uma campanha para que Chico Buarque devolvesse seu prêmio.

Como eu já tinha lido Leite Derramado, fiquei curiosa para saber qual dos livros eu premiaria, se eu tivesse esse poder. E cheguei à conclusão de que fico com o livro do Chico mesmo.

Gostei bastante do começo de Se eu fechar os olhos, mas achei que a história foi decaindo a medida que se desenvolvia. Mesmo que eu não tenha perdido o interesse completamente em nenhum momento da leitura, o livro ficou um pouco aquém das minhas expectativas. Ele é interessante, bem escrito, tem umas passagens ótimas e conseguiu me entreter durante minha viagem de férias, mas é esquecível, pelo menos para mim.


Edney Silvestre
é escritor e jornalista, foi correspondente internacional por bastante tempo e aparentemente fez um monte de coisa na televisão (eu, alienada que sou, nem sabia que ele existia antes de ouvir falar do livro). Se eu fechar os olhos agora é seu primeiro romance.

terça-feira, 28 de junho de 2011

DL 2011 - "As sabichonas" e "Escola de mulheres"


Título: As Sabichonas / Escola de mulheres
Autor: Molière
Editora: Martins Fontes
Nº de páginas: 255


Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi...
que a ela é bem simples. Em geral eu prefiro a simplicidade, mas acho que a capa poderia ter uma tipografia diferente, porque do modo que ela é o que acaba em destaque é toda a parte vazia nela.
Eu sei que toda a coleção tem a capa assim, e isso é positivo, pois cria uma identificação rápida com o leitor. E eu já li um outro livro da série, Kalila e Dimna
, e amei, então essa capa me traz boas lembranças.

O livro é sobre... São duas peças:
As sabichonas é sobre a erudição pedante de certos seres.
Escola de mulheres é sobre um homem que tem pavor de ser chifrado e por isso cria a jovem que será sua esposa no isolamento, para mantê-la ingênua. (não é preciso dizer que ele vai se dar mal, né?)

Eu escolhi esse livro porque... na verdade eu não escolhi, foi minha irmã que escolheu e eu peguei carona. Admito que eu mal sabia quem era Molière, sou ignorante mesmo. (não sou sabichona, mimimi)

A leitura foi... divertida, mas eu acabei não me envolvendo tanto com o livro pelo fato dele ser escrito em verso. Eu não sou grande fã de versos, rimas & cia.
Gostei da ironia, do humor e das reviravoltas finais.

O personagem em quem eu gostaria de dar uns tapas é a Belisa, d'As sabichonas. Por quê?
Porque ela precisa acordar para a vida. A mulher é muito sem noção, perdida totalmente em seu mundinho "todos os homens estão apaixonados por mim".

O trecho do livro que merece destaque: Não selecionei nada enquanto lia, então vai um trecho meio aleatório d'As sabichonas
. Nessa cena, Tricretim recita um poema e Filaminta, Armanda e Belisa ouvem (e se extasiam a cada verso).
TRICRETIM
Saia, malgrado o que se diga...

FILAMINTA, ARMANDA E BELISA
Malgrado o que se diga!

TRICRETIM
Desse apartamento imponente...

FILAMINTA, ARMANDA E BELISA
Apartamento imponente!

TRICRETIM
Onde a ingrata insolentemente...

FILAMINTA, ARMANDA E BELISA
Essa ingrata da febre!

TRICRETIM
Contra tão nobre vida intriga.

FILAMINTA
Tão nobre vida!

ARMANDA E BELISA
Ah!

A nota que eu dou para o livro: 3
(sendo: 1- Não gostei; 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5- Adorei)

sábado, 25 de junho de 2011

DL 2011 - Pygmalion


Título: Pygmalion
Autor: Bernard Shaw
Editora: Penguin

Na mitologia grega, Pigmaleão é um escultor que se apaixona pela estátua que esculpiu. Na peça de Bernard Shaw, esse é o papel de Henry Higgins, um foneticista gênio, capaz de identificar pela fala o lugar de origem de qualquer pessoa. Ele faz uma aposta com um amigo de que conseguiria ensinar uma vendedora de flores a falar "direito", de modo que ela pudesse se passar por uma duquesa.

É uma peça muito interessante, principalmente para quem se interessa por fonética etc e tal. E nesses nossos tempos em que a discussão sobre "preconceito linguístico" veio à tona, a leitura se torna ainda mais instigante.

Ah, para quem não sabe, essa peça deu origem ao musical My Fair Lady. Que é ótimo, por sinal.

sábado, 11 de junho de 2011

DL 2011 - Seis personagens à procura de autor


Olá! Mês passado não consegui participar do Desafio Literário por causa de várias leituras para a faculdade. E por causa da preguiça, sempre ela. É uma pena, já que tinha me comprometido a ler pelo menos um livro por mês, mas eu sabia que se tentasse ler o livro do DL acabaria fazendo uma leitura porca. Agora espero cumprir o resto do desafio mais suavemente.

Estamos em junho, mês de ler peças teatrais, o que a princípio me parece uma tarefa mais fácil e que me faz ter esperanças de conseguir ler as minhas três escolhidas.

Resolvi adotar pelo menos para essa resenha a ficha de leitura do DL. Veremos se dá certo.


Título: Seis personagens à procura de autor
Autor: Luigi Pirandello
Editora: Peixoto Neto
Nº de páginas: 162

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi... nada em particular. Acho que quando eu escolho um livro por causa da história ou por já ter ouvido falar nele antes, mal noto a capa. A não ser que ela seja linda e maravilhosa, é claro.
Mas pelo que eu entendi, a capa desta edição é uma foto da peça encenada pelo Teatro Brasileiro de Comédia em 1951. O homem com o jornal deve ser o Diretor e os outros devem ser os atores. E o legal é que dá para ler um pouquinho de um anúncio do jornal: aparentemente há uma liquidação! 20% de desconto!

O livro é sobre... os conflitos presentes no próprio teatro... a realidade e a ficção... personagens e pessoas...
Bem resumidamente, a peça começa com uma companhia teatral que prepara o ensaio do 2º ato da peça O jogo dos papéis, de um tal de Pirandello (quem?). Mal começam o ensaio e são interrompidos por seis personagens que procuram um autor. A partir de suas histórias pessoais, esses personagens e a companhia tentam encenar naquele palco uma nova peça e encontram várias dificuldades para transformar aquilo em teatro, já que cada personagem quer representar a história de seu ponto de vista.

Eu escolhi esse livro porque... já havia lido um livro do autor para a faculdade, O Falecido Mattia Pascal, e gostado bastante. Como meu professor também tinha falado dessa peça e ela me pareceu divertida e inusitada, foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando fiz minha lista do DL.
E, convenhamos, meu conhecimento de teatro é limitado. Eu não tinha muitas opções.

A leitura foi... agradável. O livro é denso em alguns momentos, algumas falas do pai são meio longas e eu ainda não entendi muito bem qual é a do Rapazinho, mas a peça tem seus momentos divertidos, tem seus momentos trágicos e tem seus momentos de reflexão.
E as rubricas são muito boas!

O personagem que eu gostaria de entender melhor é o Pai. Por quê?
Talvez porque ele seja o personagem sobre o qual recai a maior parte das falas sobre os personagens, a ficção e tudo mais. E essa parte me deixou meio confusa.

O trecho do livro que merece destaque:
"O Pai
Eu admiro, senhor, admiro os seus atores. Aquele senhor (indicará o Ator Principal), e a senhorita também (Indicará a Atriz Principal), mas certamente... o caso é que não são nós.

O Diretor
Ora! Mas como quer que sejam "vocês", se eles são os atores?

O Pai
Justamente, atores! E representam muito bem, todos dois, os nossos papéis. Mas acredite, a nós parece uma outra coisa, que até queria ser a mesma, mas não é!

O Diretor
Mas não é, como? E o que é, então?

O Pai
Uma coisa que... passa a ser deles; e deixa de ser nossa."

A nota que eu dou para o livro: 4
(sendo: 1- Não gostei; 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5- Adorei)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

DL 2011 - A Clockwork Orange


Escolhi o livro A Clockwork Orange (Laranja Mecânica) do Anthony Burgess como meu livro principal do DL deste mês, mas acabou sendo o último que eu li porque era o único dos três que não dependia de empréstimos. Eu já tinha assistido ao filme há uns anos e me lembrava razoavelmente bem da história, por isso tinha interesse em ver como seria o livro (é razoavelmente raro eu ver um filme primeiro e só depois ler o livro; é um processo interessante e menos frustrante do que o oposto ;D).

Acho que todos conhecem a história, por isso nem escreverei sobre o enredo. Não gosto de escrever sobre o enredo, sempre fica ruim e pouco interessante e qualquer sitezinho por aí pode contar a história melhor que eu. E estou com preguiça, tanto que estou procrastinando já faz uma semana nessa resenha... Desculpem pelo desleixo, tentarei me disciplinar melhor nos próximos meses de desafio e me desafiar a escrever com mais capricho, a fazer resenhas completas e não só um punhado de impressões e digressões.

Tá. Eu gostei muito do livro, achei tão bom quanto o filme mas acabo preferindo o livro porque é um livro e eu gosto mais de ler do que de assistir a filmes (assistir a filmes me dá preguiça; leitura é bem mais fácil, você pode encaixá-la mais facilmente na sua rotina). Talvez ele não tenha me causado uma impressão tão forte quanto poderia causar por eu já ter visto o filme, mas foi ótimo mesmo assim.

No começo tive certa dificuldade com todas as gírias nadsat, mas com o tempo você pega o jeito e acaba achando tudo muito natural, horrorshow, etc. E como eu li em inglês, tive certa dificuldade com algumas palavras que eu não conhecia, tipo, eu fiquei em dúvida se aquelas eram palavras nadsat ou não xD.

Uma curiosidade: eu só descobri após ler uma resenha aqui no DL que as primeiras edições americanas não têm o último capítulo por decisão dos editores. A minha edição é uma dessas, então estranhei um pouco ver o final igual ao do filme, já que eu já tinha ouvido falar que o final do filme era diferente do livro. Dei uma fuçada na internet e li um resuminho do capítulo final e acho que os editores americanos estavam certos, o livro fica mais convincente sem o último capítulo. Mas, claro, fica difícil julgar sem ter lido...

Mudando um pouco de assunto, por enquanto esse foi meu mês preferido do DL em relação às minhas escolhas de leitura. Foram todas leituras agradáveis e apenas O Guia do Mochileiro das Galáxias não correspondeu tanto às minhas expectativas (ou correspondeu às minhas expectativas não tão positivas, não sei). Talvez ainda dê tempo de eu terminar e resenhar Feios, mas não estou gostando muito do livro e é em e-book, então nunca se sabe...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bandas legais que conheci no Jools

Estou sem nada para fazer e decidi postar aqui alguns vídeos de bandas que conheci no programa Later... with Jools Holland, assim o blog não fica sendo um lugar só para resenhas do Desafio Literário.

Para quem não sabe, o Later é um programa musical da BBC que já tem uma certa idade e que reúne bandas/cantores de diversos estilos. Eles tocam de uma a três músicas cada, às vezes rola uma conversa breve com o Jools e é isso. Não parece grande coisa, mas é. O mais sensacional do programa é a seleção musical. Sempre tem um pouco de tudo lá: bandas mainstream, artistas veteranos, cantores novatos em sua primeira aparição na TV, a bandinha indie do momento, uma banda com pegada mais étnica etc. E enquanto um artista toca, todos os outros artistas assistem, o que às vezes rende momentos divertidos (ex: Foo Fighters dançando :D).

O programa passa às sextas, das 10 à meia-noite (são dois programas seguidos), na HBO Plus. Nem toda sexta passa, porque às vezes eles colocam outros programas musicais no lugar, mas o mais normal é que passe.

Eu já assisto o programa faz uns anos (era meu programa familiar de sexta) e tive oportunidade de conhecer muita coisa que eu não conheceria de outro modo.

Aqui vão alguns vídeos:

Bellowhead
Banda ótima e maravilhosa. É meio folk, eu acho, difícil de definir.

Jordan

The Mummers
Tem um som meio... circense?

Wonderland

March of the Dawn

Spaghetti Western Orchestra
Conheci semana passada e achei muito diferente e interessante. Eles são australianos (se não me engano) e tocam músicas do Ennio Morricone. A performance é curiosa :P.

Fistful of Dollars Medley

The Good, the Bad and the Ugly

É isso. Quem sabe depois eu posto mais...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

DL 2011 - O Guia do Mochileiro das Galáxias

É difícil escrever sobre um livro que já foi tão resenhado aqui no DL, é como se tudo que eu pudesse escrever já tivesse sido escrito. E eu não gosto de ficar repetindo o que todos já sabem, por isso mesmo que decidi não falar nada sobre o enredo do livro, que você pode ler em outro blog e pronto.

Bem, eu escolhi O Guia do Mochileiro das Galáxias do Douglas Adams como um dos livros reservas do DL deste mês. De certo modo, minha leitura foi mais ou menos assim: eu já tinha ouvido falar tanto do livro e já tinha tido tantas expectativas (das mais diversas) que, mesmo após a leitura, não estou muito certa do que pensar.

Por um lado, foi um livro bem gostoso de ler (li em menos de dois dias, encaixando a leitura em intervalos pequenos de tempo, o que, em dias de aula, é um feito raro para mim atualmente) e ele realmente me envolveu em algumas partes. Achei algumas coisas divertidas, gostei de algumas tiradas... Por outro lado achei o humor meio bobo às vezes e não consegui ver direito a tão proclamada genialidade do livro (ou o meu nível de nerdice não chega a tanto para apreciar essa genialidade).

Não foi o livro da minha vida, mas também não chegou a decepcionar. Foi mais como uma leitura leve e descontraída que daqui a um mês será esquecida (mas isso não é negativo, viu?).

sexta-feira, 8 de abril de 2011

DL 2011 - O Homem do Castelo Alto


"Em algum outro mundo, talvez seja diferente. Melhor. Existem claramente alternativas boas e ruins. Não estas obscuras justaposições, estas misturas, cujos componentes não conseguimos separar sem as ferramentas adequadas.

Não temos o mundo ideal, tal como gostaríamos, onde a moralidade é fácil porque a cognição é fácil. Onde se pode acertar sem esforço, porque o óbvio é perceptível."

Minha última leitura do desafio literário não foi exatamente prazerosa, então eu estava bem ansiosa por esse mês, na esperança de não me desapontar com as minhas escolhas. Julgando só pela primeira leitura do mês, não me desapontei ;D.

O Homem do Castelo Alto, do escritor americano Philip K. Dick, é um romance de história alternativa que mostra um mundo onde o Eixo (Alemanha, Japão e Itália) venceu a Segunda Guerra Mundial. O que temos é um cenário bem pessimista, com vários povos sendo oprimidos ou totalmente varridos do mapa.

Focando principalmente na situação dos EUA, que foram divididos entre a Alemanha e o Japão, com uma grande região ainda em disputa, o livro se concentra em alguns personagens, como o judeu Frank Frink, que está começando um negócio de jóias, ou o americano Robert Childan, que vende artefatos americanos (coisas como pôsteres antigos e relógios do Mickey) para japoneses aficionados por coleções. Há também um misterioso livro, "O Gafanhoto Torna-se Pesado", que conta sobre um universo paralelo onde os Aliados venceram a guerra e que é um grande sucesso no mundo todo. Esse livro levanta uma importante questão: o que é a realidade?


Eu gostei mais das partes que tratavam dos personagens mais "comuns" (ou seja, pessoas que não ocupavam postos mais altos), talvez porque toda a parte política do livro tenha me confundido um pouco. Admito, sou uma ignorante que pouco sabe da Segunda Guerra Mundial e ver um monte de nomes alemães me deixa perdida.

Não gostei tanto das partes finais do livro e nem de todo o papo de I Ching e de filosofias orientais, mas isso não prejudica minha avaliação do livro. Eu adorei o livro e recomendo a todos, apesar de minha resenha fazer juz a ele e provavelmente não conseguir despertar o interesse de ninguém...

Ler O Homem do Castelo Alto me deu vontade de ler mais obras do autor. Alguém recomenda alguma?

quarta-feira, 30 de março de 2011

DL 2011 - Dom Quixote


Autor: Miguel de Cervantes Saavedra
Tradutor: Viscondes de Castilho e Azevedo
Editora: Abril Cultural

Todo mundo deve conhecer a história de Dom Quixote: ele leu romances de cavalaria demais e passou a não conseguir distinguir a ficção da realidade. Então saiu por aí em busca de aventuras acompanhado de seu fiel escudeiro Sancho Pança.

Eu poderia falar mais da história, mas a verdade é que não estou a fim. Até agora eu me preocupei em escrever resenhas com um mínimo de seriedade, mas dessa vez não deu. Sinto muito.

Infelizmente, minha leitura de Dom Quixote foi problemática. Eu estava gostando muito do começo, aí comecei a achar meio tedioso. Aí tive que parar para ler um livro da faculdade ("Viagens da minha terra", de Almeida Garrett, um livro meio estranho e chato, cheio de digressões e considerações políticas, históricas, literárias, filosóficas etc. Se fosse escrito hoje em dia ele seria um blog e não um livro! Mas que apesar de tudo até foi interessante porque no meio de citações desconhecidas tinha algumas conhecidas, e o autor inclusive escreve sobre Dom Quixote e Sancho Pança... Fim da minha digressão).

Além disso, também comecei a ler outro livro para a faculdade, "O Monge de Cister" de Alexandre Herculano, e comecei a confundir tudo. Eu não sabia mais o que era um livro e o que era outro e em vários momentos pensei que a história do monge e a novela contada em "Viagens" eram algumas das várias histórias contadas por algum dos personagens que Dom Quixote encontra em sua jornada x_x. Eu estou mal, se eu continuar assim logo viro um Dom Quixote.

E para piorar tive que parar a leitura mais uma vez, para ler para o trabalho (mas dessa vez não confundi as histórias, viva! Confundir DQ com um livro YA seria estranho).

Depois de tudo isso não posso dizer que foi uma leitura fácil e feliz. Eu quase nunca dou uma pausa em uma leitura para ler outra coisa, então foi meio difícil me situar no meio de todos os livros. Foi uma leitura truncada, apressada e às vezes feita meio de má vontade. O livro só me envolveu de verdade umas poucas vezes. É triste, porque é tão óbvio que o livro tem tanto para oferecer e que passou batido por mim, com a minha leitura desatenta e superficial.

Pretendo reler o livro em um futuro distante, quando eu estiver com o humor adequado e tudo mais, porque esse mês foi um caos em relação a leituras.

P.S.: Não gosto do Dom Quixote. Mas amo o Sancho, okay? Ele é engraçado e adorei vê-lo como governador da ilha.
P.P.S.: Esse mês mal deu tempo de ler as resenhas do povo do DL, que é algo que até agora eu estava fazendo com frequência. Uma pena, mas eu nem gosto muito de épicos... Na verdade, eu ainda não entendi o que é épico u_u.
Pelo menos abril está aí e estou com vontade de ler os livros que escolhi.