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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016: desafios literários

Para fechar as retrospectivas de 2016, vou falar sobre os desafios literários de que participei. 2016 não foi um ano em que eu estava muito empenhada em completar qualquer um dos desafios. Se o tema me agradasse e/ou eu tivesse livros disponíveis que se encaixassem nele, ótimo. Se não, ótimo também. Assim, não completei nenhum dos desafios, mas cheguei bem perto de completar um deles. Meu post escrito no começo de 2016 com as ideias de leituras está aqui.

Desafio Skoob

Foi um ótimo desafio para desencalhar livros da estante. Dos treze livros lidos, a maioria eu já tinha em casa. O desafio me estimulou a finalmente ler alguns livros que eu estava evitando, como Hamlet e O menino que se trancou na geladeira.

Só deixei de ler o livro de abril, porque não gostei do tema e não consegui pensar em nenhuma leitura que me agradasse.

Minhas leituras foram as seguintes:

JANEIRO - Gênero Fantasia
O vitral encantado - Diana Wynne Jones

FEVEREIRO - Autor(a) Asiático(a)
Declínio de um homem - Osamu Dazai
Irmãos - Yu Hua
Terra e cinzas - Atiq Rahimi

MARÇO - Livro escrito por mulher
To the lighthouse - Virginia Woolf

ABRIL - Livro sobre Holocausto

MAIO - Autor(a) Africano(a)
O fio das missangas - Mia Couto

JUNHO - Livro com 3 palavras no título
Vernon God Little - DBC Pierre

JULHO - Livro com Serial Killer
Os crimes ABC - Agatha Christie

AGOSTO - Biografia
A drifiting life - Yoshihiro Tatsumi

SETEMBRO - Autor(a) Brasileiro(a)
O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi

OUTUBRO - Thriller Psicológico
Love - Stephen King

NOVEMBRO - Clássicos da Literatura Estrangeira
Hamlet - William Shakespeare

DEZEMBRO - Nome de Cidade, Região ou País no Título
Budapeste - Chico Buarque

Desafio Livrada!

Nesse desafio, fui encaixando os livros que lia nas categorias, sem me planejar muito. Resultado: não li nada em algumas categorias meio fáceis, mas tudo bem. No final, completei 11 das 15 categorias, o que não é ruim.

1- Um prêmio Nobel

2- Um livro russo
O beijo e outras histórias - Anton Tchekhov

3- Um cânone da literatura ocidental
To the lighthouse - Virginia Woolf

4- Uma novela
A exposição das rosas - István Örkény

5- Um livro que você não sabe por que tem 
História do dinheiro - Alan Pauls

6- Um autor do seu estado
O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi

7- Um livro publicado por uma editora independente
Quando o imperador era divino - Julie Otsuka

8- Uma ficção histórica
The Witch of Blackbird Pond - Elizabeth George Speare

9- Um livro maluco
Eeeee Eee Eeee - Tao Lin

10- Um livro que todo mundo já leu menos você

11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta 
O vitral encantado - Diana Wynne Jones

12- Um livro bobo
Sendo Nikki - Meg Cabot

13- Um romance de formação
Irmãos - Yu Hua

14- Um livro esgotado

15- As aventuras do bom soldado Svejk

Desafio Volta ao mundo

Esse desafio não teve muita adesão. As pessoas começaram animadas, mas foram abandonando aos poucos. De qualquer maneira, ele me incentivou a ler um livro da Indonésia, que eu provavelmente não leria se não fosse por ele, e acabei gostando bastante da minha escolha. Li quase todos os livros "obrigatórios" e ignorei a maioria dos bônus. Infelizmente, fiz uma confusão e não li nada da Austrália porque achei que a China era o país de novembro e a Indonésia, de dezembro, hahaha.

Janeiro: Argentina
História do dinheiro - Alan Pauls

Fevereiro: México
Arrecife - Juan Villoro

[Bônus: Colômbia]

Março: Canadá
As aventuras de Pi - Yann Martel

[Bônus: Islândia]
A raposa sombria - Sjón

Abril: Irlanda
O mar - John Banville

Maio: Finlândia
Os Moomins e o chapéu do mago - Tove Jansson

[Bônus: Alemanha]

Junho: França
As Coisas - Georges Perec

Julho: Nigéria
O mundo se despedaça - Chinua Achebe

[Bônus: África do Sul]

Agosto: Irã

Setembro: Índia
O pintor de letreiros - R. K. Narayan

Outubro: Japão
O rosto de um outro - Kobo Abe

[Bônus: China]

Novembro: Indonésia
Beauty Is a Wound - Eka Kurniawan

Dezembro: Austrália

E esses foram os desafio de que participei em 2016. Ainda estou pensando sobre o que fazer em questão de leituras em 2017 e logo escrevo aqui.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Livro: Beauty Is a Wound

Título: Beauty Is a Wound
Título original: Cantik itu Luka
Autor: Eka Kurniawan
Tradutora: Annie Tucker
Editora: New Directions

Tendo como cenário a cidade litorânea fictícia de Halimunda, Beauty Is a Wound tem um início impactante: após 21 anos morta, Dewi Ayu deixou o seu túmulo, atravessou a cidade e voltou para casa. A partir daí o romance revela ao leitor toda a vida dessa mulher de uma família tradicional holandesa, que perdeu tudo e se tornou a prostituta mais cobiçada da cidade, e de suas quatro filhas. 

Essas personagens levam vidas sofridas e fortemente entremeadas com as grandes tragédias da história da Indonésia. A narrativa se estende por mais de cinquenta anos, revelando o impacto que acontecimentos como a invasão japonesa durante a Segunda Guerra, a perseguição aos comunistas e a luta pela independência tiveram nos personagens e na cidade de Halimunda.

Apesar de ser um livro carregado de violência e tragédia, ele também tem um tom cômico e às vezes fabular, com acontecimentos bizarros e fantásticos a todo instante e personagens divertidos e patéticos. Se você gosta de humor negro e não se importa com um pouco de sangue, talvez esse seja um bom livro para você. Se você se incomoda bastante com cenas de estupro e violência contra a mulher, fique longe.

O livro tem forte presença de elementos fantásticos e influência de lendas tradicionais. Ele lembra um pouco o realismo fantástico latino-americano, principalmente o do Gabriel Garcia Marquez, e em muitos momentos me vi imaginando o cenário e os personagens como sul-americanos em vez de indonésios e tive que fazer uma correção mental para ajustar a imaginação.

Beauty is a wound é um livro bastante intenso e me despertou a vontade de ler outras obras do autor. Espero que um dia ele tenha seus livros publicados aqui no Brasil. Para uma leitura que eu escolhi meio às cegas, com certeza foi uma surpresa positiva.

Para quem ficou curioso (e lê inglês) a New Yorker publicou um artigo sobre o autor aqui.

Lido para o desafio Volta ao mundo e para meu projeto pessoal Volta ao mundo em 80 livros, representando a Indonésia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Livro: O rosto de um outro

Título: O rosto de um outro
Título original: Tanin no Kao
Autor: Kobo Abe
Tradutora: Leiko Gotoda
Editora: Cosac Naify

Após um acidente no laboratório onde trabalha, o protagonista do livro tem o rosto completamente desfigurado e passa a questionar a própria identidade. Sentindo-se à margem da sociedade, ele cria uma máscara para esconder o rosto e viver normalmente, mas a máscara muda sua percepção dos outros e de si mesmo e revela uma nova face.

O livro é escrito na forma de três cadernos com as anotações do personagem sobre sua experiência e algumas cartas no final. Direcionados para a esposa do protagonista, os cadernos contém longos monólogos com questionamentos e reflexões um tanto cansativos e repetitivos, que às vezes se estendem por páginas e páginas. Isso foi algo que me decepcionou, pois julgando pela premissa eu esperava algo um pouco mais empolgante, estranho e assustador. A questão central, sobre a importância do rosto para determinar a identidade, é interessante, e a história tem os momentos tensos e intrigantes que eu esperava, mas o livro se perde um pouco andando em círculos.

Por outro lado, boa parte das coisas que me incomodaram durante a leitura foram comentadas pela esposa do protagonista na carta que ela escreve para o marido no final, o que achei bem curioso e me fez terminar o livro meio aliviada, meio vingada (?).

O livro foi adaptado para o cinema e, vendo as imagens no google, parece bem interessante e sinistro. Fiquei com vontade de ver.

Livro lido para o desafio Volta ao Mundo (Japão).

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Livro: O pintor de letreiros

Título: O pintor de letreiros
Título original: The Painter of Signs
Autor: R. K. Narayan
Tradutora: Léa Nachbin
Editora: Guarda-chuva

Em Malgudi, uma pequena cidade indiana, Raman trabalha como pintor de letreiros. Zeloso com seu trabalho, ele leva uma vida tranquila circulando por aí em sua bicicleta em busca de novos clientes ou para cobrar o pagamento de trabalhos antigos. Solteiro, ele tenta levar uma vida longe das tentações carnais. Tudo muda quando ele conhece Daisy, uma mulher moderna e decidida, árdua defensora do controle da natalidade e do planejamento familiar. Claro que assim que Raman a vê pela primeira vez, ele não consegue tirá-la da cabeça.

O romance expõe o conflito entre tradição e modernidade na Índia dos anos 1970. Raman gosta de se imaginar como um homem moderno e sensato, um livre-pensador, no entanto, seu relacionamento com Daisy  e com a tia com quem vive nos revela que ele está mais preso a tradições (e ao machismo) do que acredita.

O livro tem uma boa dose de humor, geralmente devido à imaginação desenfreada do protagonista, que vive imaginando situações hipotéticas, interpretando os acontecimentos de maneiras estranhas ou teorizando sobre assuntos aleatórios na cabeça.

O pintor de letreiros é um livro bem-humorado, com um tom leve, um protagonista meio patético e personagens femininas interessantes. O Narayan não é um autor muito conhecido aqui no Brasil, apesar de razoavelmente famoso no mundo anglófono, e depois dessa leitura, fico me perguntando por quê. De qualquer forma, a editora Guarda-chuva publicou outros livros dele aqui no Brasil, então vale a pena dar uma olhada neles.

Lido para o Desafio Volta ao Mundo (Índia).

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Livro: O mundo se despedaça

Título: O mundo se despedaça
Título original: Things Fall Apart
Autor: Chinua Achebe
Tradutora: Vera Queiroz da Costa e Silva
Editora: Companhia das Letras

Faz bastante tempo que tenho vontade de ler esse livro, um clássico da literatura nigeriana. Ele é protagonizado por Okonkwo, um homem muito respeitado em seu clã, que construiu com as próprias mãos sua riqueza e sua reputação de guerreiro, garantindo uma posição de prestígio em Umuófia. No entanto, ele cai em desgraça perante a tribo e é obrigado a se exilar por alguns anos, durante os quais ele só pensa em seu regresso ao lar e em reconstruir o que perdeu. Porém, com a chegada dos colonizadores brancos na região, as coisas começam a mudar rapidamente e Okonkwo, apegado às tradições, é um dos que mais sofre para se adaptar.

O livro mergulha fundo na cultura ibo, exibindo seus costumes e crenças: rituais, festas, casamentos, provérbios, a hierarquia, o trabalho, o relacionamento dentro das famílias e do clã. E apesar de a tribo viver em aparente harmonia, o autor não deixa de nos mostrar as fissuras que há naquela sociedade, sem adotar uma visão maniqueísta de nativos bonzinhos e colonizadores malvados ou vice-versa.

É uma leitura muito interessante, embora em alguns momentos eu tenha me cansado um pouco das descrições do cotidiano da tribo e tenha desejado um pouco mais de ação, que só começa depois da metade do romance. Apesar de a tensão entre os ibos e os europeus ser o grande tema da obra, ela ocupa relativamente pouco do livro.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo (Nigéria).

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Livro: As coisas

Título: As coisas: uma história dos anos sessenta
Título original: Les choses
Autor: Georges Perec
Tradutora: Rosa Freire d'Aguiar
Editora: Companhia das Letras

Jérôme e Sylvie desejam ser ricos. Querem ter um apartamento bonito e amplo, com decoração caprichada e mobília cara. Em vez disso, têm que se contentar com um apartamento apertado, que eles enchem de objetos que ameaçam soterrá-los. Acomodados em um emprego que não paga muito, mas que lhes dá liberdade na rotina, o casal vive o dilema de abrir mão desse descompromisso em troca de uma carreira que lhes dê mais dinheiro ou continuar vivendo a vidinha preguiçosa de sempre e continuar apenas namorando as vitrines. Explorando a fascinação que os objetos exercem sobre nós, Perec narra a trajetória desse casal de classe média durante os anos sessenta.

Perec é um escritor bastante conhecido pelo experimentalismo, o que me deixou com o pé atrás e fez este livro ficar na estante por muito tempo até eu ter coragem de lê-lo, mas As coisas acabou se revelando mais agradável do que eu esperava. Apesar de bastante descritivo quando se trata de objetos e não tanto quando se trata de pessoas e ações, o livro segue uma narrativa clara, e a escrita de Perec, com todas as suas minúcias e observações bem colocadas, é muito gostosa de ler. É muito fácil se identificar com os protagonistas em seus desejos e indecisões, pois todos nós vivemos nessa mesma sociedade consumista, tomados pela vontade de possuir coisas.

Como As coisas foi um dos primeiros livros do autor, talvez ele não seja o mais representativo do estilo de Perec. No entanto, talvez ele seja o ideal para leitores mais medrosos, como eu, para um primeiro contato com sua obra.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo de junho, representando a França.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Livro: Os moomins e o chapéu do mago

Título: Os Moomins e o chapéu do mago
Título original: Trollkarlens hatt
Autora: Tove Jansson
Tradutora: Ana Carolina Oliveira
Editora: Autêntica

Meu primeiro contato com os Moomins se deu em uma das minhas fuçadas na seção de infantojuvenis importados da livraria. O simpático livrinho de capa azul com criaturas brancas e gorduchas chamou minha atenção e entrou para minha lista de livros que desejo mais pelo visual do que pelo conteúdo, mas nunca o comprei. Depois, fiquei sabendo que os Moomins são mais populares do que imaginava (tem até anime!), portanto fiquei bastante animada quando a Autêntica começou a publicar a série aqui no Brasil.

Os Moomins são pequenas criaturas curiosas e aventureiras. Neste livro, que é o terceiro da série, eles encontram um chapéu mágico que pertence ao Hobgoblin, um poderoso feiticeiro. O chapéu transforma uma coisa em outra, mas, até os Moomins descobrirem o que ele realmente faz, muitas confusões acontecem, e eles se divertem com coisas como nuvens flutuantes e se apavoram com algumas das criações do chapéu. Com a história do chapéu como fio condutor, o livro também tem espaço para outras aventuras, como a expedição dos Moomins à Ilha dos Amperinos e a grande caçado ao Mameluke.

Os personagens são adoráveis e divertidos. Gosto especialmente de Snufkin, o viajante solitário e tranquilo, e de Muskarato, o filósofo niilista e ranzinza (que aparentemente só aparece em mais um livro além deste, magoei). A maioria dos personagens tem aquela ingenuidade fofa que os leva a confusões e desentendimentos engraçadinhos e que me lembra um pouco o livro Winnie Puff que eu tanto amo. Assim como Puff, acho que Moomins é uma série que eu teria amado se tivesse lido quando era mais nova, e fico meio triste ao pensar que só pude ler agora e não tive a chance de acompanhar esses personagens desde criança.

Esta edição está muito bonitinha, com capa dura e as ilustrações originais da autora, que são um show à parte. Espero que os livros façam sucesso e a editora publique todos no Brasil, porque é bom finalmente ter uma série tão famosa publicada por aqui.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo e para meu projeto Volta ao Mundo em 80 Livros, representando a Finlândia.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Livro: O mar

Título: O mar
Título original: The sea
Autor: John Banville
Tradutor: Sergio Flaksman
Editora: Biblioteca Azul

Após a morte da esposa, Max Morden, um historiador da arte de meia-idade, retorna à praia onde costumava a passar as férias na infância e mergulha nas lembranças de seu relacionamento com a família Grace. De uma classe social superior à sua, a família exercia grande fascinação sobre o garoto. Inicialmente atraído pela sedutora sra. Grace, ele tenta se aproximar da família e se torna amigo dos gêmeos Myles e Chloe. O livro alterna esse passado e o presente, em que ele convive com as pessoas da casa alugada que costumava alojar os Grace e relembra os últimos dias de sua esposa.

Sinceramente, não tenho muito a dizer sobre o livro. Eu gostei, mas ao mesmo tempo achei meio chato. O estilo de Banville é muito bonito, poético e cria imagens interessantes, não tenho dúvidas disso, mas às vezes ele se torna arrastado e cansativo. Não há muito enredo para prender a atenção do leitor (pelo menos se você for uma leitora como eu, impaciente, chata e cansada). As memórias do protagonista e suas histórias com os Grace são interessantes, mas há pouco desenvolvimento e tudo parece meio sem rumo até chegarmos próximos ao final, em que várias coisas começam a se desenrolar rapidamente.  Apesar disso, houve bons momentos que compensaram meu tédio e terminei a leitura com uma impressão positiva do livro.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo (país: Irlanda).

terça-feira, 29 de março de 2016

Livro: A raposa sombria

Título: A raposa sombria: uma lenda islandesa
Título original: Skugga-Baldur
Autor: Sjón
Tradutor: Luciano Dutra
Editora: Hedra

Descobri esse livro por acaso, fuçando o site da Hedra. Achei a sinopse bastante curiosa e cedi à tentação. Comprei, li e não me arrependi.

O livro conta duas histórias paralelas. Na primeira, um caçador persegue uma raposa-do-ártico sob a neve constante. O caçador é persistente, mas a raposa é esperta e conta com seu belo casaco de pele para se camuflar. Já na segunda, um naturalista se prepara para se despedir da jovem com síndrome de Down que ele resgatou e de quem cuidou nos últimos anos. Apesar de no início não aparentarem ter muito em comum, as histórias se conectam para criar uma mistura de conto tradicional e narrativa histórica, ao mesmo tempo realista e fantasiosa.

Sjón tem um estilo envolvente e poético que combina bastante com o ambiente isolado, misterioso e gélido sobre o qual ele escreve. As descrições detalhadas e a falta de ação, que em outro livro poderiam me incomodar, aqui foram bastante eficazes na construção do clima onírico da primeira e da terceira partes da história.

O livro é bem curtinho (cerca de cem páginas), mas, apesar de eu sentir falta de um pouco mais de desenvolvimento na história de alguns personagens, o autor conseguiu construir uma narrativa bastante impactante.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo e para meu projeto Volta ao Mundo em 80 Livro, representando a Islândia.

terça-feira, 22 de março de 2016

Livro: As aventuras de Pi

Título: As aventuras de Pi
Título original: Life of Pi
Autor: Yann Martel
Tradutora: Maria Helena Rouanet
Editora: Nova Fronteira

Estou com esse livro me esperando na estante faz um tempão, mais um do lote dos empréstimos da minha tia. Relutei bastante em pegá-lo para ler porque ele me parecia ser voltado a leitores com um mínimo de religiosidade, e narrativas de sobrevivência no mar às vezes podem ser uma grande chatice.

Acho que todo mundo conhece razoavelmente a história do livro, graças à popularidade do filme: a família de Pi é proprietária de um zoológico na Índia. De mudança para o Canadá, com alguns dos animais a tiracolo, o navio em que estavam naufraga e Pi sobrevive em um bote junto com uma zebra ferida, uma hiena, uma orangotango e um grande e feroz tigre.

Acabei me surpreendendo positivamente com o estilo de escrita do Martel, que consegue transformar o cotidiano monótono de Pi no barco em algo bastante interessante de se acompanhar (com a exceção de alguns capítulos). Também gostei muito de todas as informações sobre comportamento animal, tanto no início, ao explicar a vida dos animais no zoológico, quanto mais para frente, na convivência de Pi com o tigre. Acho esse tipo de informação interessantíssimo e, por mim, o livro poderia ser inteirinho sobre isso.

Por outro lado, o livro também se concentra bastante na fé do protagonista, que é cristão, hindu e muçulmano, e prega a mensagem de que o importante é amar Deus, independentemente da religião. Confesso que li esses trechos no automático, o que se mostrou prejudicial ao terminar a leitura, porque fiquei bastante confusa com o que o autor queria passar no final. Acho que minha completa falta de religiosidade me deixou cega para esse aspecto do livro e acabei sem ver muito sentido nos capítulos finais.

Mensagens à parte, o livro me deixou com muita vontade de ver o filme, pois imagino que ele seja muito bonito visualmente, e de ler o livro Max e os felinos, do Moacyr Scliar, no qual Martel se inspirou livremente para escrever sua obra.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo (país: Canadá).

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Livro: Arrecife

Título: Arrecife
Título original: Arrecife
Autor: Juan Villoro
Tradutora: Josely Vianna Baptista
Editora: Companhia das Letras

Depois de ler o infantojuvenil O livro selvagem, um romance adorável sobre o poder da literatura, fiquei bastante curiosa para conhecer mais da obra do Juan Villoro. Aproveitando que o país de fevereiro do Desafio Volta ao Mundo é o México, escolhi mais um livro do autor.

O protagonista de Arrecife é Tony Góngora, ex-baixista de uma banda de rock, que trabalha em um resort de luxo no Caribe sonorizando o movimento dos peixes no aquário. Seu melhor amigo, Mario Müller, foi o responsável por transformar o hotel em um empreendimento de sucesso, oferecendo aos turistas endinheirados uma experiência diferente em suas rotinas modorrentas e seguras: o perigo. Em um ambiente controlado, os hóspedes passam por situações de risco pouco usuais para eles, mas típicas da região controlada pelo narcotráfico, como sequestros-relâmpago e encontros com guerrilheiros, tudo devidamente encenado por atores. No entanto, a fronteira entre encenação e realidade se esgarça quando um dos mergulhadores do hotel é encontrado morto.

Apesar de um início que aponta para o romance policial, a investigação do crime não é o foco do livro. O mais importante aqui é a amizade entre Tony e Mario, ex-companheiros de banda, que viveram altas loucuras nos anos 60 e 70. Devido ao excesso de drogas, Tony perdeu parcialmente a memória, e Mario o ajuda a preencher as lacunas em suas lembranças, relembrando acontecimentos da infância e dos anos de estrada.

Esse é o típico livro que me envolveu bastante durante a leitura, mas se tornou esquecível depois que terminei. Estou escrevendo esta resenha algumas semanas após a leitura e já não lembro direito da história (me sinto como Tony e suas lembranças incompletas). Ele apresenta ideias interessantes, como a do hotel que explora a fascinação que temos pelo perigo, e personagens também interessantes, além de uma boa dose de críticas à sociedade mexicana contemporânea (e aos gringos também), mas o desfecho deixa a desejar e, em retrospecto, a imagem que ele deixou em mim é a de um livro meio insípido.

Livro lido para o Desafio Volta ao Mundo 2016 (México)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Livro: História do dinheiro

Título: História do dinheiro
Título original: Historia del dinero
Autor: Alan Pauls
Tradutora: Josely Vianna Baptista
Editora: Cosac Naify

Inicialmente, eu queria comprar o livro História do cabelo, parte da trilogia do argentino Alan Pauls que também inclui esse História do dinheiro, além da História do pranto. Eu não sabia muito bem sobre o que era o tal livro, mas já tinha lido uma resenha e, bem, cabelo é algo interessante, não é? Aí, no bota-fora da Cosac Naify, incluí o dito cujo na minha listinha de "se não tiver os livros que eu quero eu compro esses". Claro que chegando lá acabei comprando os livros que mais queria e os que eu não queria tanto, além de uns aleatórios, porque só custavam dez reais, como resistir? Mas não tinha história do cabelo, nem do pranto, só do dinheiro. Eu até tomei coragem, perguntei para a atendente, fiquei esperando eles buscarem no estoque, mas nada. Então comprei o do dinheiro mesmo.

Toda essa história é só para justificar essa leitura como válida para o Desafio Livrada! na categoria "livro que você não sabe por que tem". Eu sei por que tenho esse livro, mas também sei que foi uma compra meio sem motivo. E meio que me arrependi de ter comprado.

O romance se passa na Argentina entre os anos 1960 e 2000, revelando o cenário econômico instável da época e como ele afeta a vida dos personagens. O livro acompanha o protagonista desde a infância em suas lembranças sempre permeadas pela presença do dinheiro. Do fascínio que ele tinha pelo primeiro morto que viu, um amigo da família que morreu em um acidente de helicóptero, desaparecendo com uma enorme quantia de dinheiro, até às dificuldades da mãe em gerenciar o próprio dinheiro no fim de sua vida, passando pelo vício do pai no jogo e o poder que o dinheiro herdado exercia sobre toda a família.

Meu problema com o livro é que o autor escreve frases incrívelmente longas e confusas, em paragráfos compridos e cansativos, e eu simplesmente não estava a fim. Não é nem questão de estar no momento certo, acho que eu nunca estarei no momento certo para esse tipo de livro se ele não tiver um enredo muito forte ou personagens mais interessantes, porque durante a leitura meu interesse ficava oscilando feito doido. O livro tem alguns momentos marcantes, mas a maneira errática de narrar me cansou e me deixou impaciente para terminar logo a leitura.

Acho a ideia da trilogia do Alan Pauls fantástica e imagino que ler a série completa seja uma experiência interessante, para ter uma visão mais completa do mesmo protagonista a partir de diferentes enfoques, mas acho que não vou me arriscar nos outros, não é para mim.