Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
A autora Chimamanda Ngozi Adichie vem sendo muito comentada graças aos seus discursos no TED (O perigo de uma única história e Sejamos todos feministas) e ao seu último romance, Americanah. Queria ler algum livro dela já faz um tempo, mas foi só com esse hype atual que decidi finalmente pegar na biblioteca. Eu queria mesmo era ler Meio sol amarelo, mas ele não estava disponível, então optei por Hibisco roxo, o primeiro romance da autora, de 2003.
O livro é protagonizado e narrado por Kambili, menina rica, filha de um pai poderoso, Eugene. Muito respeitado por todos, o pai é um exemplo de homem altruísta e de conduta moral exemplar, mas em casa ele revela sua faceta dominadora, violenta e intolerante. Católico fervoroso, ele rejeita totalmente as antigas tradições nigerianas, a ponto de se recusar a se encontrar com o pai "pagão". Seu fanatismo religioso oprime a vida de Kambili, sua mãe e seu irmão Jaja, que precisam se sujeitar ao poder do patriarca, seguir obedientemente os preceitos católicos e viver com medo de desagradar Eugene.
Apenas quando visitam a tia Ifeoma, irmã de Eugene, eles podem ser livres. Professora universitária e mãe de três filhos espertos e questionadores, ela é a única com coragem de se opor a Eugene. É nessas visitas que Kambili conhece uma nova realidade, mais pobre e dura, mas também livre e alegre.
O livro apresenta a situação política e social da Nigéria, mas sem exageros, sem parecer algo pesado ou forçado naquele estilo "senta que lá vem uma aula sobre a Nigéria". As disputas políticas, a luta pela liberdade de expressão, os problemas da universidade local, a desigualdade social, o conflito entre o catolicismo e as religiões e tradições locais, tudo isso é abordado no romance.
A escrita da autora é fluida e bonita, do tipo que te faz ler sem perceber o tempo passando, e os personagens são bem desenvolvidos e cativantes. Recomendo a leitura e já coloquei os outros livros da Chimamanda na minha fila de leitura.
Essa leitura vale para meu desafio pessoal em duas categorias (livro de escritor da África Subsaariana e livro escrito por uma mulher negra) e para o desafio Volta ao Mundo em 80 Livros (Nigéria).
