quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Randomicidades aleatórias: novembro/2016 (parte 1)

Novembro foi um mês arrastado, principalmente nesse final. Estamos no fim do ano e já estou pensando nos projetos literários do ano que vem, o que é bom, porque consigo me animar com pelo menos alguma coisa. Ainda não sei o que vou fazer, se vou participar de algum desafio e tal. Alguém tem alguma sugestão?

Neste mês não li/vi nada muito espetacular, mas em compensação entrei na onda da nostalgia e comecei a reler uma série de livros muito querida e a rever uma série da adolescência. Além disso, comprei mais livros do que deveria, perdendo todo o controle que tive no mês passado, mas isso é assunto para o segundo post de randomicidades.


Livros lidos


Desventuras em série - livros 1 a 4 - Lemony Snicket (Mau começo, A sala dos répteis, O lago das sanguessugas, Serraria baixo-astral)
O lançamento da série da Netflix previsto para janeiro foi a deixa para eu mergulhar novamente nas vidas desventuradas de Violet, Klaus e Sunny. Adoro demais essa série de livros e estou me divertindo muito relembrando todos os momentos ruins e bons da história. Curioso como, mesmo já tendo relido em outras ocasiões, os livros ainda parecem uma novidade. Estou ansiosa para começar a mergulhar nos mistérios que aparecerão nos próximos volumes, dos quais já não me lembro tão bem.
Nota: 4 para todos, mas acho que meu preferido por enquanto é o Mau começo (achei que meu preferido seria A sala dos répteis, mas não foi)


A nona vida de Louis Drax - Liz Jensen
O livro conta a história de Louis, um menino de nove anos propenso a acidentes que ficou em coma após cair de um penhasco. Narrado em duas vozes, a do menino e a do médico responsável por ele, o livro desvenda o mistério por trás do acidente que o deixou naquele estado. Gostei bastante das partes narradas pelo menino, mas não gostei muito do médico. A leitura demorou um pouco para engrenar, mas assim que você começa a descobrir mais coisas, a história se torna mais interessante.
Nota: 3,25


Um homem morto a pontapés - Pablo Palácio
Nota: 3


Enclausurado - Ian McEwan
Inspirado em Hamlet, esse livro chama a atenção pelo narrador inesperado: um feto. De dentro da mãe, ele ouve e sente tudo o que acontece ao seu redor e, mesmo sem nem ter nascido, já tem que se deparar com o terrível fato de que sua mãe e o amante dela estão tramando o assassinato de seu pai. Sou fã do Ian McEwan e fazia tempo que não lia um livro dele, foi bom matar a saudade.
Nota: 4


O que aconteceu com o adeus - Sarah Dessen
Há muito tempo comecei a ler esse livro e parei. Agora finalmente voltei a ele. Gosto muito do pouco que li da Sarah Dessen; gosto de como ela constrói os dramas familiares, as amizades e os amores, e acho os personagens fáceis de se identificar. Infelizmente nesse livro não senti empatia nenhuma com a protagonista, o romance não me conquistou e as brigas dela com a mãe me irritaram. Gostei da amiga excluída e da gerente do restaurante, no entanto, e preferia que o livro fosse mais focado no grupo de amigos da Mclean.
Nota: 3,25


Raul Taburin - Sempé
Raul Taburin é o melhor mecânico de bicicletas da cidade, mas ele esconde um segredo: apesar da grande experiência em consertar as magrelas, ele não sabe andar de bicicleta. A história é uma graça, e as ilustrações de Sempé, com seu traço simples, são incríveis.
Nota: 4,5

Quadrinhos


Helter Skelter - Kyoko Okazaki
Esse mangá, bastante comentado e premiado, é sobre Lilico, uma modelo incrivelmente bela e popular. Sua boa aparência, no entanto, é fruto de inúmeras cirurgias plásticas que a transformaram em uma mulher completamente diferente do que ela antes. As cirurgias lhe deram a beleza e o sucesso que ela almejava, mas não duram para sempre. Logo o corpo de Lilico começa a se deteriorar e, ao ver tudo o que conquistara em risco, sua mente vai seguindo o mesmo caminho. É um mangá bastante intenso, meio grotesco, com uma protagonista desagradável e humana.
Nota: 4


O muro - Céline Fraipont, Pierre Bailly
Livro sobre uma menina de treze anos cuja mãe abandonou a família para ficar com o amante e o pai fica ausente durante a maior parte do tempo. Sem nenhum responsável por perto, ela se sente abandonada, entediada e confusa. A arte é fantástica, com um estilo cheio de sombras. O final me pareceu um tanto abrupto, mas tirando isso, gostei muito.
Nota: 4

Animes e séries


Bananya
Anime sobre um gato-banana. Com apenas três minutos por episódio, o desenho mostra Bananya e seus amigos fazendo gato-bananices pela casa. É bem bobinho e incrivelmente fofo.

Comecei a rever The O.C., minha série queridinha da adolescência; também comecei uma porção de animes: Aoi Bungaku, série que adapta clássicos da literatura japonesa e que pretendo ir assistindo aos poucos, a medida em que ler os livros; Onara Gorou, anime curtinho sobre um pum (sim, é isso mesmo); e Those Who Hunt Elves II, anime que assisti na época da Locomotion e agora decidi rever.

Filmes


Cinco centímetros por segundo
O Makoro Shinkai é um dos diretores japoneses de animação mais consagrados da atualidade, e esse é um dos seus filmes mais famosos. Com cenários deslumbrantes e a sensibilidade que são suas marcas registradas, ele mostra o relacionamento de dois jovens que eram muito próximos na infância e foram perdendo contato com o tempo. A história é bonita, mas é um pouco maçante/brega se você não gostar do estilo. Além disso, a presença constante de um narrador me incomodou bastante e dificultou a criação de vínculos com os personagens.
Nota: 3,5


Um filme sobre o amor
Filme visto na aula de húngaro. Só agora percebi que ele tem um tema muito semelhante ao de Cinco centímetros por segundo, haha. Basicamente, o relacionamento de dois jovens muito próximos na infância e na adolescência, mas que acabam separados por forças externas. Gostei do filme, apesar de ainda ficar bem confusa com os acontecimentos históricos da Hungria (é, tô precisando estudar mais).
Nota: 3,5


Mesmo se nada der certo
Filme fofo sobre um produtor falido que se encanta pelo talento de uma cantora e propõe ajudá-la na gravação de seu álbum. É quase a versão hollywoodiana de Once, só que com músicas menos interessantes (mas ainda amo Lost Stars e gosto de toda a ideia por trás do álbum). É gostosinho de assistir, despretensioso, fofo.
Nota: 3,5


O silêncio dos inocentes
Finalmente vi esse filme inteiro! Eu já tinha visto trechos em uma viagem, mas até então não tinha me animado a assistir tudo. Gostei, o suspense é bem envolvente e os personagens são interessantes, mas talvez eu esperasse um pouquinho mais.
Nota: 4


Louca obsessão
Acho que se eu não tivesse lido o livro teria gostado bem mais do filme. O livro é bem mais pesado e angustiante e não pude deixar de ficar comparando alguns acontecimentos. Em compensação, o filme não tem aqueles capítulos insuportáveis com a história da Misery, o que sempre é um ponto positivo, hahaha.
Nota: 3,25

Por enquanto é isso. O post de compras vem em breve.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Livro: Um homem morto a pontapés

Título: Um homem morto a pontapés, seguido de Débora
Título original: Un hombre muerto a puntapiés / Débora
Autor: Pablo Palacio
Tradutor: Jorge Wolff
Editora: Rocco

Mais um livro da coleção Otra Língua aqui no blog, desta vez do autor equatoriano Pablo Palacio. O livro reúne contos e uma novela publicados originalmente em 1927. São textos bastante modernos, fragmentados, com inovações tipográficas e temas incomuns para a época, como a homossexualidade, o canibalismo e a bruxaria

Nunca sei como escrever sobre livros de contos, então vou comentar brevemente sobre os que mais me agradaram:

Um homem morto a pontapés: No conto que dá título ao livro, o personagem lê uma matéria no jornal sobre um homem morto a pontapés e fica fascinado pelo caso, a ponto de partir em busca de informações por conta própria e tentar reconstituir com detalhes o momento do crime. É meio divertido acompanhar o protagonista em seu método indutivo que leva ao desfecho trágico e violento do homem morto a pontapés.

A dupla e única mulher: Conto sobre uma mulher que nasceu dupla, com dois corpos conectados. Bastante insólita e melancólica, a história mostra a adaptação da personagem ao mundo e o isolamento em que ela vive.

Já a novela "Débora", sinceramente, achei meio chata e bastante esquecível, tanto que estou tendo dificuldade em lembrar dela para escrever aqui. Acho que preciso resenhar os livros logo que acabo de ler em vez de ficar procrastinando.

Concluindo, o livro reúne contos bastante variados, alguns interessantes, outros nem tanto. Terminei de ler alguns deles sem saber muito bem o que achei. Vale a pena para quem tem interesse em conhecer mais sobre a literatura equatoriana e/ou gosta de literatura modernista.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Livro: Hamlet

Título: Hamlet
Autor: William Shakespeare
Editora: Simon & Schuster

Acho que todos conhecem o básico da história de Hamlet: o príncipe da Dinamarca vê o fantasma do pai, que conta que foi morto pelo irmão e pede ao filho que o vingue. Hamlet se sente pressionado a agir, mas hesita. Mesmo ao comprovar a culpa do tio, ele não age e prefere mergulhar em reflexões e se fingir de louco, o que leva a um monte de confusões muito loucas e a um final trágico.

Finalmente ler um clássico tão conhecido foi uma experiência interessante, mas um pouco insatisfatória. Vamos começar pelo maior problema: eu li em inglês. Não sou a mais fluente das leitoras quando se trata de linguagem antiga e não tenho muita paciência para ir atrás de palavras que não conheço ou expressões que não entendi. Ou seja, fiquei sem entender uns trechos e estou nem aí para as belezas da linguagem, para as brincadeiras com as palavras etc. Por outro lado, é razoavelmente tranquilo seguir a história; são as nuances que se perdem.

O outro problema é que, por mais interessante que seja ler as frases famosas (como "ser ou não ser, eis a questão" ou "há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia") no contexto original, achei os solilóquios chatinhos e meio difíceis de entender (o que é consequência dos meus problemas com a linguagem, mas imagino que eu também acharia os solilóquios chatos em português).

O lado bom da leitura é que a história é bastante interessante, às vezes até empolgante, mesmo já se conhecendo o enredo básico e as principais questões abordadas. Inclusive, talvez por já sabermos de algumas das coisas que estão por vir, conseguimos prestar atenção em outros aspectos e analisar melhor o que nos é apresentado. Como disse o Ítalo Calvino, um clássico é um livro que, por mais que pensemos conhecer, se revelam novos quando o lemos. Acho que Hamlet se encaixa bem nesse caso.

Livro lido para o Desafio Literário Skoob (um clássico).

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Randomicidades do mês: outubro/2016

Outubro foi um mês que passou voando. Devido ao início dos Grand Prix de patinação no gelo, ao Terrace House e a eu ter empacado em algumas leituras, não li muita coisa e nem vi muitos filmes como eu pretendia, mas tudo bem. O bom de outubro é que não comprei nenhum livro. Meu dinheiro e minha estante lotada agradecem!

Livros lidos


Love - Stephen King
Nota: 3,25


Por lugares incríveis - Jennifer Niven
Esse YA fez bastante sucesso quando foi lançado e despertou minha curiosidade por abordar assuntos como o suicídio. Não gostei muito dos personagens (principalmente do Finch, que é bem irritante) e isso fez com que eu não gostasse tanto do livro em si. Também preferia que o livro focasse mais na amizade, que era o que eu imaginava no começo, mas o foco é no romance mesmo, e um romance que não me convenceu. Apesar disso, é uma leitura bem fluida e, meio contra a vontade, me emocionei em alguns momentos.
Nota: 3,25


Contos maravilhosos infantis e domésticos - 1812 - 1815 - Jacob e Wilhelm Grimm
Comecei a ler esse livro faz um tempão, mas como eu o pegava para ler muito ocasionalmente, demorei mais de um ano para terminar. A coletânea reúne alguns dos contos de fadas que todos nós conhecemos, como Cinderela e Rapunzel, mas também alguns contos desconhecidos. Destes, alguns apresentam aqueles elementos típicos dos contos tradicionais, como objetos mágicos, três irmãos, princesas etc, e outros têm histórias um tanto bizarras, principalmente os protagonizados por animais ou objetos. Alguns têm uma moral bem óbvia, outros me deixaram bem confusa. Essa edição da finada Cosac Naify é muito bonita, com ilustrações em estilo cordel e páginas coloridas.
Nota: 4


O rosto de um outro - Kobo Abe
Nota: 3


Hamlet - William Shakespeare
Vou resenhar em breve
Nota: 3,25


The Delicate Prey - Paul Bowles
Livrinho que reúne três contos desse autor que eu não conhecia. Dois dos contos se passam no Marrocos, eu imagino, e um em algum lugar da América Latina talvez. São contos bem mais intensos do que eu esperava, alguns bastante violentos, e me deixaram um tanto desconfortável. Apesar de nenhum dos contos ter me conquistado muito (talvez o último, quem sabe), fiquei curiosa para conhecer mais da obra do autor.
Nota: 3,25

Quadrinhos


Sayonara ga Chikai no de
Mangá one-shot sobre o fim da vida de Souji Okita, capitão da primeira divisão do Shinsengumi, que morreu de tuberculose. Okita é retratado como um homem genial com a espada, mas a quem falta motivação para lutar e para viver. Gostei da abordagem pé no chão, que não romantiza a figura histórica.
Nota: 3,75

Comecei a ler: Mushishi, mangá que originou meu anime preferido. Ainda só li o primeiro capítulo. Como são histórias independentes, pretendo ler aos poucos.

Animes e séries


Terrace House: Boys and Girls in the City - 2ª temporada
Temporada final desse reality show japonês que reúne seis pessoas que não se conhecem em uma casa. Apesar da premissa clichê, o programa é incrivelmente viciante. Nessa temporada rolaram altas tretas, o que tornou tudo ainda mais interessante.
Nota: 4,25


Zankyou no Terror
Assisti a esse anime porque ele é dirigido pelo Shinichiro Watanabe, que dirigiu dois dos meus animes preferidos: Cowboy Bebop e Samurai Champloo. A premissa, sobre uma dupla de adolescentes terroristas, não me interessou muito, mas como o anime é bastante elogiado, resolvi dar uma chance. A primeira metade não me conquistou, achei alguns personagens bem descartáveis e os protagonistas sem muito desenvolvimento, mas o final foi tão bem construído visual e musicalmente que isso compensou alguns dos defeitos. Narrativamente, o anime recorre a algumas soluções fáceis para fazer a história andar e gasta tempo demais em coisas que não são muito importantes (cof, cof, Five). No geral, achei ele um tanto confuso, mas como sou conquistada facilmente com cenas bonitas, a impressão final não é ruim.
Nota: 3,25

Comecei a assistir: Yuri!!! on Ice (anime sobre patinação no gelo, é claro que eu ia assistir!)

Filmes


Digimon Adventure tri. 3: Kokuhaku
Terceira parte de Digimon tri., dessa vez focada no Izzy e Tentomon e no TK e Patamon. Apesar dos pesares, esse foi o meu filme preferido por enquanto. Ainda está longe de ser algo ótimo, mas tem drama com o Patamon, então é óbvio que eu ia gostar. O Patamon é o meu ponto fraco.
Nota: 3,5


O silêncio do céu
Dirigido pelo Marco Dutra (Trabalhar cansa, Quando eu era vivo), esse filme se passa no Uruguai e conta a história de um casal. O marido vê a mulher ser estuprada, mas é tomado pelo medo e não consegue agir. A mulher, que não sabe que o marido sabe, finge que nada aconteceu. O silêncio entre eles vai os distanciando enquanto os dois tentam superar o trauma. Gosto de como o diretor consegue construir um clima tenso e sufocante em umas cenas bem banais.
Nota: 3,5


Dente canino
Filme grego estranho e fascinante sobre uma família em que os pais não deixam os filhos saírem de casa até chegarem à maioridade, que é quando os dentes caninos caem (ou seja, nunca). Criados sem contato com o mundo externo, os filhos ficam à mercê dos pais e vivem em um estranho mundo protegido e alienado. Boa parte do filme me deixou perplexa, confusa e desconfortável. Se você gosta de filmes que te deixam assim, recomendo!
Nota: 4

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Livro: O rosto de um outro

Título: O rosto de um outro
Título original: Tanin no Kao
Autor: Kobo Abe
Tradutora: Leiko Gotoda
Editora: Cosac Naify

Após um acidente no laboratório onde trabalha, o protagonista do livro tem o rosto completamente desfigurado e passa a questionar a própria identidade. Sentindo-se à margem da sociedade, ele cria uma máscara para esconder o rosto e viver normalmente, mas a máscara muda sua percepção dos outros e de si mesmo e revela uma nova face.

O livro é escrito na forma de três cadernos com as anotações do personagem sobre sua experiência e algumas cartas no final. Direcionados para a esposa do protagonista, os cadernos contém longos monólogos com questionamentos e reflexões um tanto cansativos e repetitivos, que às vezes se estendem por páginas e páginas. Isso foi algo que me decepcionou, pois julgando pela premissa eu esperava algo um pouco mais empolgante, estranho e assustador. A questão central, sobre a importância do rosto para determinar a identidade, é interessante, e a história tem os momentos tensos e intrigantes que eu esperava, mas o livro se perde um pouco andando em círculos.

Por outro lado, boa parte das coisas que me incomodaram durante a leitura foram comentadas pela esposa do protagonista na carta que ela escreve para o marido no final, o que achei bem curioso e me fez terminar o livro meio aliviada, meio vingada (?).

O livro foi adaptado para o cinema e, vendo as imagens no google, parece bem interessante e sinistro. Fiquei com vontade de ver.

Livro lido para o desafio Volta ao Mundo (Japão).

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Livro: Love

Título: Love - A história de Lisey
Título original: Lisey's Story
Autor: Stephen King
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Objetiva

Demorei para resenhar esse livro aqui porque fiquei (e ainda estou) na dúvida se ele se encaixa no tema do desafio literário: thriller psicológico. Mas refletindo percebi que acho que ele se encaixa, sim, e se não se encaixar... vamos fingir que se encaixa.

Love conta a história de Lisey, que era casada com Scott Landon, famoso escritor americano, um raro exemplar da espécie cultuado tanto pela crítica quanto pelo público. Dois anos depois da morte dele, Lisey ainda tem problemas ao lidar com o luto. Ao se ver obrigada a remexer nas coisas do marido para satisfazer as exigências dos incunks (abutres-acadêmicos que desejam por as mãos nos papéis que Landon deixou para trás), ela é forçada a mergulhar nas lembranças e mistérios do marido.

Esse é o terceiro Stephen King que leio e talvez tenha sido o que menos gostei. Ele não é ruim nem nada do tipo, mas achei um tanto quanto lento e prolixo. Por mais que isso tenha os seus motivos de ser e ajude a construir o clima, desenvolver os personagens e tal, ainda assim eu esperava algo um pouco mais animado vindo de um livro do King. Ele tem seus momentos tensos, tem seus momentos surpreendentes e tem seus momentos envolventes, mas no geral é um livro morno, com pouca ação, o que faz sentido, já que ele se concentra no psicológico dos personagens e faz uma escavação arqueológica na memória da Lisey (preparem-se para flashbacks e flashbacks dentro de flashbacks).

Algumas considerações sobre a linguagem e o estilo: a Lisey e o Scott tinham suas próprias expressões e palavras, que aparecem bastante no livro, como o jeito de chamar a escrivaninha ou o tal do "bool". Sinceramente, essas palavras me irritaram um pouco, assim como a técnica do King de cortar o fluxo da narrativa inserindo parenteses com algum pensamento, que é algo que já vi em outros livros dele. Não é nada que estrague a leitura, mas incomoda um pouco.

Eu realmente gostei da maioria dos personagens centrais e adorei o relacionamento entre Lisey e suas irmãs, principalmente a Amanda. Isso me fez desejar ler um livro inteiro centrado nelas, sem Landon e seu passado mórbido para atrapalhar.

Por outro lado, não achei a história em si tão interessante. O livro trata de assuntos fascinantes, como a criação literária, e tem uma abordagem que achei muito interessante de doenças mentais, então eu esperava um pouco mais. Talvez as expectativas estivessem altas demais. Talvez eu tenha me tornado uma leitora chata demais. Não sei. Ainda assim, acho que vale a pena dar uma chance ao livro, seja você fã do Stephen King ou não.

Livro lido para o Desafio Literário Skoob (thriller psicológico).

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Randomicidades do mês: setembro/2016

As randomicidades do mês tardam mas não falham! Em setembro até que li um bom número de livros, principalmente porque vários deles são curtos. Já os filmes foram pouquíssimos, o que vou tentar compensar em outubro. Também terminei dois animes da temporada, o que é uma façanha para mim, que nunca consigo acompanhar direito as coisas na época em que são lançadas.

Livros lidos


O menino que se trancou na geladeira - Fernando Bonassi
Nota: 1

 

A faca sutil - Philip Pullman
Esse é o segundo volume da trilogia Fronteiras do universo. Apesar de ele ser meio que um volume de transição, que não apresenta resposta nenhuma e termina em um baita cliffhanger, acho que é o meu livro preferido da série. Gosto muito da dinâmica entre o Will e a Lyra nesse livro, talvez porque antes a gente só via a Lyra convivendo com figuras de autoridade e agora ela está ao lado de um menino da sua idade que está tão perdido quanto ela. Também adoro o conceito de universos paralelos e a exploração que os personagens fazem entre mundos. Diferente da Bússola de ouro, eu não me lembrava muito bem da história desse livro, então foi quase como ler da primeira vez.
Nota: 4,25


A luneta âmbar - Philip Pullman
Se minha releitura de A faca sutil foi quase como seu estivesse lendo da primeira vez, a releitura desse volume final foi como se eu realmente estivesse lendo pela primeira vez. Eu não lembrava de nada desse livro além de umas cenas aleatórias (quase todas relativas aos mulefas ou aos anjos). E foi bom não lembrar, porque a curiosidade para saber o que ia acontecer me motivou a progredir pelos trechos mais maçantes. Esse volume força um pouco na alegoria e se preocupa em fechar a história e passar as ideias do autor em detrimento de alguns personagens, que têm um desenvolvimento decepcionante. O livro é muito bom, sim, e fico impressionada com o universo que o Pullman construiu, mas ele deixa um gosto meio amargo na boca.
Nota: 3,75


Grimble & Grimble no Natal - Clement Freud
Eu já tinha lido Grimble na coletânea de contos Foras-da-lei barulhentos etc., mas quando vi que a Zahar lançou o livro com ilustrações do Quentin Blake e uma história extra, não resisti. Grimble é um menino normal com pais muito esquecidos que estão sempre viajando. Na primeira história, os pais viajam para o Peru e deixam um monte de bilhetes com orientações para o filho se virar sozinho durante a semana. Na segunda, Grimble faz o possível para lembrar os pais que o Natal está chegando, mas eles são tão atrapalhados que nem notam os esforços do filho. São histórias muito engraçadas e fofas.
Nota: 3,75


O rei do picles - Rebecca Promitzer
Esse livro chamou minha atenção pela capa simpática e pelo título peculiar. Comecei a ler sem saber muito o que esperar e fiquei surpresa com a mistura de elementos de histórias de detetive e de terror. Gostei muito dos personagens e da dinâmica entre eles (adoro livros que misturam personagens que normalmente não seriam amigos), mas boa parte da aventura me cansou. A autora tentou misturar elementos demais e ficou tudo meio solto no final.
Nota: 3


Breve romance de sonho - Arthur Schnitzler
É uma leitura válida para meu desafio Volta ao Mundo em 80 Livros, representando a Áustria. Eu deveria resenhar em um post separado, mas sinceramente, não estou com energia para isso, então vou comentar brevemente aqui. Essa é a novela que inspirou o filme De olhos bem fechados, que ainda não vi. Gostei bastante do clima misterioso, meio onírico, (que me lembrou um pouco O sonho dos heróis do Adolfo Bioy Casares) e da tensão.
Nota: 4


O pintor de letreiros - R. K. Narayan
Nota: 3,75


Quando o imperador era divino - Julie Otsuka
Esse foi o romance de estreia da autora e trata do mesmo tema que O Buda no sótão: a vida dos imigrantes japoneses nos EUA. Focado em uma família nipo-americana e alternando o foco narrativo entre os membros dessa família, o livro se concentra na década de 40, quando os japoneses e descendentes passaram a ser vistos como inimigos da nação e foram enviados a campos de concentração após o bombardeamento de Pearl Harbor. A Otsuka tem um estilo muito delicado e contido que funciona bem ao tratar de assuntos que poderiam se tornar um tanto melodramáticos em outras mãos.
Nota: 4

Quadrinhos


The Wedding Eve - Hozumi
Esse é uma mangá com histórias curtas bastante focadas nas relações familiares, algumas com elementos levemente fantásticos, mas ainda assim bem pé no chão. O traço da autora me agradou muito e as histórias me surpreenderam demais. Provavelmente vou falar mais dele no futuro.
Nota: 4,5


Gen Pés Descalços (vol. 8) - Keiji Nakazawa
Estou chegando na reta final e confesso que estou achando a história menos interessante nesses últimos volumes. Nesse volume, Hiroshima continua a sofrer com as consequências da bomba e da dominação americana, além de temer que o país entre em guerra novamente caso se envolva na Guerra da Coreia.
Nota: 3

Animes


Handa-kun
Esse é um spin-off de Barakamon que mostra a vida de Handa durante o ensino médio. É um anime de comédia e todas as piadas são basicamente uma variação sobre o mesmo tema: Handa se vê como um loser e acha que todos da escola o odeiam, mas na verdade a escola inteira o idolatra, o que gera as mais hilárias confusões. Eu não estava pondo muita fé no anime, mas achei bem divertido. Ele é muito diferente do tom de Barakamon e, com exceção do Handa, do Kawafuji e de uma ou outra referência a acontecimentos futuros, as duas séries não têm muito em comum, mas é uma diversão leve e descontaída.
Nota: 3,5


Orange
Como assisto mais animes do que leio mangás, é muito raro eu assistir a uma adaptação depois de ter lido a obra original (pensando bem, acho que essa é a primeira vez que isso acontece). Foi um pouco estranho assistir tendo a história tão fresca na mente. Tentei evitar comparações, mas nem sempre deu. Tirando os defeitos técnicos, como a animação capengando em vários episódios da metade final, o que mais me incomodou foi a protagonista, Naho, ficou bem mais irritante no anime do que no mangá. Talvez isso aconteça porque no mangá temos mais acesso aos seus pensamentos e acabamos a compreendendo melhor (e nos identificando). A insegurança dela faz mais sentido. No anime ela só fica parecendo burra mesmo. Uma pena, porque a história é boa e o anime consegue transmitir razoavelmente bem a essência da obra original.
Nota: 3,5

Filmes


Kaze no Matasaburou
Que filme gracinha!!! Meio que me lembrou uma mistura de Ghibli com algum desses desenhos fofos da minha infância tipo Babar ou As trigêmeas. A história é super simples: uma menina passa um tempo no interior com o pai e começa a frequentar a escola local. Ela deseja fazer amizade com os colegas, mas alguns desentendimentos iniciais a afastam deles. Porém, aos poucos eles vão se conhecendo e ela passa a apreciar mais a vida no campo. Os colegas dela, com a exceção de um menino, são todos animais fofíssimos, e a interação entre eles é adorável. Se você gosta de desenhos delicados, belos cenários, arte fofa e clima relaxante, esse filme é para você (e só tem 22 minutos!).
Nota: 4


Aquarius
Com todo mundo comentando sobre esse filme, é claro que eu não pude deixar de conferir, até porque gostei muito do filme anterior do diretor, O som ao redor. Meu veredito é: é bom, sim, mas não é tudo isso que estão dizendo. É um filme forte, com momentos marcantes, detalhes curiosos e muitas críticas à nossa sociedade, mas eu esperava um pouquinho mais.
Nota: 3,75

Aquisições

Em setembro eu exagerei nas compras, culpa da Bienal e da minha mania de ficar garimpando nos estandes das distribuidoras. Isso desequilibrou completamente minha meta de não acumular mais de cem livros não lidos, mas tudo bem, né?


Confissões de uma máscara é um que eu queria ler faz tempo, porque gostei do outro livro do autor que li. Ferdydurke é um livro polonês bastante influente; lembro que li um texto sobre ele e fiquei fascinada. Você não deveria estar na escola? é o terceiro dessa série do Lemony Snicket e me lembra que preciso reler Desventuras em Série. O homem dos olhos dançantes é um livro bonitinho e ilustrado e estava tão barato que não resisti. Adoro o Ismail Kadaré, mas faz um bom tempo que não leio nada dele, espero matar as saudades com Vida, jogo e morte de Lul Mazrek.


Esses todos são livros nacionais. O cortejo em abril é um livro curtinho de contos da Zulmira Ribeiro Tavares, autora que li na faculdade e gostei. Tenho vontade de ler A arte de produzir efeito sem causa desde que vi o filme Quando eu era vivo, baseado no livro. Gosto muito da Vanessa Barbara e do Lúcio Cardoso, então decidi me arriscar com esses dois livros.


Essas foram as compras da minha irmã, com exceção do Terry Pratchett, que foi uma compra dividida entre nós duas.


E, finalmente, esses dois livros foram comprados em conjunto em uma promoção na internet. Eu queria o do monstro, minha irmã queria o das estrelas, então lá fomos nós comprar. Essas edições da Darkside são muito lindas. :)

Foi isso! Espero que o post de randomicidades não saia tão atrasado no mês que vem.