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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Retrospectiva 2016: desafios literários

Para fechar as retrospectivas de 2016, vou falar sobre os desafios literários de que participei. 2016 não foi um ano em que eu estava muito empenhada em completar qualquer um dos desafios. Se o tema me agradasse e/ou eu tivesse livros disponíveis que se encaixassem nele, ótimo. Se não, ótimo também. Assim, não completei nenhum dos desafios, mas cheguei bem perto de completar um deles. Meu post escrito no começo de 2016 com as ideias de leituras está aqui.

Desafio Skoob

Foi um ótimo desafio para desencalhar livros da estante. Dos treze livros lidos, a maioria eu já tinha em casa. O desafio me estimulou a finalmente ler alguns livros que eu estava evitando, como Hamlet e O menino que se trancou na geladeira.

Só deixei de ler o livro de abril, porque não gostei do tema e não consegui pensar em nenhuma leitura que me agradasse.

Minhas leituras foram as seguintes:

JANEIRO - Gênero Fantasia
O vitral encantado - Diana Wynne Jones

FEVEREIRO - Autor(a) Asiático(a)
Declínio de um homem - Osamu Dazai
Irmãos - Yu Hua
Terra e cinzas - Atiq Rahimi

MARÇO - Livro escrito por mulher
To the lighthouse - Virginia Woolf

ABRIL - Livro sobre Holocausto

MAIO - Autor(a) Africano(a)
O fio das missangas - Mia Couto

JUNHO - Livro com 3 palavras no título
Vernon God Little - DBC Pierre

JULHO - Livro com Serial Killer
Os crimes ABC - Agatha Christie

AGOSTO - Biografia
A drifiting life - Yoshihiro Tatsumi

SETEMBRO - Autor(a) Brasileiro(a)
O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi

OUTUBRO - Thriller Psicológico
Love - Stephen King

NOVEMBRO - Clássicos da Literatura Estrangeira
Hamlet - William Shakespeare

DEZEMBRO - Nome de Cidade, Região ou País no Título
Budapeste - Chico Buarque

Desafio Livrada!

Nesse desafio, fui encaixando os livros que lia nas categorias, sem me planejar muito. Resultado: não li nada em algumas categorias meio fáceis, mas tudo bem. No final, completei 11 das 15 categorias, o que não é ruim.

1- Um prêmio Nobel

2- Um livro russo
O beijo e outras histórias - Anton Tchekhov

3- Um cânone da literatura ocidental
To the lighthouse - Virginia Woolf

4- Uma novela
A exposição das rosas - István Örkény

5- Um livro que você não sabe por que tem 
História do dinheiro - Alan Pauls

6- Um autor do seu estado
O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi

7- Um livro publicado por uma editora independente
Quando o imperador era divino - Julie Otsuka

8- Uma ficção histórica
The Witch of Blackbird Pond - Elizabeth George Speare

9- Um livro maluco
Eeeee Eee Eeee - Tao Lin

10- Um livro que todo mundo já leu menos você

11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta 
O vitral encantado - Diana Wynne Jones

12- Um livro bobo
Sendo Nikki - Meg Cabot

13- Um romance de formação
Irmãos - Yu Hua

14- Um livro esgotado

15- As aventuras do bom soldado Svejk

Desafio Volta ao mundo

Esse desafio não teve muita adesão. As pessoas começaram animadas, mas foram abandonando aos poucos. De qualquer maneira, ele me incentivou a ler um livro da Indonésia, que eu provavelmente não leria se não fosse por ele, e acabei gostando bastante da minha escolha. Li quase todos os livros "obrigatórios" e ignorei a maioria dos bônus. Infelizmente, fiz uma confusão e não li nada da Austrália porque achei que a China era o país de novembro e a Indonésia, de dezembro, hahaha.

Janeiro: Argentina
História do dinheiro - Alan Pauls

Fevereiro: México
Arrecife - Juan Villoro

[Bônus: Colômbia]

Março: Canadá
As aventuras de Pi - Yann Martel

[Bônus: Islândia]
A raposa sombria - Sjón

Abril: Irlanda
O mar - John Banville

Maio: Finlândia
Os Moomins e o chapéu do mago - Tove Jansson

[Bônus: Alemanha]

Junho: França
As Coisas - Georges Perec

Julho: Nigéria
O mundo se despedaça - Chinua Achebe

[Bônus: África do Sul]

Agosto: Irã

Setembro: Índia
O pintor de letreiros - R. K. Narayan

Outubro: Japão
O rosto de um outro - Kobo Abe

[Bônus: China]

Novembro: Indonésia
Beauty Is a Wound - Eka Kurniawan

Dezembro: Austrália

E esses foram os desafio de que participei em 2016. Ainda estou pensando sobre o que fazer em questão de leituras em 2017 e logo escrevo aqui.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Livro: Budapeste

Título: Budapeste
Autor: Chico Buarque
Editora: Companhia das Letras

Budapeste era um livro que eu queria ler faz tempo, graças a algumas resenhas negativas que li na internet na época em que comecei a participar de desafios literários. Não lembro o que exatamente as resenhas diziam, mas nada como umas boas críticas para despertar a vontade de ler um livro! Além disso, o livro se passa em Budapeste, cidade que desejo conhecer um dia, e fala sobre a língua húngara, que estou aprendendo, então é uma leitura que eu faria mais cedo ou mais tarde.

O livro é sobre José Costa, um ghost writer muito talentoso. Apesar de satisfeito com o anonimato da profissão, ele tem suas crises, e numa dessas, decide ir para Budapeste, largando a mulher e o filho no Rio. Na cidade húngara, ele se apaixona por uma mulher, além de se apaixonar pela língua húngara.

Comecei a ler o livro achando que não ia gostar muito, mas a escrita do Chico é deliciosa demais para eu não gostar. Além disso, o livro faz um jogo de espelhamento interessante com os livros, as cidades onde a história se passa, as línguas e as mulheres do protagonista. E para mim, especialmente, foi interessante observar o aprendizado de José Costa da língua húngara.

Terminei a leitura me perguntando que defeitos as pessoas das resenhas que citei antes viram no livro, mas não foi muito preciso refletir muito para chegar numa possível resposta: o protagonista é chato, daquele tipo que faz um monte de besteiras e não aceita a responsabilidade, e o enredo em si não tem nada de espetacular. Ou seja, o livro pode ser bem chatinho dependendo do que você valoriza na sua leitura.

Livro lido para o Desafio Skoob (nome de cidade, região ou país no título).

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Livro: Hamlet

Título: Hamlet
Autor: William Shakespeare
Editora: Simon & Schuster

Acho que todos conhecem o básico da história de Hamlet: o príncipe da Dinamarca vê o fantasma do pai, que conta que foi morto pelo irmão e pede ao filho que o vingue. Hamlet se sente pressionado a agir, mas hesita. Mesmo ao comprovar a culpa do tio, ele não age e prefere mergulhar em reflexões e se fingir de louco, o que leva a um monte de confusões muito loucas e a um final trágico.

Finalmente ler um clássico tão conhecido foi uma experiência interessante, mas um pouco insatisfatória. Vamos começar pelo maior problema: eu li em inglês. Não sou a mais fluente das leitoras quando se trata de linguagem antiga e não tenho muita paciência para ir atrás de palavras que não conheço ou expressões que não entendi. Ou seja, fiquei sem entender uns trechos e estou nem aí para as belezas da linguagem, para as brincadeiras com as palavras etc. Por outro lado, é razoavelmente tranquilo seguir a história; são as nuances que se perdem.

O outro problema é que, por mais interessante que seja ler as frases famosas (como "ser ou não ser, eis a questão" ou "há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia") no contexto original, achei os solilóquios chatinhos e meio difíceis de entender (o que é consequência dos meus problemas com a linguagem, mas imagino que eu também acharia os solilóquios chatos em português).

O lado bom da leitura é que a história é bastante interessante, às vezes até empolgante, mesmo já se conhecendo o enredo básico e as principais questões abordadas. Inclusive, talvez por já sabermos de algumas das coisas que estão por vir, conseguimos prestar atenção em outros aspectos e analisar melhor o que nos é apresentado. Como disse o Ítalo Calvino, um clássico é um livro que, por mais que pensemos conhecer, se revelam novos quando o lemos. Acho que Hamlet se encaixa bem nesse caso.

Livro lido para o Desafio Literário Skoob (um clássico).

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Livro: Love

Título: Love - A história de Lisey
Título original: Lisey's Story
Autor: Stephen King
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Objetiva

Demorei para resenhar esse livro aqui porque fiquei (e ainda estou) na dúvida se ele se encaixa no tema do desafio literário: thriller psicológico. Mas refletindo percebi que acho que ele se encaixa, sim, e se não se encaixar... vamos fingir que se encaixa.

Love conta a história de Lisey, que era casada com Scott Landon, famoso escritor americano, um raro exemplar da espécie cultuado tanto pela crítica quanto pelo público. Dois anos depois da morte dele, Lisey ainda tem problemas ao lidar com o luto. Ao se ver obrigada a remexer nas coisas do marido para satisfazer as exigências dos incunks (abutres-acadêmicos que desejam por as mãos nos papéis que Landon deixou para trás), ela é forçada a mergulhar nas lembranças e mistérios do marido.

Esse é o terceiro Stephen King que leio e talvez tenha sido o que menos gostei. Ele não é ruim nem nada do tipo, mas achei um tanto quanto lento e prolixo. Por mais que isso tenha os seus motivos de ser e ajude a construir o clima, desenvolver os personagens e tal, ainda assim eu esperava algo um pouco mais animado vindo de um livro do King. Ele tem seus momentos tensos, tem seus momentos surpreendentes e tem seus momentos envolventes, mas no geral é um livro morno, com pouca ação, o que faz sentido, já que ele se concentra no psicológico dos personagens e faz uma escavação arqueológica na memória da Lisey (preparem-se para flashbacks e flashbacks dentro de flashbacks).

Algumas considerações sobre a linguagem e o estilo: a Lisey e o Scott tinham suas próprias expressões e palavras, que aparecem bastante no livro, como o jeito de chamar a escrivaninha ou o tal do "bool". Sinceramente, essas palavras me irritaram um pouco, assim como a técnica do King de cortar o fluxo da narrativa inserindo parenteses com algum pensamento, que é algo que já vi em outros livros dele. Não é nada que estrague a leitura, mas incomoda um pouco.

Eu realmente gostei da maioria dos personagens centrais e adorei o relacionamento entre Lisey e suas irmãs, principalmente a Amanda. Isso me fez desejar ler um livro inteiro centrado nelas, sem Landon e seu passado mórbido para atrapalhar.

Por outro lado, não achei a história em si tão interessante. O livro trata de assuntos fascinantes, como a criação literária, e tem uma abordagem que achei muito interessante de doenças mentais, então eu esperava um pouco mais. Talvez as expectativas estivessem altas demais. Talvez eu tenha me tornado uma leitora chata demais. Não sei. Ainda assim, acho que vale a pena dar uma chance ao livro, seja você fã do Stephen King ou não.

Livro lido para o Desafio Literário Skoob (thriller psicológico).

sábado, 10 de setembro de 2016

Livro: O menino que se trancou na geladeira

Título: O menino que se trancou na geladeira
Autor: Fernando Bonassi
Editora: Objetiva

Nos últimos anos é raro eu ler um livro e dar uma avaliação muito baixa. Ou estou acertando nas escolhas de leituras (mas não deve ser o caso, já que ainda estou falhando em escolher livros realmente marcantes) ou estou mais boazinha na hora de avaliar, sempre vendo alguma qualidade redentora nele. O menino que se trancou na geladeira é a exceção. Dei uma estrela e não me arrependo.

Esse livro é chato. Muito chato. Ele é uma fábula escrita no formato de romance-reportagem sobre um menino filho de um pai pobre e preso e de uma mãe de família rica decaída que em certo momento deixa sua terra natal e passa a viver dentro de uma geladeira. Então acompanhamos sua ascensão social, sempre em meio a um monte de explicações sobre a sociedade em que ele vive, que é basicamente a nossa sociedade, mas mostrada de uma maneira satírica que nos faz ver todas as excentricidades dela.

E aí é que está o problema. A proposta até parece interessante, mas o autor extrapola ao contar sobre a sociedade, criando dezenas de siglas e palavras modificadas e explicando de maneira muito confusa como tudo funciona. Ele tenta ser engraçadinho, mas acaba sendo chato.

Se o autor desse uma enxugada e resumisse o romance a um conto, talvez, quem sabe, haveria uma pequena chance de ele se tornar uma boa leitura, porque ele escreve algumas coisas interessantes no meio da enxurrada de informações que oferece, mas infelizmente ele é prolixo mesmo, e as 218 páginas do livro se tornam muito cansativas.

Livro lido para o Desafio Skoob (livro nacional) e Desafio Livrada! (autor do seu estado).

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Livro: Os crimes ABC

Título: Os crimes ABC
Título original: The ABC Murders
Autora: Agatha Christie
Tradutor: Rocha Filho
Editora: Record

Estava cogitando nem ler nada para o tema do Desafio Skoob de julho, serial killer, porque não me veio nenhuma ideia na cabeça além dos livros sobre o Hannibal Lecter, que infelizmente não estão disponíveis nas bibliotecas daqui e não estou a fim de comprar. Então decidi ler um livro que estava na lista de quero ler faz muito, muito tempo e que não sairia dela tão cedo se não fosse por desafios literários.

Não sou a maior fã da Agatha Christie. Dos quatro livros que li dela em tempos recentes, um foi tão descartável que nem lembro direito do título, um foi ok, mas abaixo das expectativas, um foi legal durante a leitura, mas esquecível, e apenas um foi realmente envolvente e divertido (resenhei aqui). Mesmo assim, continuo decidida a dar mais chances à escritora e, assim, li Os crimes ABC.

No livro, um assassino escolhe suas vítimas de acordo com a ordem alfabética: primeiro ele mata alguém com um nome que começa com A em uma cidade cujo nome também começa com A. Depois é a vez da letra B, depois da C etc. Antes de cometer os crimes, ele manda uma carta a Poirot, avisando o dia e a cidade escolhidos. A polícia e os jornais logo se convencem de que o assassino é um psicopata frio e calculista, mas Poirot suspeita de que há algo estranho por trás de tudo.

O livro segue a fórmula do romance policial típico (crime acontece, Poirot e o amigo Hastings vão ao local investigar e interrogar o pessoal), com algumas diferenças, como os capítulos narrando as ações do Sr. ABC entremeados aos da narrativa de Hastings e a iniciativa de Poirot de juntar um grupo com os familiares da vítima para auxiliar na investigação. Como são vários crimes, em certo ponto os personagens começam a se acumular a as coisas ficaram meio confusas para mim, a mestre em esquecer que personagem é quem, mas ainda assim, achei as reuniões dos familiares as partes mais interessantes do livro.

Como sempre, a resolução do crime me surpreendeu bastante, mas ao mesmo tempo achei meio decepcionante. Ou seja, o livro tem seus diferenciais e é interessante acompanhar a investigação, mas o final não é dos mais empolgantes.

Lido para o Desafio Skoob, tema: livro com serial killer.

domingo, 19 de junho de 2016

Livro: Vernon God Little

Título: Vernon God Little: A 21th Century Comedy in the Presence of Death
Autor: DBC Pierre
Editora: Faber and Faber (publicado no Brasil pela Record)

Demorei bastante para engatar na leitura de Vernon God Little. Sem saber muito sobre o que o era livro, me deparei com uma linguagem esquisita e difícil de ler, cheia de gírias desconhecidas e sotaque texano carregado. Sofri um pouco para entender o que estava acontecendo, tive que reler algumas frases e fiquei meio cansada no primeiro dia de leitura, mas logo me acostumei e fui cativada pela história de Vernon, suspeito de participar de uma chacina escolar.

Inocente, Vernon estava no lugar errado na hora errada (e era amigo das pessoas erradas) e é pego pela necessidade de um bode expiatório, já que o único culpado pelo incidente, Jesus, melhor amigo de Vernon, se suicidou após os assassinatos. Inseguro, sem poder revelar a verdade por medo de incriminar outros, Vernon age impulsivamente, confia nas pessoas erradas, é vítima do circo midiático que se ergue ao seu redor e parece cada vez mais culpado aos olhos do público.

Com bastante humor negro, a narrativa é divertida, bizarra e ácida, criticando muitos aspectos da cultura americana contemporânea, principalmente o poder de manipulação da mídia e todo o espetáculo criado por ela. Os personagens são patéticos e absurdos (e irritantes), um tanto caricatos demais para o meu gosto.

Esse é um livro que não vai agradar a todos. Ele é bastante caricatural, a linguagem é coloquial demais, os personagens não são os mais simpáticos, o humor pode ser bastante grosseiro às vezes, ou apenas estúpido, mas para mim funcionou. Algo em sua crueza me conquistou e, aos poucos, me vi torcendo pelo protagonista, que no começo só me causava irritação, e apreciando cada vez mais a leitura.

Lido para o Desafio Skoob (tema: título com três palavras).

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Livro: O fio das missangas

Título: O fio das missangas
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras

Esse é o quarto livro do Mia Couto que leio e o primeiro de contos. Em geral sou muito fã de contos, mas tenho certa dificuldade em ler vários em seguida, que foi mais ou menos o que fiz neste caso. Eu já tinha lido um dos contos para uma aula, há alguns anos, e na ocasião gostei bastante, mas agora sinto que nenhum dos textos foi especialmente memorável ou se destacou dos outros.

O livro reúne 29 contos curtos, como missangas em um colar, com a voz do autor como fio. As narrativas apresentam a prosa poética e as brincadeiras com as palavras típicas do Mia Couto. São histórias simples e sensíveis, tratando de amor, morte, solidão e outras questões bastante humanas, muitas delas focadas no universo feminino.

Em livros de contos, sempre têm alguns contos que agradam mais e outros que agradam menos, portanto, li o livro com a expectativa de encontrar uma pequena joia que se destacaria dos outros textos, mas não a encontrei. Achei as histórias mais ou menos uniformes, sem nada excepcional e nada particularmente ruim. Para mim, o problema do livro é que os contos são curtos demais. Não dá tempo para se aclimatar a cada história e cada personagem, o que impede um envolvimento maior com a leitura e me deixou com uma leve sensação de insatisfação ao final de cada conto.

A escrita do Mia Couto continua bela como sempre, disso não posso reclamar. Porém, não foi o suficiente para me conquistar. Talvez uma leitura mais tranquila, com tempo para degustar cada palavra, me faria apreciar mais o livro, não sei.

Livro lido para o Desafio Skoob (autor africano) e para meu Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros (Moçambique).

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Mangá: A Drifting Life

Título: A Drifting Life
Título original: Gekiga Hyouryuu
Autor: Yoshihiro Tatsumi
Tradutor: Taro Nettleton
Editora: Drawn & Quarterly Publications (Canadá)
Ano de publicação dessa edição: 2009 (publicado no Japão em 2008)

Não costumo ler biografias e memórias. Tenho esse preconceito bobo de que, na literatura, se uma história é real, ela perde parte da graça. Porém os quadrinhos biográficos estão aí para me fazer rever meus conceitos. Retalhos, Persépolis, Maus, Cicatrizes. Todos apresentam ótimas histórias sem ficar com muita cara de fatos reais. Por isso, decidi encarar A Drifting Life, mangá autobiográfico de Yoshihiro Tatsumi.

Tatsumi (1935-2015) foi um autor de mangá conhecido por ter cunhado o termo "gekiga" (figuras dramáticas). Em uma época em que o que predominava no mercado eram os mangás cômicos e infantis, Tatsumi e outros artistas passaram a usar o termo para diferenciar suas obras, mais sérias, realistas e adultas, do resto. Posteriormente, o gekiga se popularizou, influenciando até grandes nomes como Osamu Tezuka e dando origem ao que foi chamado de "Era de Ouro do Mangá". Hoje essa influência é menor, mais notável nos mangás seinen e nas obras menos comerciais.

A Drifting Life mostra a formação de Tatsumi como artista: sua paixão pelos mangás do Tezuka; as primeiras tirinhas que enviou para revistas; o companheirismo e as brigas com o irmão, que compartilhava com ele a paixão pelos quadrinhos; suas primeiras histórias publicadas; a formação da revista Shadow, coletânea de histórias curtas adultas; a luta para sobreviver de mangá e para entregar os trabalhos no prazo; e o mais importante, a formação de um novo estilo de mangá, o gekiga. Permeando sua vida pessoal, o livro também mostra os acontecimentos históricos (o mangá se inicia logo após a rendição do Japão na Segunda Guerra), inovações tecnológicas e tendências culturais da época.

Como qualquer obra biográfica, o livro é mais interessante para quem é familiarizado com o trabalho do autor e com os artistas e mangás da época. Como não manjo nada de mangás antigos, fiquei um pouco perdida quando nomes eram citados, mas o que realmente me fez falta foi saber como eram os mangás mainstream da época e como a obra de Tatsumi e seus colegas se diferenciava deles. O livro mostra algumas das inovações e influências que esses autores trouxeram, como um estilo mais cinematográfico, por exemplo, mas achei que ficou um pouco vago. Provavelmente o leitor japonês ou o aficionado por mangás não teria esse problema. De qualquer maneira, fiquei curiosa para conhecer as obras deles. (Mas vou atrás? Provavelmente não).

Também achei que o livro poderia mergulhar mais fundo na obra e na vida de Tatsumi. O autor adota um tom factual que dá certa frieza ao livro, principalmente mais para o final, que foca no mercado editorial de mangás e na rotina dos autores para manter os trabalhos em dia, além da discussão sobre o gekiga. Eu queria um pouco mais de relacionamentos humanos e de motivações internas, queria sentir a paixão que o protagonista e seus colegas têm pelo mangá, mas em grande parte do tempo o que o livro oferece é uma sucessão de fatos, o que se tornou meio entediante depois de um tempo.

Apesar de não ser o quadrinho autobiográfico mais caloroso, emocionante e envolvente que há por aí, A Drifting Life é uma obra bastante interessante. Para quem gosta de mangás, ela é uma grande aula sobre essa mídia e o mercado no período do pós-guerra. E para quem não gosta, bem, suponho que não seja o livro mais adequado, mas ainda assim dá para se divertir.


Livro lido antecipadamente para o Desafio Skoob (agosto: biografia)

sexta-feira, 18 de março de 2016

Livro: To the lighthouse

Título: To the lighthouse
Autora: Virginia Woolf
Editora: Wordsworth

Sempre tive um pouco de medo da Virginia Woolf. Narrativas modernistas, que exploram o psicológico dos personagens com o uso do fluxo de consciência, costumam me intimidar. Apesar de já ter lido outras obras da autora, Mrs. Dalloway e Noite e dia, continuei com esse medinho, mesmo sabendo que provavelmente era bobagem minha.

Aproveitei março, mês das mulheres no Desafio Skoob, para finalmente ler To the lighthouse (Ao farol ou Rumo ao farol, na tradução brasileira) e descobri que estava certa em ter medo, porque foi uma experiência bastante penosa.

O romance é dividido em três partes e acompanha a família Ramsay e seus convidados em uma casa de praia. É o típico livro em que quase não há ação e o que importa é o interior dos personagens. Com o uso da técnica do fluxo de consciência, oscilamos entre os pensamentos dos vários personagens, um bando de pessoas bem desinteressantes. Temos a sra. Ramsay, bela, mãe de oito filhos, preocupada em ser uma boa anfitriã e imersa em reflexões sobre si e sobre os outros; temos James, o filho caçula, que deseja ir ao tal farol do título; temos Lily Briscoe, uma pintora repleta de dúvidas a respeito do quadro que está pintando; e temos vários outros personagens que não me pareceram interessantes o suficiente para eu escrever sobre eles aqui.

A escrita de Woolf é bastante poética, mas não de uma maneira leve e fluida, e sim de uma maneira confusa e cansativa que faz o leitor menos atento (eu) se perder. O livro acabou tendo um efeito meio soporífero sobre mim, que não conseguia ler mais que umas poucas páginas por dia e acabei levando uma semana para ler um livro tão curto.

Apesar dos pesares, o romance tem algumas passagens bonitas e marcantes. Leitores mais pacientes provavelmente farão bom proveito dele.

Lido para o Desafio Skoob (março: livro escrito por mulher) e o Desafio Livrada! (um cânone da literatura ocidental).

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Livro: Terra e cinzas

Título: Terra e cinzas: um conto afegão
Título original: Khâkestar-o-khâk (dari) e Terre et cendres (francês)
Autor: Atiq Rahimi
Tradutora: Flávia Nascimento
Editora: Estação Liberdade

Nunca tinha ouvido falar desse livro ou do autor, mas o descobri fuçando a estante da biblioteca na parte dos autores do Oriente Médio, em busca de países ainda não lidos para o Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros, e a edição pequenina e simpática me chamou a atenção.

Esta foi a primeira obra de ficção do escritor e cineasta Atiq Rahimi. Escrito originalmente em dari, variação do persa usada no norte do Afeganistão, o livro narra a história de um velho que teve seu vilarejo completamente destruído em um bombardeio. Ele perdeu todos os seus parentes, com exceção do neto, que ficou surdo, e do filho, que trabalhava na mina e ainda não sabe do ocorrido. O velho então parte em direção à mina para contar ao filho o que aconteceu. Durante a espera por uma carona, acompanhando do neto na aridez do deserto, ele relembra o acontecimento e reflete sobre como dar uma notícia tão devastadora.

Uma das coisas que se destaca no livro é a narração na 2ª pessoa do singular. Já vi alguns poucos livros que utilizam esse recurso, provavelmente para criar uma identificação maior entre o leitor e o narrador, mas sempre acabo estranhando no início. Talvez o estranhamento também seja parte da intenção do autor.

O livro é bonito, sensível e doloroso, mas não me conquistou completamente. Não há nada que tenha me incomodado em específico e consigo ver as muitas qualidades da obra, acho que foi apenas falta de envolvimento da minha parte mesmo.

Livro lido para o Desafio Skoob (autores asiáticos) e o Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros (Afeganistão).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Livro: Irmãos

Título: Irmãos
Título original: 兄弟 (Xiōng Dì)
Autor: Yu Hua
Tradutor: Donaldson M. Garschagen
Editora: Companhia das Letras

Quase sempre que leio um livro que abrange a maior parte da vida de um personagem, acabo gostando mais do início e desanimando à medida que a vida adulta vai se desenvolvendo. Este foi o caso de Irmãos, que acompanha a trajetória de dois irmãos em uma pequena cidade chinesa. Apesar de não ligados pelo sangue, Li Carequinha e Song Gang se tornam irmãos quando a mãe do primeiro se casa com o pai do segundo. Li Carequinha é malandro e esperto, enquanto Song Gang é tranquilo e gentil. Apesar das diferenças, eles logo se tornam inseparáveis e enfrentam juntos as dificuldades que surgem em seu caminho. 

No plano de fundo, o livro traça um panorama da história da China nos últimos quarenta anos. Da Revolução Cultural de Mao, que afeta profundamente a família dos dois garotos, à chegada do capitalismo, que provoca uma grande transformação na cidade onde vivem e propicia a Li Carequinha o ambiente perfeito para ele "vencer na vida".

O romance tem um tom leve, bastante "anedótico", com muitas situações cômicas. Os personagens são carismáticos, mas não espere um bom desenvolvimento da maioria deles. Com a exceção do núcleo principal, o resto é bem plano, alguns até caricatos, o que não é um problema porque eles funcionam bem dentro da narrativa.

O humor do livro é um de seus pontos fortes, mas também um de seus pontos fracos. É um humor simples, com algumas piadas bem bobas até, mas ele me rendeu muitas risadas (ok, não cheguei a rir alto, mas ri por dentro, serve?) devido às situações absurdas e aos personagens sem noção. No entanto, com o passar do tempo, certos exageros e repetições presentes ali só para fazerem rir se tornam cansativos, e o humor foi ficando cada vez mais forçado e até meio ofensivo.

Aí é que reside a minha frustração com o livro. A primeira metade da história realmente me conquistou. Eu virava as páginas e mal via o tempo passar, rindo e me emocionando até quase chorar (o tom cômico predomina no livro, mas ele também oferece uma boa dose de tragédia). No entanto, quando os dois irmãos começam a seguir caminhos diferentes a coisa desanda e vai ficando cada vez mais absurda. Não consigo ver o motivo para a presença de certos acontecimentos na trama (Concurso da Beleza Virginal? Sério?) e o absurdo dos eventos deixou de me fazer rir para me fazer erguer as sobrancelhas de incredulidade. Sei que muito do livro é crítica social e que o exagero esteve presente na narrativa desde o começo, mas não consigo deixar de me lamentar pela perda de rumo do livro que eu estava amando tanto.

Ainda assim, não posso dizer que não gostei de Irmãos. Sim, o humor escrachado nem sempre funciona. Sim, ele tem muitos problemas e pode ser bem ofensivo para o leitor mais sensível/politicamente correto. Sim, eu queria bater no Li Carequinha durante boa parte da metade final. Mas mesmo durante os momentos que comentei, continuei interessada na história e nos personagens. E a metade inicial maravilhosa compensa boa parte dos problemas. 

Livro lido para o Desafio Skoob (autor asiático) e para o Desafio Livrada! (romance de formação).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Livro: Declínio de um homem

Título: Declínio de um homem
Título original: Ningen Shikkaku
Autor: Osamu Dazai
Tradutor: Ricardo Machado
Editora: Estação Liberdade

Esse é o primeiro livro que leio do Osamu Dazai, um dos mais importantes autores japoneses do século XX. A obra é um best-seller no Japão, perdendo apenas para Kokoro do Natsume Soseki como o romance japonês mais vendido.

Com  muitas passagens autobiográficas, o livro é protagonizado por Yozo Oba, um jovem que sempre se sentiu alienado do resto da sociedade. Desde criança, tinha dificuldades de interagir com os outros e vergonha de revelar sua verdadeira face. Na tentativa de ser aceito, ele se se escondia atrás de palhaçadas, o que lhe rendia certa popularidade, mas também o deixava temeroso de que enxergassem por trás de suas traquinagens.

A partir da adolescência, sua depressão só se agrava. O personagem se envolve com diversas mulheres, muitas vezes sendo sustentado por elas, mas isso não lhe traz nenhuma felicidade, e ele se entrega ao álcool (e à morfina, e a outras mulheres, e a tentativas de suicídio), sentindo cada vez mais dificuldade em se adaptar à sociedade e viver o que se considera uma vida normal.

O romance é bastante visceral em seu retrato do protagonista angustiado e ganha um peso adicional ao se pensar que muito dele é autobiográfico. É um livro que pode ser bastante incômodo, principalmente se você se identificar bastante com algumas facetas da personalidade de Yozo (ou se não se identificar nem um pouco. Neste caso, é possível que você se irrite seriamente com algumas das atitudes dele).

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Se vocês se interessarem, o tradutor dessa edição escreveu este post comentando sobre o processo de tradução.

E tem um anime que adapta o romance (além de outros clássicos da literatura japonesa, como Kokoro e contos do Akutagawa): Aoi Bungaku. Alguém já viu?

Livro lido para o Desafio Literário Skoob (autores asiáticos). 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Livro: O vitral encantado

Título: O vitral encantado
Título original: Enchanted Glass
Autora: Diana Wynne Jones
Tradutora: Raquel Zampil
Editora: Galera Junior

Com a morte de seu avô, um mago poderoso, Andrew herda uma propriedade e um campo de proteção. Acostumado à sua vida não-mágica de professor universitário, ele não sabe muito bem o que fazer com toda a magia ao seu redor e tudo o que deseja é aproveitar o sossego do local para se dedicar ao seu livro. A chegada de Aidan, um menino órfão perseguido por criaturas misteriosas, põe a tranquilidade em risco e obriga a Andrew a vasculhar suas lembranças da infância ao lado do avô para lidar com as responsabilidades mágicas.

Desde que li a trilogia do Castelo Animado, tenho a Diana Wynne Jones como uma das minhas autoras preferidas. Adoro os personagens carismáticos e as histórias repletas de reviravoltas que ela criou. O vitral encantado, um dos últimos livros escritos pela autora, apresenta uma premissa que me lembra bastante a de A casa dos muitos caminhos, porque os dois livros têm protagonistas não muito ligados à magia tomando conta de uma casa obviamente mágica. Além disso, o livro apresenta diversos personagens divertidos e excêntricos e as reviravoltas típicas da autora.

No entanto, o livro ficou abaixo das expectativas. Ele está longe de ser ruim, mas achei o ritmo irregular e fiquei bastante insatisfeita com o clímax, que me pareceu uma grande bagunça sem sentido. Como a história envolve personagens folclóricos, talvez eu é que não tenha entendido as referências ocultas, porque realmente espero que tenha algo a mais por trás daquele feitiço da árvore. Também não estou muito certa do que pensar sobre a revelação final, que foi uma grande surpresa para mim, mas não de todo agradável.

O que realmente brilha no livro são os personagens, principalmente os habitantes locais e suas vidinhas pacatas, mas cheias de magia, competições esquisitas, ingenuidade e/ou rabugice. São personagens bastante planos, mas tão adoráveis! E nesse livro alguns deles ainda vêm em dobro!

Uma vez, no fórum do Neopets (saudades), uma menina me contou que admirava como a Diana Wynne Jones criava os finais de seus livros, com cenas cheias de personagens e grandes revelações surpreendentes, em que tudo inicialmente parece uma bagunça, mas vai fazendo sentido aos poucos. Era isso que eu esperava do livro e foi nesse aspecto que ele me decepcionou. A maior parte dele é boa, pena que a conclusão não está à altura.

Livro lido para o Desafio Skoob (gênero fantasia) e para o Desafio Livrada! (Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta; no caso, a Diana já foi elogiada pelo Neil Gaiman)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Desafios literários para 2016 (e minha eterna indecisão)

Fiquei refletindo e protelando por um tempão, mas finalmente decidi (ou não) quais serão os desafios literários dos quais participarei em 2016.

No ano passado eu inventei de criar meu próprio desafio, que não cumpri, e de participar de dois outros. No final, só consegui completar um, o Desafio Literário Skoob. Neste ano eu deveria ser sensata e me dedicar a apenas um desafio, mas aí vejo os que as pessoas criaram, acho alguns temas legais e fico com vontade de participar de tudo. Acabei selecionando três desafios que me agradaram e são mais ou menos compatíveis com os meus tipos de leituras. Depois de anos participando de desafios, vou levar as coisas menos a sério. Não vou sofrer com leituras indesejadas só para completar desafio. Se o tema não me agradar ou se eu ver que não vai rolar, tudo bem.



Vou participar novamente, porque foi uma experiência agradável e já me acostumei com o formato. Vários temas são repetecos de desafios anteriores, então talvez eu leia alguns livros planejados faz tempo que foram preteridos na época.

JANEIRO - Gênero Fantasia
O vitral encantado - Diana Wynne Jones
Os moomins e o chapéu do mago - Tove Jansson

Já tive uma fase muito fã de fantasia, mas hoje não curto tanto. As única opções na minha estante são esses infanto-juvenis gracinha.

FEVEREIRO - Autor(a) Asiático(a)
Irmãos - Yu Hua
Declínio de um homem - Osamu Dazai
O rosto de um outro - Kobo Abe
O último homem na torre - Aravind Adiga
Algo de algum país ainda não lido para o Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros

Gosto muito do pouco que conheço da literatura japonesa e indiana. Gostaria de poder ler todos da lista e ainda explorar autores de países que ainda não li, mas é coisa demais para um mês.

MARÇO - Livro escrito por mulher
To the Lighthouse - Virginia Woolf

Vamos ver se eu finalmente leio esse clássico. 

ABRIL - Livro sobre Holocausto
O pianista - Wladislaw Szpilman
O leitor - Bernhard Schlink

Não gosto do tema, mas os dois livros escolhidos são uns que já pensei em ler em desafio/clube do livro e acabei desistindo.

MAIO - Autor(a) Africano(a)
O fio das missangas - Mia Couto
O mundo se despedaça - Chinua Achebe
Algo de algum país ainda não lido para o Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros

Muitas possiblidades, muito desconhecimento da minha parte.

JUNHO - Livro com 3 palavras no título
Vernon God Little - DBC Pierre

Sempre esqueço que tenho esse livro, coitado. Chegou a hora de ele brilhar!!!

JULHO - Livro com Serial Killer
O silêncio dos inocentes - Thomas Harris

Também não sou fã desse tema, mas quem sabe não é a hora de eu finalmente conhecer o Hannibal?

AGOSTO - Biografia
Só garotos - Patti Smith

Em dúvida se vale como biografia ou se é um livro de memórias. Se não valer, azar, vou ler mesmo assim. u_u

SETEMBRO - Autor(a) Brasileiro(a)
O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi

Livro empacado na estante. Minha irmã não gostou muito, então estou com o pé atrás.

OUTUBRO - Thriller Psicológico 
Love - Stephen King

Outro livro empacado na estante. Comprei para ser meu primeiro Stephen King, mas depois dois outros passaram na frente porque livro da biblioteca tem preferência. Uma injustiça será reparada.

NOVEMBRO - Clássicos da Literatura Estrangeira
Hamlet - Shakespeare
Absalão, Absalão - William Faulkner

Apesar de eu até gostar de clássicos, li pouquíssimos nos últimos tempos (e não senti a menor falta, hahaha). Vou aproveitar o tema para tentar ler o Hamlet rejeitado em outras ocasiões da vida. E se não der, vou de Faulkner mesmo. ;)

DEZEMBRO - Nome de Cidade, Região ou País no Título
Budapeste - Chico Buarque
Kyoto - Yasunari Kawabata

Adoro pensar nas possibilidades desse tema e quero muito ler os que eu escolhi.



Acompanho o blog Livrada! faz um bom tempo e adoro suas resenhas bem-humoradas. O Desafio já é uma tradição do blog, mas nunca participei antes. Talvez dessa vez dê certo, talvez não, mas vou tentar, de qualquer jeito. O desafio tem 15 temas (sendo que um dos temas é um livro específico) e pode ser completado em qualquer ordem, o que ajuda bastante na hora de conciliar com outras leituras.

1- Um prêmio Nobel
Hora de voltar aos favoritos? Acho que vou de Faulkner ou Kawabata, já que provavelmente lerei um deles no Desafio Skoob.

2- Um livro russo
Será que termino a Nova antologia do conto russo? Será que encaro o Oblomóv? Talvez o Almas mortas? Irmãos Karamazov? Muitas dúvidas.

3- Um cânone da literatura ocidental
Hamlet ou To the Lighthouse, o que eu ler no Desafio Skoob.

4- Uma novela
A festa de Babette - Karen Blixen

5- Um livro que você não sabe por que tem 
Não sei. Em geral eu compro os livros porque 1) quero ler ou 2) estão muito baratos, então eu sempre sei o porquê. Talvez aqui eu considere um livro que comprei e esqueci da existência ou me arrependi.

6- Um autor do seu estado
Fernando Bonassi

7- Um livro publicado por uma editora independente 
Não sei ainda.

8- Uma ficção histórica 
Não sei.

9- Um livro maluco 
Eeeee Eee Eeee - Tao Lin

10- Um livro que todo mundo já leu menos você
O hype do momento: A amiga genial - Elena Ferrante

11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta 
Já vi o Neil Gaiman falando bem da Diana Wynne Jones, então ela será minha escolhida.

12- Um livro bobo
Sendo Nikki - Meg Cabot. É a continuação de Cabeça de vento.

13- Um romance de formação 
Não sei.

14- Um livro esgotado
Não sei. Se valesse releitura eu ia de O tradutor cleptomaníaco.

15- As aventuras do bom soldado Svejk



Esse desafio é baseado no do Conversa Cult de 2014. Desde que iniciei meu projeto de Volta ao Mundo fico muito animada em acompanhar os projetos semelhantes dos outros em busca de sugestões. Esse desafio consiste em ler livros de 12 países, mais 5 países bônus, seguindo uma ordem determinada. Já li a maioria desses países, mas ler mais sempre é bom. :3

Janeiro: Argentina
História do dinheiro - Alan Pauls

Fevereiro: México
Pedro Páramo - Juan Rulfo
Arrecife - Juan Villoro

[Bônus: Colômbia]
Mais Gabo talvez?

Março: Canadá
Too Much Happiness - Alice Munro

[Bônus: Islândia]
A raposa sombria - Sjón

Abril: Irlanda
O que der vontade.

Maio: Finlândia
Não sei, porque é provável que em maio eu já tenha lido o livro dos moomins. Acho que na biblioteca tem uns livros policiais finlandeses.

[Bônus: Alemanha]
Contos do E.T.A. Hoffman, possivelmente.

Junho: França
Zazie no metrô - Raymond Queneau
As coisas - Georges Perec

Julho: Nigéria
Chinua Achebe ou Chimamanda

[Bônus: África do Sul]
Verão - Coetzee

Agosto: Irã
Não sei. Sugestões?

Setembro: Índia
Aravind Adiga, se eu já não tiver lido, ou Narayan.

Outubro: Japão
O que eu não tiver lido ainda dos livros que tenho. Ou Tanizaki. Ou Mishima.

[Bônus: China]
Yu Hua ou Mo Yan.

Novembro: Indonésia
Preciso pesquisar.

Dezembro: Austrália
Algo da Melina Marchetta ou Nick Cave.

É isso. Vi outros desafios que pareceram interessantes, mas não dá para conciliar todos. Já estou duvidando seriamente de que conseguirei participar minimamente desses três, mas tudo bem.