sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Os melhores (e piores) do Desafio Literário 2013

Último Desafio Literário organizado pela Vivi, já que neste ano não vai rolar... Triste, mas já estou pensando em participar de um outro, além de seguir com meu projeto Volta ao Mundo em 80 Livros e participar de outro, o Volta ao Mundo em 12 Livros.

Então vamos aos livros lidos no DL 2013 (lista de leituras planejadas aqui, só para comparar com as leituras feitas de fato).

Janeiro - tema livre
A casa dos muito caminhos - Diana Wynne Jones
A cabana - William P. Young
A trama do casamento - Jeffrey Eugenides
Foras da lei barulhentos - vários autores
Wildwood - Colin Meloy
O capote e outras histórias - Nikolai Gógol

Fevereiro - livros que nos façam rir
The light fantastic - Terry Pratchett

Março - animais protagonistas
Eu sou um gato - Natsume Soseki

Abril - uma ou mais das quatro estações no título
Aquele Verão - Sarah Dessen

Maio - Livros citados em filmes
Macbeth - William Shakespeare

Junho - romance psicológico
Os Ratos - Dyonelio Machado

Julho - Cor ou cores no título
O caderno vermelho - Paul Auster

Agosto - Vingança
Grotescas - Natsuo Kirino
A vingança da Cagliostro - Maurice Leblanc

Setembro - autores portugueses contemporâneos
A manta do soldado - Lídia Jorge

Outubro - histórias de superação
Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio-expediente - Sherman Alexie

Novembro - livros que foram banidos
The handmaid's tale - Margaret Atwood

Dezembro - Natal
A aventura do pudim de natal - Agatha Christie
Conto de natal de Auggie Wren - Paul Auster


Melhores livros:
A casa dos muito caminhos: segue a linha de seus antecessores com sucesso.
A trama do casamento: leitura deliciosa.
Foras da lei barulhentos...: ótima seleção de contos e edição caprichada.
Eu sou um gato: hilário e genial.
Os ratos: angustiante.
The handmaid's tale: distopia muito interessante.
(metade dos livros está no mês de janeiro, tema livre, hehe)

Pior livro:
A cabana: não é um tema que me atrai e achei meio arrastado.

Boas surpresas:
Conto de natal de Auggie Wren: a história em si não é tão boa, mas as ilustrações e a edição tornam esse livrinho memorável. E talvez eu não notasse o livro se não fosse pelo DL.

Maior decepção:
O caderno vermelho: gosto muito do autor e esse livrinho parecia legal, mas o achei bem mediano.

No geral, foi um DL em que li pouco, me contentando em cumprir uma leitura por mês. Acabei não saindo muito da zona de conforto e conheci poucos autores novos, mas consegui ler coisas que estavam na fila faz tempo, como Os Ratos, The Handmaid's Tale e The Light Fantastic.

Ainda não estou 100% certa de que vou participar do Desafio Literário do Tigre (amei alguns temas), mas vou tentar. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Volta ao mundo em 80 livros - Impressões de leitura (2ª parte)

Depois de um bom tempo procrastinando, finalmente escrevo minhas impressões de leitura dos livros que li até agora para meu projeto. O curioso é que essas impressões foram escritas meses depois das leituras, então não são exatamente fiéis ao que senti quando estava lendo ou logo ao terminar de ler.

Submarino - Joe Dunthorne (País de Gales)
Tenho esse livro faz um tempão, mas hesitei antes de ler. Minha irmã tinha lido e não gostou muito, então fiquei com um pé atrás, mas para mim a leitura foi bem agradável, o livro é divertido e, apesar de não ter nada de muito especial, achei melhor que muitos outros livros de adolescente que li.



Ojos de perro azul - Gabriel Garcia Marquez (Colômbia)
Meu primeiro livro em espanhol! Infelizmente meu espanhol não é bom o suficiente para me permitir uma leitura fluida como em português ou mesmo inglês, mas até que deu certo. É um livro de contos e não achei nenhum deles especialmente marcante, mas não deixam de ser bons.


Grotescas - Natsuo Kirino (Japão)


The Speckled People - Hugo Hamilton (Irlanda)
Lido para a faculdade, é sobre a infância do autor na Irlanda. Gostei bastante do livro, mas ler para a faculdade, sabendo que depois terei prova/trabalho sobre isso, sempre prejudica o prazer da leitura, não acham?



Haroun e o Mar de Histórias - Salman Rushdie (Índia)
Meu primeiro contato com a literatura do Rushdie. Eu esperava mais, não sei. Li resenhas muito positivas desse livro e ele parecia ser a minha cara, mas no final foi uma leitura apenas okay.




Velhas Estórias - Luandino Vieira (Angola)

É um livro de contos. Pelo que me lembro, contos meio longos e bem difíceis de ler se você não está acostumado ao estilo do autor (eu não estou), mas a dificuldade faz parte e aumenta a satisfação ao final (ou não).




The Progress of Love - Alice Munro (Canadá)

Mais um livro de contos, desta vez da autora premiada com o Nobel este ano, uhul! Esse livro reúne um bom número de contos (não me lembro quantos), o que achei que prejudica o conjunto da obra se você pretende ler um atrás do outro, porque são todos meio parecidos, em geral sobre pessoas velhas que relembram a juventude e coisas assim. Pelo menos um conto memorável: um sobre uns caras que iam patinar no gelo (é claro que seria esse o memorável).


A manta do soldado - Lídia Jorge (Portugal)



Disgrace - J. M. Coetzee (África do Sul)

Meu primeiro contato com a literatura do Coetzee. Eu esperava mais, não sei. Li para a faculdade e ele também sofreu da síndrome da "leitura avaliada", assim como o The Speckled People.







(quando digo essas coisas como "esperava mais", "não tem nada muito especial" etc. não quer dizer que não gostei do livro ou achei mediano. Em geral eu gostei, às vezes gostei bastante, mas as expectativas às vezes me fazem esperar demais, achar que vai ser o livro da minha vida ou algo assim.)


Por enquanto, li livros de 15 países diferentes desde 27 de abril de 2013.
Comecei variando bastante, mas nos últimos meses só tenho lido livros de países repetidos... Dicas de livros de países diferentes?

Desafio Literário: Conto de Natal de Auggie Wren

Título: Conto de Natal de Auggie Wren
Autor: Paul Auster
Ilustradora: Isol
Editora: Cia. das Letras

Depois disso, passei alguns dias em desespero, lutando contra os fantasmas de Dickens, O. Henry e outros mestres do espírito natalino. A mera expressão "conto de Natal" tinha associações desagradáveis para mim, evocava aterradoras efusões de sentimentalismo hipócrita e bobagens melosas. (...) No entanto, como alguém poderia se propor a escrever um conto de Natal que não fosse sentimental? Era uma contradição nos próprios termos, uma impossibilidade, um enigma insolúvel. (p.22)

Como já disse na minha resenha anterior, não gosto de Natal. No entanto, tive que ler mais de um livro com o tema, porque como poderia resistir a esse livro ilustrado charmoso?

O Auggie Wren do título é funcionário de uma tabacaria e tem o costume de tirar fotos de um mesmo lugar, na mesma hora do dia, todos os dias. Ele se tornou amigo do escritor, frequentador da tabacaria, e quando o escritor recebe a tarefa de escrever um conto de Natal e não sabe como fugir do sentimentalismo meloso típico desse tipo de história, Auggie promete narrar ao amigo um conto de Natal surpreendente e verdadeiro, que aconteceu com ele.

O livro é uma graça, mas fiquei meio decepcionada com a história narrada por Auggie. Acho que fiquei muito animada com essa coisa das fotos do mesmo lugar e esperava que isso tivesse mais importância no conto...

As ilustrações são muito interessantes e a edição está bonita e caprichada.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Desafio Literário: A aventura do pudim de Natal

Título: A aventura do pudim de Natal
Autora: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira

Vamos começar falando que eu não ligo muito para o Natal. Aqui em casa faz tempo que não temos mais o hábito de montar árvore, enfeitar a casa etc. e não comemoramos a data muito efusivamente mesmo nos encontros familiares. Claro que gosto de ganhar presentes, mas acho que estou ficando velha e nem isso consegue me alegrar muito (talvez porque eu quase só ganhe roupas...). E as comidas tradicionais de Natal são tão sem graça. :/

Dito isso, achei o tema do DL deste mês bem chato. Mas desafio é desafio...

Escolhi "A aventura do pudim de natal" pelo título, que me faz imaginar um pudim vivendo altas aventuras. Mas, que decepção, não é nada disso. O livro reúne seis contos da autora, cinco protagonizados pelo detetive Poirot e um pela Miss Marple. Os contos são: "A aventura do pudim de Natal", "O mistério do baú espanhol", "O reprimido", "O caso das amoras pretas", "O sonho" e "A extravagância de Greenshaw".

Peguei o livro na biblioteca achando que seria um romance e só descobri mais tarde que eram contos. Destes, só um trata do Natal, mas acho que é uma leitura válida para o Desafio mesmo assim, não?

Em "A aventura do pudim de Natal", Poirot é convocado para investigar o roubo de um valioso rubi e, para realizar a investigação, passa um período em uma casa de campo, em um típico Natal inglês, que inclui o tal pudim de passas.

No geral achei os crimes e suas resoluções mirabolantes demais para o meu gosto. Não sei se estou mal acostumada com o gênero policial ou se é um problema dos contos em si, mas me pareceu que muitos dos crimes só deram certo por sorte e foram solucionados quase por acaso, baseados em suposições muito vagas. E (spoiler!) precisa ter tantas pessoas se passando por outras? Não achei isso nada convincente!

Mas, apesar de tudo, o livro foi um bom entretenimento e no momento é isso o que importa.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Desafio Literário - The Handmaid's Tale

Título: The Handmaid's Tale
Autora: Margaret Atwood
Editora: Seal Books

I wipe my sleeve across my face. Once I wouldn't have done that, for fear of smearing, but now nothing comes off. Whatever expression is there, unseen by me, is real.
You'll have to forgive me. I'm a refugee from the past, and like other refugees I go over the customs and habits of being I've left or been forced to leave behind me, and it all seems just as quaint, from here, and I am just as obsessive about it. Like a White Russian drinking tea in paris, marooned in the twentieth century, I wander back, try to regain those distant pathways; I become too maudlin, lose myself. Weep. Weeping is what it is, not crying. I sit in this chair and ooze like a sponge.
So. More waiting. Lady in waiting: that's what they used to call those stores where you could buy maternity clothes. Woman in waiting sounds more like someone in a train station. Waiting is also a place: it is wherever you wait. For me it's this room. I am a blank, here, between parentheses. Between other people. (p. 213)


The Handmaid's Tale (O conto da aia em português) é um romance distópico e, não sei quanto a vocês, mas eu adoro distopias e só esse mero fato já foi suficiente para despertar meu interesse no livro.

A história se passa em Gilead, ex-EUA, uma sociedade totalitária dominada pela religião. Nessa sociedade, as mulheres vivem sob intenso controle e são divididas em várias categorias que representam sua função social: esposas, marthas, aias. A protagonista é Offred, uma aia, responsável por gerar filhos para a elite.

O romance é construído de maneira instigante, revelando pouco a pouco sobre os personagens e a sociedade a qual pertencem. É desses que dá vontade de ler em um fôlego só.

O que achei interessante e que difere de outros romances distópicos que já li é que o livro cria uma sociedade que sofreu mudanças recentemente, portanto os adultos que nela vivem se lembram como as coisas eram antes e podem refletir sobre a mudança.

O livro foi banido por várias razões, aquelas de sempre: sexo, críticas ao cristianismo etc. Aqui tem algumas das críticas e razões para não adotar o livro no ensino médio, que eu achei bem hilárias: http://www.sibbap.org/thehandmaidstale.htm

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Desafio literário - Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente

Título: Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente
Autor: Sherman Alexie
Editora: Galera Record

Ser pobre é um saco, e é um saco saber que, de alguma forma, você merece ser pobre. O cara começa acreditando que é pobre porque é burro e feio. Depois começa a acreditar que é burro e feio porque é índio. E como o cara é índio, ele começa a acreditar que está destinado a ser pobre. É um círculo feio e o cara não pode fazer nada para sair dele. (p. 25)
O tema deste mês, histórias de superação, não é lá do meu agrado, mas felizmente é um tema fácil e calhou de o livro que eu estava lendo se encaixar nele. Ouvi falar desse livro pela primeira vez faz tempo, no jornal, mas ele não conseguiu me motivar o suficiente para comprá-lo, até que uma promoção das Lojas Americanas me permitiu comprar por apenas 5 reais, e assim ele veio parar nas minhas mãos.

Arnold Spirit Junior é um adolescente constantemente zoado pelos colegas. Ele é um índio e vive em uma reserva pobre. Aos 14 anos ele percebe que não teria um bom futuro se permanecesse na escola da reserva e decide mudar para a escola da cidade próxima, de brancos. Sua atitude é vista como traição pela maior parte de seu povo, inclusive seu melhor amigo, e na escola nova, ele é visto como o esquisitão. Mas Junior é persistente e aos poucos vai mudando a opinião das pessoas e conquistando seu espaço.

O livro é escrito na forma de diário, cheio de desenhos engraçadinhos feitos pelo próprio Junior. É um livro engraçado em alguns momentos, com um estilo leve e zombeteiro, mas também bem triste. Junior passa por muitos momentos difíceis e a situação da reserva indígena é complicada, com a pobreza, o alcoolismo e muitas mortes. Junior pode ter conseguido superar parte de suas dificuldades (de modo até meio fácil demais, no caso de sua adaptação na escola de brancos), mas o livro não aponta para um final muito esperançoso para a reserva e todos os índios de lá.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Desafio literário - A manta do soldado

Título: A manta do soldado
Autora: Lídia Jorge
Editora: Record

A narradora sem nome é filha de Walter Dias, o soldado, o desenhador de pássaros, a ovelha negra da família, que não tomava juízo e não parava quieto, que engravidou Maria Ema e foi embora, deixando a mulher casar com o irmão. A narradora espera pelo pai que também é tio e o convoca mentalmente, refletindo sobre ele e sobre o que ele lhe deixou, enquanto à sua volta a família e sua propriedade rural decaem.

Esse livro não estava na minha lista inicial, eu pretendia ler outro da autora, que tenho aqui mas ainda não li, mas ao chegar na biblioteca ele foi o único que realmente me chamou a atenção e dei tchau para a sensatez de ler o que já tenho. Tem algo nos romances sobre família decadentes que me atrai (e o fato de compararem a autora ao Faulkner na orelha me pareceu promissor).

O estilo da autora é bem poético e fragmentado, chegando a ser confuso no início. Isso tem grandes chances de não me agradar, mas nesse caso eu achei bom. É um livro que te conquista pelo estilo e não pelo enredo.

O livro é bem lento, tanto que levei umas duas semanas para ler. Acho que esse é o tipo de livro que fica melhor apreciado aos poucos.